Made in Abyss, em análise | Primeiras Impressões

Made in Abyss será provavelmente a melhor série anime da temporada de verão. E quem sabe, do ano. Se há série que não vais querer perder, é esta!

De ano para ano, e de temporada para temporada, nota-se algum decréscimo de qualidade e originalidade nas séries anime que estreiam. Parece que mudam os nomes mas as histórias são todas iguais. Contudo, uma vez por outra, surge aquela série que apanha todos os fãs de surpresa. E de repente não se fala de outra coisa. Aconteceu com Attack on Titan. E aconteceu com One-Punch Man. Só para dar alguns exemplos. Nesta temporada de verão 2017, que teve início no princípio do julho, a série sensação será Made in Abyss.

Produzida pelo estúdio Kinema Citrus, a série anime adapta a manga homónima escrita por Akihito Tsukushi. A história decorre num mundo de fantasia. Tudo acontece na cidade de Ousu, onde vive a protagonista, Riko. Junto a esta cidade, existe uma grande e profunda cratera, conhecida como Abismo. Ninguém sabe o quão profunda é, e há vários mistérios que ainda estão por encontrar. Mas isso não impede os humanos mais aventureiros de tentar descobrir. Quem arrisca a descer neste Abismo, é conhecido como Cave Raider. Riko sonha ser uma cave raider, tal como a sua mãe foi.

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Tendo como base apenas esta breve sinopse, ninguém diria que Made in Abyss tem o potencial para ser a série da temporada. Seria só mais uma série de fantasia e aventura. Acontece que esta suposição é totalmente alterada depois de vermos o primeiro episódio, The City of the Great Pit. Uma das primeiras características que salta à vista assim que o episódio começa é a animação e toda a componente artística da série. Os cenários são deslumbrantes e cheios de vida.

Possivelmente muitos de vós encontraram algumas semelhanças entre o estilo de Made in Abyss e outros filmes do aclamado estúdio japonês Studio Ghibli. Não é por acaso. Osamu Masuyama é o diretor artístico desta série anime e já colaborou em vários filmes do estúdio japonês, como A Viagem de ChihiroO Reino dos GatosPonyo à beira-mar O Castelo Andante, entre outros. Mas não só! Masuyama também esteve recentemente envolvido no popular filme de Makoto Shinkai, Kimi no Na wa.  Portanto, não nos surpreende que toda a animação e o design dos personagens seja tão apelativo e tão bonito. Porém, não se deixem enganar por este lado mais belo e inocente da série.

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O primeiro episódio de qualquer série tem vários objetivos para atingir. Primeiro, deve captar a atenção do espectador. Deve deixá-lo interessado e com vontade de saber mais sobre a história, sobre o mundo em que se insere, e sobre os personagens que protagonizam a narrativa. Para que isto aconteça, a série tem de introduzir e apresentar apropriadamente a sua premissa. Made in Abyss cumpre com todos estes requisitos na perfeição. Dá-nos a conhecer de imediato os protagonistas, fazendo uma boa caracterização de cada um deles, revelando as suas diversas personalidades e ambições.

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Enquanto conhecemos as figuras da história, também descobrimos o mundo onde eles vivem. Esta descoberta é feita de uma forma subtil mas eficaz. Maioritariamente através de alguma exposição visual. Mas também de alguns diálogos dos personagens. Felizmente, a série não bombardeia o espectador com informações. Dá-nos a informação suficiente para termos uma ideia de como este mundo funciona, ao mesmo tempo que estabelece o ambiente em que está inserida. Tudo de uma forma equilibrada. E deixando sempre no ar a sensação de há algo mais a ser desvendado.

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E aqui entramos na surpresa da série anime. Como se costuma dizer, “nem tudo o que parece, é”. Made in Abyss pode parecer uma série infantil. Mas desde o início que temos indícios de que há algo mais sério a acontecer neste mundo. Para além da constante sensação de perigo eminente, a série também dá pistas bastante claras sobre o quão misteriosa e obscura é a história. Uma criança quase morreu nos primeiros cinco minutos do episódio. Riko, a protagonista, encontra um cadáver enquanto procura relíquias e age normalmente, depois de um pequeno susto. Na cidade de Ousu, existe um orfanato repleto de crianças cujos pais desapareceram no Abismo. Embora nunca tenham sido encontrados corpos, eles estão considerados mortos. Riko é uma destas crianças, e vive numa antiga sala de tortura! E por fim, como se toda esta informação não fosse suficiente para nos fazer arregalar os olhos, as crianças do orfanato são penduradas nuas como castigo! Será que ainda consideram Made in Abyss uma série inocente e ingénua?

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A melhor maneira de olhar para esta série, é como se estivéssemos perante um conto de fadas. Para quem conhece os verdadeiros contos de fadas (e não as versões que a Disney contou), sabe perfeitamente que todas essas histórias de encantar têm o lado de fantasia e maravilha, mas também o seu lado mais sombrio e até perturbador. Made in Abyss seguirá provavelmente esta fórmula. À primeira vista parece ser uma simples história de aventura e descoberta, mas à medida que avançar na narrativa e fizer mais revelações, irá tornar-se mais sinistra e desconcertante.

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Trailer | Made in Abyss

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Name: Made in Abyss

Description: Um enorme sistema de poços e cavernas chamado “Abyss” é o único lugar no mundo que ainda não foi explorado. Criaturas estranhas e maravilhosas residem nas suas profundezas, e está cheia de preciosas relíquias que os humanos não conseguem fazer. Os mistérios do Abyss fascinam os seres humanos, e eles decidem explorá-lo. As pessoas que se aventuram no poço são conhecidas como “Cave Raiders”. Uma pequena órfã chamada Riko vive na cidade de Ousu à beira do Abyss. O seu sonho é tornar-se num Cave Raider como a sua mãe, e resolver os mistérios do sistema de cavernas. Um dia, Riko começa a explorar as cavernas e descobre um robô que se assemelha a um menino humano. (Fonte: Anime News Network)

  • Filipa Machado - 80
80

CONCLUSÃO

O MELHOR: Excelente animação e banda sonora. História promissora e enigmática.

O PIOR: Ainda não estar a receber a devida atenção pela parte dos fãs de anime.

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Filipa Machado

Licenciada em Estudos Artísticos e uma grande apaixonada (e viciada) por Literatura, Televisão, Cinema e, em especial, por Animação Japonesa.

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