Mulher-Maravilha, em análise

A DC redimiu-se. A estreia a solo de Mulher-Maravilha confirma o impressionante carisma de Gal Gadot e oferece uma nova luz a um universo negro e pesado. A heroína, que já roubara todas as atenções em Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça, cativa como símbolo de justiça e coragem, sem nunca perder o seu lado feminino. Puro. Divinal.

Quando em 2013 Gal Gadot foi anunciada como Mulher-Maravilha, a escolha esteve longe de reunir consenso entre os fãs. A esta distância, agora é fácil olhar para o passado da atriz e lê-lo como uma possível receita para esculpir Diana Prince. Modelo e Miss Israel, estudante de Direito e 2 anos recruta no exército israelita. Ninguém duvida, Gal Gadot é a Mulher-Maravilha.

Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça desiludiu. Esquadrão Suicida também. Falhanços que só serviram para acentuar o peso nos ombros da princesa das Amazonas. Mas podem relaxar: Mulher-Maravilha, o mais recente fenómeno de box office, é o primeiro grande filme da DC desde a conclusão da trilogia O Cavaleiro das Trevas.

A nostalgia de uma memória, acordada por uma fotografia, serve de viagem no tempo rumo às origens de Diana (Gal Gadot). A serena e segura ilha de Themyscira é o lar da princesa esculpida em barro pelos deuses. Altamente protegida pela mãe (Connie Nielsen), treinada em segredo pela tia (Robin Wright). Mas o oásis é destabilizado pelo inciting incident da narrativa – um piloto despenha-se no mar à mercê de ser salvo pela protagonista. Steve Trevor (Chris Pine), um espião dos Aliados infiltrado no exército alemão. Steve Trevor, um “homem acima da média” caído do céu. Morre a paz na redoma. Nasce, ou sai reforçado, o sentido de missão de Diana. Certa de que tem um papel a desempenhar na I Guerra Mundial, acompanhando por isso Steve.

Chris Pine Gal Gadot

Se por exemplo Logan, da Marvel, bebeu muito da composição tradicional de um westernMulher-Maravilha é acima de tudo um filme de guerra. No entanto, um dos méritos do guião passa pela capacidade de aligeirar os dois primeiros atos. Os vários gags entre as personagens de Gal Gadot e Chris Pine trabalham a química da dupla, sempre com o lado naive de Diana a vir ao de cima, numa sociedade na qual é incapaz de passar despercebida.

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Numa época em que se luta pela igualdade salarial entre géneros em Hollywood, Mulher-Maravilha não é um filme oportunista. É sim oportuno, pertinente. Gal Gadot dá vida a uma personagem inspiradora, e não menos relevante é o trabalho da realizadora Patty Jenkins. Naquela que é apenas a sua 2.ª longa-metragem, Jenkins combateu o preconceito. E conseguiu certamente desbravar caminho para que os grandes estúdios confiem mais projetos a realizadoras.

Já a Rupert Gregson-Williams deve ser dado o crédito de ter conseguido criar um dos temas mais emblemáticos no atual panorama cinematográfico de super-heróis. Introduzido em Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça, o tema da Mulher-Maravilha é fácil de reconhecer e contagiante. Algo raro nas bandas sonoras originais da DC e Marvel. Nota ainda para Chris Pine (a manter a forma depois do excelente Hell or High Water) e para David Thewlis, uma das principais caras da presente temporada de Fargo.

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Como contras, Mulher-Maravilha é mais extenso do que aquilo que a narrativa pede, embora nunca deixe propriamente de ter ritmo. Mais, o excesso de efeitos CGI no último ato e os seus antagonistas (pouco marcantes, algo consequente do reduzido tempo de ecrã).

No seu âmago, o novo filme da DC tem a alma guerreira da protagonista. É a origin story que a Mulher-Maravilha merecia, e segue alguns parâmetros ou mecanismos recorrentes em filmes de guerra. É fácil criar empatia com Gadot e Pine, em parelha e isolados; e deve ser vincada a preocupação em oferecer ao espectador uma heroína ativa. São as decisões e convicções de Diana que fazem avançar verdadeiramente a ação.

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mulher-maravilha

Mulher-Maravilha transmite uma mensagem positiva e é sinónimo de esperança. Diana Prince luta lado a lado com soldados, incluindo algumas sequências de combate a roçar o épico, e é ela quem dá o primeiro passo nas trincheiras. Fá-lo por saber o caminho certo, e porque todo o filme é o abraçar da sua natureza. Um processo de autodescoberta.

Não escolhe um lado, porque o objetivo não é ganhar a guerra. É pará-la, para que não se percam mais vidas.

TRAILER | CONHECE A ORIGEM DA MULHER-MARAVILHA

Mulher-Maravilha estreou em Portugal no passado dia 1 de Junho. Já foste ver?

Mulher-Maravilha, em análise
mulher maravilha poster

Movie title: Mulher-Maravilha

Director(s): Patty Jenkins

Actor(s): Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, David Thewlis, Connie Nielsen

Genre: Ação, Aventura, Fantasia

  • Miguel Pontares - 76
  • Ângela Costa - 85
  • Rui Ribeiro - 90
  • Cláudio Alves - 83
  • Daniel Rodrigues - 65
  • Filipa Machado - 80
  • José Vieira Mendes - 60
77

CONCLUSÃO

Mulher-Maravilha é uma lufada de ar fresco. Afasta-se do tom dos últimos filmes da DC e vive num equilíbrio entre força e sensibilidade, graças a um Símbolo de fé na humanidade que nunca perde o seu lado feminino.

O MELHOR: O carisma de Gal Gadot, a química entre a protagonista e Chris Pine, e a mensagem transversal de igualdade.

O PIOR: Mais longo do que era preciso, e a cascata de efeitos CGI no último ato.

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Miguel Pontares

Licenciado em Comunicação Empresarial, estudou ainda Escrita de Argumento para Cinema e Televisão. É um dos autores do blog Barba Por Fazer.

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