Dark Matter | Primeiras Impressões

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Joseph Mallozzi e Paul Mullie são os criadores de “Dark Matter“, a nova série de aventuras espaciais baseada na banda desenhada do mesmo nome. A primeira temporada estreou no passado dia 15 de Junho em Portugal no SyFyHD.

Há algum tempo que o género espacial não é bem-visto aos olhos do público geral. A conotação negativa de se gostar de aventuras com aliens, naves espaciais e armas de laser tem sido propagada em todo o tipo de plataformas de entretenimento. É seguro afirmar que conquistar uma audiência regular para “Dark Matter” é um grande desafio.

Já vai longe a altura em que Star Trek, mais do que retratar ficção cientifica, personificava a índole humana. As personagens, na altura carregadas de expressão e muito diferentes, mesclavam bem numa química interessante – dando assim a oportunidade a que um formato episódico fosse de maior e melhor digestão. Infelizmente a nossa sociedade vendeu-se à comercialização, e estrondo e mais estrondo ainda, serve para facilmente confundir o significado do termo ‘qualidade’.

“Dark Matter” é uma história sobre seis pessoas que acordam perdidos numa nave espacial sem qualquer memória sobre as suas origens, identidades e destino. Uma aventura intrigante, com um elenco esforçado e com vontade para preencher as personagens básicas em que a série se assenta. Melissa O’Neil deu uma grande volta na sua vida desde a altura em que participava nos Ídolos canadianos, transformando-se não só numa boa cantora, mas sim numa presença forte em palcos do país irmão dos EUA. Como TWO, a actriz tem de mostrar características de líder e guia deste grupo de perdidos e fá-lo, num misto de sedução e ingenuidade, apenas complementado com as cenas de acção em que a mesma nunca fica atrás dos seus companheiros masculinos. É assim, um dos destaques e pontos positivos da série (ao contrário do restante cast).

dark matter elenco

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De muitas formas Dark Matter mostra potencial, mas falha em concretizar bem o seu objectivo no longo-prazo. O episódio piloto, em vez de avançar a trama da descoberta de identidades, resolve não estender este mistério nos seus momentos finais, preferindo assim explorar os temas de “aceitação” de identidade.

A premissa é intrigante num ponto de vista psicológico, e num formato de comic, esta série poderia ter mais sucesso crítico. Como mais uma produção Syfy, o acompanhamento a nível de cenários e de personagens secundárias deixa a desejar. Isso não significa que esta série não possa ser viciante, porque é-o de facto, especialmente porque o argumento não contém muitas cenas paradas, nem aposta numa cinematografia mais conseguida e simbólica – mas quando ao final de sete episódios, a maior conquista/objectivo deste grupo é ter aberto uma porta, algo tem de mudar.

dark matter four

Recomendamos então que, se gostam desta série, tomem em atenção aos pequenos mistérios e aventuras ligadas a cada um dos membros dos Raza. A arca da existência de dois ONE, a vida na realeza do FOUR, o completo desconhecimento sobre THREE, e ainda com o revolucionário SIX é notório que Mallozi e Mullie querem dar a maior originalidade possível a este grupo cliché. Para tal, é necessário que o grupo encontre o seu objectivo para o final desta primeira temporada para que dessa forma, os espectadores encontrem eles também uma razão a longo prazo para querer ver esta equipa a manter-se activa em mais do que uma temporada.

NOTA FINAL
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Marcos Mendes

Um membro representante da cultura geek, criativo e apaixonado pela sétima arte. Sigam-me no Facebook para mais comentários e opiniões sobre o mundo do cinema e televisão.

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