Do Livro à Tela – Criaturas Maravilhosas

 

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Criaturas maravilhosas

“O Senhor dos Anéis”, “Harry Potter”, “Crepúsculo”… e agora, uma nova saga, “Criaturas Maravilhosas”. O livro teve bastante sucesso numa altura em que a fantasia domina as bilheteiras de cinema com grandes sagas e muitos filmes de super-heróis, mas também quando séries como “A Guerra dos Tronos” e “The Walking Dead” mostram que também a televisão está a ser invadidas, novamente, pela fantasia e FC.

Fazer uma adaptação de um livro de fantasia raramente é fácil e esta saga não foge à regra. A possibilidade de muito se perder está sempre presente, e em muitos casos o filme deixa-se levar em efeitos especiais e estende cenas de romance que pouco dão ao enredo. Sendo assim, é esta uma adaptação (primeiro livro dos 4 livros que compõem a saga) fiel ou não?

A verdade é que não era fácil. O livro é bastante grande, envolve vários temas, e colocar tudo em duas horas de filme não era uma tarefa possível sem tirar isto ou aquilo e alterar qualquer coisa. Sendo assim, fica aqui uma lista de algumas diferenças:

 

 

  • A primeira diferença está na personagem Ethan, que se apresenta no livro como um rapaz que gosta de evoluir, de aprender, mas que não tem as aspirações que apresenta no filme. Aquela vontade de sair de casa, crescer e conhecer o mundo, não está tão vincada no livro, e já iremos saber o porquê da diferença.

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  • Ao olhar para estes atores, torna-se fácil esquecermo-nos que Lena tem apenas 16 anos.
  • Obviamente, muitas personagens não aparecem no filme, perdendo-se algum do universo mágico presente no livro.
  • No filme a personagem Emma é uma fusão de duas presentes no livro: Emma e Marian. No entanto, esta diferença não altera o enredo, dando apenas mais importância à personagem.
  • No filme, Genevieve ressuscita o seu amado e converte-se às Trevas, destruindo depois tudo à sua volta. No livro tal não acontece apesar da maldição se manter. O seu amado ressuscita mas morre pouco depois. Esta diferença, que pouco muda no filme, muda bastante se olharmos para o universo da saga, pois parece que é preciso mais do que um feitiço proibido para ressuscitar alguém.
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  • No filme o pai de Ethan é mencionado uma vez e mais nada, sendo no livro uma presença muito mais forte, pois influencia bastante Ethan, dando qualidade e coerência ao livro. A personagem Ethan perde profundidade com esta alteração.
  • No filme Ethan perde a memória em relação a Lena. No livro tal não acontece, e aqui começam muitas das diferenças no final.
  • Em todo o livro Ethan e Lena têm bastantes conversas telepaticamente, ajudando ao desenvolver do romance. No filme tal não acontece, destruindo um pouco certos momentos do enredo. É uma falha importante na narrativa, mas não no desenvolver do enredo.
  • Macon Ravenwood é muito mais aprofundado no livro, e diria mesmo que o seu aspeto mais interessante não está presente no filme. Apesar desta falta de conhecimento que temos sobre Macon não alterar o enredo, perde-se muito, pois no livro é a personagem mais interessante e, de longe, a mais bem construída.

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  • Um momento muito importante é a revelação de Serafine – o momento em que sabemos que está a ocupar um corpo e vemos uma conversa interessante entre ela e Macon – a meio do filme. No livro tal apenas acontece no fim, tornando tudo muito mais interessante. Esta é uma alteração, que apesar de dar mais importância a uma personagem/atriz, não deveria existir.
  • Existe uma diferença muito grande em relação a como Emma pode quebrar a sua maldição. Esta é uma das grandes diferenças na adaptação e que muda todo o final (não o iremos revelar).
  • A “mázinha” prima Ridley tem um papel diferente no filme, sendo responsável por acontecimentos importantes no final. No livro Ridley tem importância, mas noutros momentos, não ficando ligada a certas situações.
  • No filme, muitas das regras presentes nos livros de magia não são mostradas, e uma delas irá influenciar bastante o final, que é muito melhor no livro. Lena terá de escolher, algo que não acontece no filme, e não será uma decisão fácil. Não iremos revelar, pois esta diferença torna o livro melhor do que o filme, e deve ser lido. Este ponto levanta alguns temas mais sensíveis e questões filosóficas que não existem no filme.
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Existem mais diferenças, mas todas elas sem grande importância para o enredo. A verdade é que este universo presente no livro perde qualidade na adaptação, sem algumas personagens, sem muitas explicações, mas tudo isto é normal quando se coloca um livro muito grande num filme de duas horas. Mas mais do que o universo onde se desenrola, as duas grandes diferenças são a narrativa e o final. O facto de Ethan e Lena não comunicarem telepaticamente retira alguma “química”, abrindo espaço a momentos mais românticos com efeitos especiais. Mas é no final que o livro é melhor do que o filme.

A maldição é muito diferente e a forma como se desenrola o momento em que Lena se tornará “boa” ou “má”, poucas ligações tem com o que vemos no filme. E por isso, resumindo, o livro é melhor, sem dúvida. Ethan e Macon estão melhor explorados, a intriga é revelada muito mais tarde e o final, para além de mais lógico e coerente, é também mais sentimental, e prepara-nos para o próximo livro… algo que o filme não faz.

Como tal, o filme é interessante e os fãs do género irão gostar, mas o livro é superior, e se gostaram do filme, então o livro é uma boa aposta que vos dará algumas surpresas.

LP

 

 

Luis Pinto

Software developer - Autor do canal Tek Test - Apaixonado por jogos desde o tempo do Spectrum!

One thought on “Do Livro à Tela – Criaturas Maravilhosas

  • Exatamente o que eu achei, e o livro está sem dúvida alguma melhor, é excelente

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