Primetime Emmys | © Alan Light

Emmys 2019 | Novas regras, novas confusões

Na véspera da divulgação dos nomeados para os Emmys de 2019, refletimos sobre novas regras que podem vir a fazer desta Awards Season televisiva uma das mais imprevisíveis dos últimos anos.

Ao contrário dos Óscares ou dos Tonys, os Emmys são um prémio que inclui centenas de categorias diferentes e cujas regras estão em constante mutação. Tal é a quantidade de prémios que a cerimónia se tem de dividir em três noites. Primeiro, os prémios mais técnicos e de atores convidados são entregues nas cerimónias dos Creative Arts Emmys. Uma semana depois, volta a realizar-se uma cerimónia em Los Angeles, desta vez para entregar as categorias mais famosas, incluindo Melhor Série de Drama e Comédia, os prémios principais de atuação, realização e muito mais.

Como já mencionámos, os regulamentos de elegibilidade dos Emmys têm vindo a alterar-se muito nos últimos anos e 2019 não é diferente, trazendo consigo novas normas. Veja-se, por exemplo, como depois de anos cheios de episódios individuais de “Sherlock” e “Black Mirror” a serem considerados filmes televisivos, a Academia de TV tenta agora evitar que estas séries limitadas finjam ser telefilmes. A partir de agora, para uma produção competir como telefilme, tem de ter, pelo menos 75 minutos e uma narrativa fechada, que não se prolongue por outros episódios.

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Black Mirror: Bandersnatch | © Netflix

Isto ainda permitiu que “Black Mirror” e “The Romanoffs” candidatassem episódios individuais como telefilmes, sendo que “Bandersnatch” foi a escolha da série de ficção-científica. No entanto, para grande transtorno dos seus criadores, o novo “The Twilight Zone” não vai poder competir nem como telefilme, nem como minissérie, nem como drama. A série antológica pode competir com seus atores e outros aspetos individuais dentro das categorias de telefilmes e minisséries, mas não em nenhuma das categorias principais, equivalentes, por exemplo, ao Óscar de Melhor Filme. Isto ocorre, pois cada episódio é uma história fechada, logo não pode ser minissérie, e nenhum deles chega a ter 75 minutos, por isso não pode competir como telefilme.

Em contraste, “American Horror Story”, que tem vindo a dominar as categorias de minissérie com suas fabulosas atrizes, vai agora ter de competir como uma série dramática normal. A temporada a competir, “Apocalypse”, volta a repetir personagens de “Murder House”, “Coven” e outros, pelo que a Academia considerou que não era uma narrativa limitada, mas sim a continuação de uma série normal. Resta saber se a série de Ryan Murphy consegue dominar tanto as categorias dramáticas normais da mesma forma que dominou entre as minisséries. Considerando a competição renhida de outras produções como “Game of Thrones” e “Pose”, temos as nossas dúvidas.

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De facto, todas as regras novas dos Emmys só estão a gerar confusão e fragmentar séries entre várias categorias para tipos diferentes de séries. Atores de séries consideradas programas de variedade vão ter de competir contra os atores de séries de comédia normais, por exemplo, enquanto os argumentistas do mesmo programa poderão competir contra sketch shows e espetáculos de variedade.

Para dificultar ainda mais a situação, a Academia decidiu dividir a categoria de série de variedade ou emissão especial em dois prémios, um para gravações ao vivo e outro para pré-gravações normais. Curiosamente, apesar de “Rent Live” ter causado muita polémica por ter sido uma pré-gravação do ensaio geral e não uma performance ao vivo, devido à lesão de um dos atores, essa emissão televisiva vai competir contra outras produções live.

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The Handmaid’s Tale | © MGM Television

Com esta loucura, prever as decisões da Academia de TV torna-se cada vez mais difícil. Não é por acaso que praticamente ninguém, nem mesmo os peritos, tenta prever muito mais que as categorias apresentadas na cerimónia final dos Emmys. Fazer previsões para todas requer a paciência de um santo, os poderes de um vidente e muito, muito estudo do livro de regras dos Emmys. Veja-se, por exemplo, como a segunda temporada de “The Handmaid’s Tale” foi uma das séries premiadas o ano passado, mas os três episódios finais dessa série estão nomeados para alguns prémios este ano. É de doidos.

O que pensas das novas regras dos Emmys? Pensas que esta loucura vai resultar em decisões estranhas ou prémios previsíveis e aborrecidos?

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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