Esquadrão Suicida | O vestuário sobrenatural de Enchantress

A mais poderosa vilã em Esquadrão Suicida é Enchantress e o guarda-roupa que enverga é um dos que mais difere das suas origens na banda-desenhada.

 

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Quando falamos do guarda-roupa de Cara Delevingne em Esquadrão Suicida estamos efetivamente a falar dos figurinos para duas personagens diferentes. Primeiro, temos June Moone, uma inocente arqueóloga que, durante uma das suas expedições, é acidentalmente possuída pelo poderoso espírito de Enchantress, uma deusa ou feiticeira da antiguidade.

esquadrão suicida

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Se formos sinceros, o guarda-roupa de Moone é bastante desinteressante e banal. Mas essa falta de interesse visual é necessário para que se registe o choque da sua transição sobrenatural que ocorre, pela primeira vez, numa das melhores cenas do filme. Moone sussurra o nome do seu alter-ego sobrenatural e, de repente, um par de mãos cobertas de cinzas e sujidade entrelaçam-se com as da jovem e parecem virar-se, substituindo a mortal com a presença superpoderosa.

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De todos os figurinos do filme, este foi o que mais polémica causou nas redes sociais aquando da sua divulgação, tendo sido fortemente acusado de sexismo. Enquanto a sensualidade descarada de Harley Quinn é facilmente justificada pela fidelidade aos comics, nada nos livros de banda-desenhada consegue justificar o facto de Cara Delevingne estar apenas coberta com uns pequenos pedaços de metal (onde está a blusa verde do seu design original, ou as calças super justas de encarnações mais recentes?) Parece quase uma paródia de mau gosto baseada no infame biquíni metálico da princesa Leia, mas aqui não há nenhuma subversão da escrava sexualizada a se virar contra os mestres patriarcais.

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Aqui, as correntes que lhe decoram os braços demonstram a sua prisão ao coração que está sob o controlo de Amanda Waller, Mas quando Enchantress se livra de tal submissão fica ainda mais despida, com a maioria dos pormenores de metal a sumirem, assim como os seus longos cabelos, a sujidade cadavérica e as pinturas primitivas de aspeto meio tribal.

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Apesar disso, é difícil para um cinéfilo detestar o figurino de Enchantress com todo o seu poder restaurado, Isto acontece porque o seu look final parece uma clara referência à Maria mecânica de Metrópolis, uma das maiores obras-primas de Fritz Lang. Até o motivo dos olhos que se abrem no seu toucado metálico remete para a célebre dança da mulher-máquina desse filme mudo. Uma deusa do cinema a ser copiada por uma deusa da banda-desenhada – é estranhamente apropriado.

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No meio disto tudo há ainda que destacar um pormenor de divertido interesse. Como estamos a ver, todas as personagens têm alguma mensagem nos seus figurinos, normalmente um símbolo ou frase de marca. Neste caso, não temos tatuagens ou escritura bíblica, mas sim a lua metálica que decora a testa da deusa. Uma lua para June Moon(e) – quem é que não adora um jogo de palavras? – Não respondam.

 

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De uma das personagens mais discutidas pelos fãs nas redes sociais, passamos a uma das que recebeu, até agora, menos atenção – Diablo! Segue para a próxima página se quiseres saber mais.


 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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