Figura de Estilo: The Hunger Games: A Revolta – Parte 1

 

Foi como sair do armário de Liberace e entrar na América fabril dos anos 40. Bem-vindos aos jogos cuja única fome, agora, é de Moda.

Fomos enganados pelo Presidente Snow e pelo pedaço de propaganda que é a Capitol Couture: mostraram-nos Peeta Mellark na perfeição dos fatos Maison Martin Margiela e Johanna Mason em Alon Livne com sapatos Alexander Wang, qual brancura imaculada capaz de preencher a luxúria visual que se espera da saga.

Em vez disso, o estilo teve o mesmo fim do Distrito 12. Que seja. Substitui-se Summerville (que deixou os talentos “Em Parte Incerta”) por Kurt e Bart, a dupla que não tem só no currículo “O Clube de Dallas”, “Stoker” ou “It’s Kind of a Funny Story”, mas também “Never Say Never” (sim, o documentário sobre Justin Bieber) e obras como “Slave 4U”, “Toxic” e “Me Against the Music”, de Britney Spears. Para quem gosta de cultura pop, está tudo dito. Para quem tem hipster escrito na testa, passamos a explicar: nunca, nunca ninguém vai esquecer o jumpsuit transparente, incrustado de cristais, que deu muita Britney a conhecer ao mundo.

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Os feitos de Kurt & Bart voltam, assim, a esculpir os ideais de mentes adolescentes (desta feita, sem Madonna nem suspensórios) com mais subtileza, austeridade, rigor e cinza. E um Mimo-Gaio, cortesia de Cinna e símbolo de que a Moda conseguiu, mais uma vez, ser o símbolo do poder opressivo – se, por cá, há casacos que custam os olhos da cara, por lá há armaduras que custam a vida. Deixemos de nos queixar. Uma obra que não chega a ser Alta-Costura, porque tem de ser funcional, mas está perto da genialidade. Com referências a Joana d’Arc e à coleção guerreira do Metropolian Museum of Art, o negro (menos super-heroína, mais mulher-soldado) que cobre Katniss Everdeen pode muito bem ser o melhor momento de guarda-roupa da película (sem contar com Effie, mas já lá vamos). Quanto ao resto? Foi uma questão de ser prático: que recursos tem uma sociedade enterrada debaixo de escombros? Que peça única é capaz de unir, pela humildade, uma civilização? Jumpsuits. Macacões, se preferirem, inspirados numa corrente algures entre o futurismo e o socialismo, sem personalidade mas com comunidade. Sem cor, mas com resistência. Sem piada nenhuma, mas com um certo allure normcore.

Por fim, Trinket. A presa do seu próprio bom gosto. A mulher capaz de torcer sweatshirts em turbantes, capaz de usar camisolas oversized como se de vestidos se tratassem, capaz de ignorar as regras e arriscar punição mas, ainda assim, não sair do cubículo sem acessórios. Abençoada seja. Tal como Bogart e Bergman terão sempre Paris, o estilo terá sempre Effie Trinket.

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