Anna Karina

Filmes a não perder na Cinemateca Portuguesa em maio (Parte I)

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Eis a nossa recomendação, dos grandes filmes que serão exibidos na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, no quinto mês de 2019. 

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Durante todo o mês de abril, a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema dedica um especial à retrospetiva de Anna Karina, no âmbito do IndieLisboa, o festival de cinema dedicado aos filmes do certame independente. Nesta que é a 16ª edição do festival de cinema, a atriz dinamarquesa Anna Karina é eleita como Heroína Independente 2019 pelo IndieLisboa. Relembremos que Anna Karina ficou sobretudo conhecida nos filmes de Jean-Luc Godard, com quem foi casada entre 1961 e 1967. Mesmo assim, a Cinemateca Portuguesa abre as portas a filmes de outros cineastas em que Anna Karina participou e também foi a estrela.

 Relevando a filmografia de Anna Karina no contexto da Nouvelle Vague francesa e para lá dela, esta ambiciosa retrospetiva da Cinemateca e do IndieLisboa sublinha a intensidade variada do seu trabalho: a totalidade dos seus filmes com Godard, os filmes com Valerio Zurlini, Jacques Rivette, Luchino Visconti, George Cukor, Volker Schlöndorff, Rainer Werner Fassbinder.

Na Cinemateca Portuguesa há também destaque para para a secção do festival  “Director’s Cut”, numa reflexão com a História do cinema, e a memória nela decorridas. Neste domínio destaque para filmes como “Ladrão de Alcova” (Ernst Lubitsch, 1932), “Vidas Inquietas” (Otto Preminger, 1953) ou “O Estrangeiro” (Luchino Visconti, 1967).

Anna Karina estará na Cinemateca Portuguesa em Maio

Cinemateca Portuguesa
Anna Karina

Para além de Anna Karina na Cinemateca Portuguesa, em maio há também espaço para o fim do ciclo “Povos em Movimento – Migração, Exílio, Diáspora”. O tema deste mês é a emigração portuguesa, com destaque para o movimento de migração para França nos anos 60 e 70 do século XX. Segundo a Cinemateca Portuguesa,

A escolha deve-se ao facto de, dentro desse tema mais geral, este ter sido de longe o fenómeno histórico que, pelo seu dramatismo único, se tornou objeto de maior investimento cinematográfico.

Os filmes escolhidos para os ciclos da Cinemateca do mês de maio refletem uma programação bastante interessante e diversa! Conhece tudo a seguir! 




“Ladrão de Alcova”, F.R. 02-05-19h

Cinemateca Portuguesa
Ladrão de Alcova

TROUBLE IN PARADISE, que de certo modo emparelha com DESIGN FOR LIVING, é uma das obras mais perfeitas de Ernst Lubitsch, levando a extremos os temas centrais do seu cinema, o sexo e o dinheiro. Uma comédia sobre enganos e mistificações, sobre ladrões de luva branca e joias preciosas, ladrões de e na alcova, para quem o roubo é um estimulante erótico, o prolongamento natural do amor. Um duelo de virtuosismos na tela e atrás da câmara, com diálogos atrevidíssimos, que se tornariam impossíveis com a promulgação do famigerado Código Hays. A apresentar em rima com INTRODUZIONE ALL’OSCURO de Gastón Solnicki, em homenagem a Hans Hurch. No início da sessão, apresenta-se um excerto do registo da apresentação de TROUBLE IN PARADISE por Hans Hurch na Cinemateca em 22 de março de 2017, no contexto do programa “Histórias do Cinema: Hans Hurch/Ernst Lubitsch”.




“Anna”, F.R. 03-05-18h30

Cinemateca Portuguesa
Anna Karina

A comédia musical de Pierre Koralnik com Anna Karina, a partir de música e canções de Serge Gainsbourg (orquestrada por Michel Colombier; a banda musical seria editada em disco), foi o primeiro (tele)filme a cores produzido para a estação televisiva ORTF. Rodado em 35 mm nas ruas de Paris, na discoteca Bus Palladium e na gare de l’Est, no castelo Porgès de Rochefort-en-Yvelines e na praia de Deauville, ANNA compõe-se a partir da inspiração musical e coreográfica, mas também pop e gráfica. A história é a da paixão de um agente publicitário pela imagem de uma rapariga fotografada por acaso numa estação. Foi um título importante no percurso de Gainsbourg e de Karina, Sous le soleil exactement. A apresentar em cópia digital, numa primeira exibição na Cinemateca.




“Mary Poppins”, Palácio Foz 04-05-15h

Cinemateca Portuguesa
Mary Poppins

Iniciando-se no cinema nos anos setenta e plenamente reconhecidos (a Cinemateca dedicou-lhes uma retrospetiva no longínquo ano de 2001), Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi (1942-2018) especializaram-se em filmes de montagem, nos quais abordam com frequência a questão da memória, num eco ao trabalho de Jonas Mekas, a quem o par de realizadores diz estar “muito ligado”. Em UOMINI, ANNI, VITA, Gianikian e Ricci Lucchi usam material de arquivo para organizar um diário que aborda muito especificamente a Arménia, terra de origem de Gianikian, com imagens sobre “o primeiro genocídio do século XX” e outras relativas à identidade deste povo antiquíssimo, algumas das quais se centram no êxodo de 1918.




“Vidas Inquietas”, F.R. 04-05-15h30

Cinemateca Portuguesa
Robert Mitchum e Jean Simmons

“O único pesadelo lírico do cinema”, segundo as palavras de Ian Cameron, mostra Jean Simmons como uma jovem da alta burguesia que é um “anjo da morte” e acaba por se destruir a si própria. Sombrio melodrama com conotações psicanalíticas, ANGEL FACE é também uma variação sobre o tema da mulher maléfica, tão presente no cinema americano deste período. Mitchum é o seu amante, um homem que a mulher arrasta para o crime e que é incapaz de dominar a situação. A apresentar em rima com NICE GIRLS DON’T STAY FOR BREAKFAST de Bruce Weber.




“Nice Girls Don’t Stay For Breakfast”, F.R. 04-05-19h

Cinemateca Portuguesa
Robert Mitchum

Retrato filmado de Robert Mitchum por Bruce Weber, o conhecido fotógrafo americano que filmou o ator em finais dos anos noventa, em encontros com amigos, saídas noturnas, a cantar e a gravar canções para um disco que não chegou a acontecer. O material, filmado em 16 e 35 mm, película preto e branco, foi guardado por Weber quando o ator morreu em 1997, e retomado para este filme-tributo a Mitchum que conta com participações de Johnny Depp, John Mitchum, Frances Fisher, Emie Amemiya, Bob Stevens, Benicio del Toro ou Al Ruddy. NICE GIRLS DON’T STAY FOR BREAKFAST evoca o ator extraordinário e as surpreendentes facetas de Robert Mitchum.




“Le Soldatesse”, F.R. 04-05-21h30

Cinemateca Portuguesa
Anna Karina

Com argumento adaptado do romance homónimo de Ugo Pirro, LE SOLDATESSE conta uma história da Segunda Guerra Mundial: o Tenente Martino e os seus homens são encarregues da missão de escoltar, pelas montanhas da Grécia ocupada, um grupo de prostitutas com destino a bordéis frequentados por soldados italianos. Filmada por Zurlini, a viagem da “caravana de mulheres” é uma pungente viagem interior. Todas as características do seu cinema se reencontram aqui e também de LE SOLDATESSE se pode falar como um “filme de câmara”. Anna Karina lidera o elenco feminino, no papel de Elenitza.




 “Band à Part”, F.R. 06-05-15h30

Cinemateca Portuguesa
Band a Part

BANDE À PART (sétima longa-metragem de Godard) foi realizado no período em que o realizador mais questionou e reinventou o cinema. Personagens de cinema num mundo implacavelmente real ou personagens reais num mundo de cinema? Um filme denso e intenso, um dos grandes momentos do cinema moderno. E o filme em que aprendemos como é possível correr pelo museu do Louvre numa incursão relâmpago de nove minutos e quarenta e três segundos. A apresentar em cópia digital.




“Pierre Le Fou”, F.R. 06-05-19h

Cinemateca Portuguesa
Pierre Le Fou

Emblema dos anos sessenta, emblema do cinema moderno, PIERROT LE FOU adquiriu há muito tempo o estatuto de clássico. O mais famoso filme de Godard, de “uma beleza sublime” no dizer de Louis Aragon, continua a entusiasmar as novas gerações que o descobrem. Pierrot e Marianne, deixam subitamente Paris e saem pelas estradas de França, “vivendo perigosamente até ao fim”. Amam-se e matam(-se), mas principalmente recusam a civilização tal como o pequeno-burguês a concebe, vivendo o instante e o dia a dia. A fotografia a cores de Raoul Coutard é um verdadeiro compêndio de muitas tendências estéticas dos anos sessenta. E é aqui que Godard filma Fuller a afirmar que “o cinema é como um campo de batalha. Amor. Ódio. Ação. Violência. Morte. Numa palavra: emoção”. A apresentar em cópia digital.




“Anna Karina, Souviens Toi”, F.R. 06-05-21h30

Cinemateca Portuguesa
Anna Karina

Um retrato de Anna Karina por Dennis Berry, seu cúmplice de longa data, também ator de Éric Rohmer (LA COLLECTIONNEUSE) ou André Téchiné (PAULINE S’EN VA), e seu realizador em CHLOÉ, por exemplo (1996). Numa sala de cinema de cadeiras vermelhas, Karina comenta o seu percurso no cinema e na música, os encontros decisivos com Jean-Luc Godard e Serge Gainsbourg, mas também com Jacques Rivette, Luchino Visconti, George Cukor, Volker Schlöndorff, Rainer Werner Fassbinder, Raoul Ruiz. Primeira exibição na Cinemateca.




“Alphaville”, F.R. 07-05-15h30

Cinemateca Portuguesa
Anna Karina e Eddie Constantine

Homenagem ao filme negro, obra de ficção científica e de ficção política, é como indica o título completo “uma estranha aventura de Lemmy Caution”. O agente secreto Lemmy Caution (protagonista de uma série do cinema francês) vai à cidade de Alphaville, onde todos os sentimentos foram abolidos e onde ninguém é capaz de perceber poesia, tentar convencer um cientista a regressar aos “planetas exteriores”. Esta parábola sobre a sociedade futura foi inteiramente filmada em cenários naturais, em Paris e nos seus arredores. Anna Karina contracena com Eddie Constantine no enredo “de aventura e amor”, “morte e mistério” que as personagens atravessam entre as malhas de uma ditadura tecnocrática.




“Vivre Ensemble”, F.R. 07-05-19h00

Cinemateca Portuguesa
Anna Karina

Escrito, realizado, produzido e interpretado por Anna Karina, VIVRE ENSEMBLE (que esteve para se chamar “Nous Deux”) é a estreia da atriz na realização. Um retrato conjugal dos anos setenta imbuído do espírito do tempo, nos espaços parisiense e nova-iorquino de Saint-Germain-des-Prés e do Quartier Latin, do Harlem e Greenwich Village. Filmado em 16 mm em quatro semanas com um orçamento reduzido e dificuldades inerentes ao facto de ser o projeto de uma mulher (e uma mulher atriz de profissão), é composto em seis “quadros”. Destila um realismo pontuado pela melancolia e o burlesco, em cujo enredo a protagonista feminina vive decididamente a sua vida. François Truffaut saudou-o na altura. Pouco visto nas últimas décadas, foi recentemente redistribuído em versão digital. A apresentar em cópia digital numa primeira exibição na Cinemateca.




“Justine”, F.R. 07-05-21h30

Cinemateca Portuguesa
Anouk Aimée e Dirk Bogarde

Adaptado dos romances O Quarteto de Alexandria de Lawrence Durrell, JUSTINE é considerado uma obra menor de George Cukor, em parte devido às peripécias que rodearam a sua produção. Depois da demissão do anterior realizador do projeto, Joseph Strick, coube a Cukor a missão de “salvar o filme”, correspondendo ao pedido da Fox cinco anos depois do glorioso MY FAIR LADY. Recriando o enredo romanesco e político na Alexandria dos anos trinta, JUSTINE tem alguns momentos notáveis como a sequência do Carnaval. Anouk Aimée é Justine. Anna Karina, que interpreta o papel de Melissa, viu no filme a possibilidade de ser dirigida por Cukor, um dos mestres do cinema clássico americano que admirava. É um filme de raras oportunidades de projeção.




“Encontro com Anna Karina”, F.R. 08-05-19h

Anna Karina

Anna Karina participa numa conversa sobre o seu percurso no cinema, abordando vários momentos da sua obra, os filmes que marcam a sua filmografia de atriz e os realizadores que a dirigiram, mas também a sua própria experiência na realização. Hoje aos 78 anos, Anna Karina vem a Lisboa para ser homenageada pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema.




“A Religiosa”, F.R. 08-05-21h30

Anna Karina

A segunda longa-metragem de Rivette adapta o romance homónimo de Diderot sobre uma jovem que é posta num convento à sua revelia. Antes mesmo de ser realizado, o filme desencadeou uma cabala de políticos conservadores, que fizeram com que fosse proibido, o que gerou um enorme escândalo. Só foi autorizado depois do título ser alterado para SIMONE SIMONIN, LA RELIGIEUSE DE DENIS DIDEROT, embora nunca ninguém se tenha referido assim ao filme. Muito diferente do estilo que Rivette adotaria a partir de L’AMOUR FOU (1969), rigoroso e rarefeito, extremamente “escrito”, LA RELIGIEUSE conta com um desempenho excecional de Anna Karina no papel principal. A apresentar em cópia digital.




“O Estrangeiro” 10-05-21h30

Cinemateca Portuguesa
Anna Karina

Visconti trabalhou a adaptação do romance de Camus (O Estrangeiro, 1942) seduzido pela possibilidade de traçar um fresco político contemporâneo centrado no fim da colonização francesa na Argélia, versão que a viúva de Camus impossibilitou exigindo que o livro fosse escrupulosamente seguido. Visconti manteve-se fiel aos compromissos de produção e filmou LO STRANIERO mas desinteressou-se do projeto, para o que além das pressões de Francine Camus e do produtor Dino De Laurentiis, terá contribuído a desistência do ator com quem queria trabalhar, Alain Delon, que Mastroianni acabou por substituir, contracenando com Anna Karina. Para muitos, LO STRANIERO é um Visconti fracassado. Outros enaltecem a primeira parte, rodada sob o sol da Argélia. Na Cinemateca foi exibido uma única vez, em 1997.

Mais informações sobre a programação podem ser consultadas aqui. Os bilhetes podem ser adquiridos na bilheteira da Cinemateca Portuguesa ou em bol

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