Fontaines D.C. suavizam-se em “Roy’s Tune”

A banda pós-punk de Dublin está prestes a lançar Dogrel e revelam-se melódicos e nostálgicos em “Roy’s Tune”, o seu mais recente single, lançado hoje.

Os Fontaines D.C. lançaram mais um single do seu álbum de estreia, Dogrel, que tem data de lançamento a 12 de Abril, pela Partisan Records/PIAS e já está disponível em pré-encomenda. “Roy’s Tune” revela uma nova dimensão, mais suave e melancólica, da banda, pelo menos no âmbito deste álbum, com os singles até agora lançados (e não são poucos) a deixarem ver apenas a agressividade contundente e mordaz destes rapazes de Dublin.

“Roy’s Tune” foi composto pelo guitarrista Conor Curley que, falando acerca do single, explica-o como um canto dirigido à Irlanda “vindo de um quadro mental de frustração, depressão e perda de inocência.”

Costumava trabalhar na indústria de restauração, num sitiozinho de burritos em Dublin, e ia de noite para casa a pé, porque não podia pagar os transportes públicos. O Grian e eu não tínhamos dinheiro nenhum, por isso dividíamos uma casa de casal num escritório reconvertido em andar. Uma noite, ao ir para casa, estava a passar pelo The George, que é o maior bar gay de Dublin, e um tipo estava a ser expulso pelos seguranças. Não parava de lhes gritar ‘Vou dar cabo de vocês!’ (‘I’m gonna kill you stone dead!’) e essa expressão ficou-me na cabeça.

Este episódio isolado não foi a única inspiração para a canção. A recusa do governo irlandês em investir no país 14 biliões de euros, que lhe tinham sido cedidos pelos EU, para não desagradar à Apple também está na origem da crítica social que enforma o lamento de “Roy’s Tune”: “Preocupam-se mais com uma corporação gigante do que com o povo do nosso país”. A banda quis que este fosse um momento de reflexão no álbum e um enunciado de intenções como compositores, deixando claro “que pretendemos explorar quaisquer emoções ou ideias que vejamos, e não apenas fazer ‘mais um álbum pós-punk’.”

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O novo tema vem acompanhado de um vídeo realizado por Liam Papadachi  e teve a colaboração de Dafhyd Flynn, o ator premiado o ano passado pelo IFTA (Irish Film e Television Academy) pelo seu papel em Michael Inside. Segundo o comunicado de imprensa, trata-se de “um retrato simples e cheio de alma de um dia na vida de uma família jovem, na luta para sobreviver e mostrando como as suas vidas mudaram depois do nascimento de sua filha. É uma ode pungente e gentil à perseverança (ou ao “hanging on”), que combina com o lamento e otimismo esperançoso do single.”

FONTAINES D.C., DOGREL | “ROY’S TUNE”

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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