Hitchcock, análise

 

Hitchcock Título Original: HitchcockRealizador: Sacha Gervasi

Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson

Género: Drama

Big Picture 2 Films | 2012 | 98 min

Classificação: [starreviewmulti id=6 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’]

 

Por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. “Hitchcock” conta-nos a história da relação de Alfred e Alma Hitchcock, numa altura em que o mestre do suspense estava a ser esquecido e decide arriscar tudo num projeto um bocadinho “psycho”.

O coração do filme é o amor de Hitchcock e Alma. Alma sente que ninguém lhe dá o devido valor, incluindo o seu marido, que devido à admiração que o público tem por ele, se esquece da sua importância no seu sucesso. O filme mostra-nos que sem Alma não havia Hitchcock, e ele próprio acaba por se ir apercebendo disso. No filme, vemos que sem Alma, Hitch não é o mesmo e que perde, de certa forma, a sua visão visionária. Mas o que vale é que o amor é uma coisa linda e poderosa que acaba sempre por prevalecer.

Hitchcock-Hopkins-Mirren

Sacha Gervasi dá um toque a Hitchcock que o torna mais humano e não aquele Deus do suspense que é para muitos. Para além da relação do casal Hitchcock, muito bem explorada, e das gravações de “Psycho”, é fantástico ver os bastidores do filme, Gervasi consegue criar as cenas em que Hitch procura conselhos ao pé de Ed Gein, o assassino cuja história inspirou o seu filme, sobre como lidar com a possível traição da sua mulher, na perfeição. É nessas cenas que nos apercebemos que se calhar Hitch não é tão diferente de Ed, sendo ele próprio também um bocado “psycho”. Apesar de tudo isto, a melhor cena do filme é a de Hitchcock a “dirigir” os gritos das pessoas como se fossem uma orquestra, o que mostra que o mestre conhece bem a sua obra.

Também temos que dar crédito à maquilhagem, mas a caracterização de Hitchcock não estaria completa sem Anthony Hopkins, que teve um desempenho exemplar. Não há momentos, não há fases, não há nada que Hopkins não consiga fazer. Quem também esteve muito bem foi a grande Helen Mirren. Apesar de não haver uma grande química entre Mirren e Hopkins, quer dizer, ela existe mas é fraquita, nós acreditamos na relação de Hitch e Alma, até porque o filme faz-nos acreditar que a química entre eles não era óbvia. Infelizmente, houve quem não tivesse a oportunidade de brilhar, como foi o caso de Scarlett Johansson, que apesar de não ter muito espaço de manobra conseguiu os seus momentos. Quem devia ter ficado quietinha era Jessica Biel que simplesmente não resulta.

O segredo dos grandes artistas é a sua fonte de inspiração e muitos só se apercebem dela quando a perdem. Hitchcock percebe que tem de lutar para recuperar a sua neste filme que nos conta a história por detrás de “Psycho”, uma bela palavra para descrever o seu realizador. Hopkins é o elemento chave de todo o filme. Assim me despeço. Boa noite!

Hitchcock-Hopkins

Rodrigo Marques

Blog: http://stufftal.blogspot.pt