Leonor Teles vence em Berlim

A realizadora portuguesa Leonor Teles ganhou o prémio máximo do Festival de Berlim para curtas-metragens pelo seu filme Balada de um Batráquio, tornando-se assim a mais jovem vencedora de sempre deste galardão.

Todos os anos, o Festival Internacional de Berlim inclui uma competição de curtas-metragens de todo o mundo, sendo que esta ilustre categoria do festival se denomina Berlinale Shorts. Este ano, dois jovens autores portugueses viram as suas curtas-metragens selecionadas para competir pelo Urso de Ouro para Melhor Curta-Metragem. Leonor Teles apresentou-se com Balada de um Batráquio e acabou por vencer o prémio máximo desta secção da seleção oficial.

Leonor Teles Berlinale

A obra de Teles, que é de etnia cigana da parte do pai, foca-se na apresentação de comportamentos xenófobos face à comunidade cigana em Portugal, explorando, em simultâneo, as mitologias e tradições dessa mesma comunidade. Nesta curta de onze minutos, a superstição cigana por batráquios e o uso desta mesma superstição por quem quer afugentar estas comunidades é colocado em evidência.

Lê Também:
Mundo Jurássico | Dinossauros à solta na nova curta-metragem

Lê Também: Berlinale 66: Ave, Cinema Português!

Balada de um Batráquio não é a estreia na realização de Leonor Teles, sendo que esta realizadora lusitana já havia ganho importantes prémios, o galardão Take One! Para curtas escolares exibidas no festival Curtas de Vila do Conde, o prémio Património Imaterial da INATEL, e uma menção honrosa para o Prémio Árvore da Vida no IndieLisboa. Todas essas honras passadas foram atribuídas à primeira curta de Teles, Rhoma Acans.

Leonor Teles Berlinale

Por muito prestigiosas que sejam todas essas honras, há que reconhecer a imensa importância deste reconhecimento internacional em Berlim. Com este prémio para melhor curta-metragem, Leonor Teles junta-se a outro jovem cineasta português, João Salaviza que também já havia arrecadado essa honra pelo seu filme Rafa, assim como também ganhou o prémio de Melhor Curta-Metragem em Cannes pela sua obra intitulada Arena. Ambos estes cineastas estudaram na Escola Superior de Teatro e Cinema, sendo que as suas primeiras curtas foram criadas no âmbito dos seus estudos.

Lê Também:
Mundo Jurássico | Dinossauros à solta na nova curta-metragem

Com este tipo de honras e celebração internacional, o cinema português parece estar a tornar-se cada vez mais internacionalmente relevante, pelo menos no panorama dos circuitos dos festivais de cinema.

Visita a nossa secção sobre Festivais de Cinema para leres a cobertura do nosso crítico José Vieira Mendes da presente edição da Berlinale.

 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *