Long Way Home, em análise

“Long Way Home” de André Novais Oliveira foi um dos filmes que estrearam online no Locarno Festival pelo Festival Scope, a história marcante de uma mulher que se muda de um meio grande para uma pequena cidade, sendo obrigada a adaptar-se ao novo estilo de vida rapidamente.

“Temporada”, o título original, segue a história de uma mulher que devido à falta de emprego se muda para uma pequena cidade onde integra um grupo de prevenção ao mosquito da dengue. É um filme calmo, composto por planos longos e geralmente com pouco movimento. As conversas ou as ações têm maior importância, esta história é nos mostrada quase como um documentário.

Quanto se muda, a casa de Juliana (Grace Passô) é simples, somente a mobília indispensável, e vêmo-la usar uma panela e um telemóvel para lhe servir de coluna de música. Se a sua situação na terra natal era pior podemos somente imaginar como seria.

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A pequena cidade é bastante rural, composta por casas simples e muitos obstáculos para Juliana. O grupo social para o qual trabalha procura focos do mosquito da dengue (um dos pontos mais importantes da obra e um aviso especialmente para o espectador brasileiro), um emprego que paga pouco mas indispensável à nova vida da personagem. No tempo livre, ela tem de lidar com a morte da mãe, a perda de um filho, a solidão, e a espera por um marido com o qual já não é feliz. Mas estes são apenas alguns dos problemas que a protagonista terá de enfrentar num período que a mudará enquanto pessoa, permitindo-lhe descobrir-se enquanto mulher.

Long Way Home

Aos poucos a estranha numa nova cidade, torna-se parte daquele ambiente e dos seus habitantes. De uma adversidade nasce uma nova mulher, pronta para uma nova fase da sua vida. No final, um fantasma do passado reaparece mas Juliana está preparada e o foco do filme vira-se, terminando com um peculiar momento de liberdade que Juliana tanto precisava. Fica a curiosidade em saber o que lhe aconteceu, como a sua vida mudou, mas este breve olhar pela sua vida foi uma experiência a repetir.

Esta obra calma e contemplativa é uma reflexão sobre nós mesmos e sobre as adversidades dos que nos rodeiam. “Long Way Home” conquistou não somente a MHD como o público internacional tendo feito a sua estreia no Locarno Festival. O filme pode ser visto até dia 31 de julho no site do Festival Scope.

Long Way Home, em análise
  • Ângela Costa - 80
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CONCLUSÃO

Juliana é uma mulher que se muda para uma cidade pequena e cuja vida irá mudar completamente conforme ela ultrapassa vários desafios desde a falta do marido até aos problemas financeiros.

O Melhor: Simplicidade como uma história relativamente complexa é contada quase como um documentário.
O Pior: Algumas histórias secundárias pouco aprofundadas e demasiado vagas.

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Ângela Costa

Mestre em Cinema pela Universidade da Beira-Interior, sou apaixonada pelo cinema japonês e toda a cultura que o envolve. Adoro igualmente fotografia e se tiveres curiosidade passa no meu Instagram ;) Música e videojogos são dois outros grandes interesses.

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