©Sony Interactive Entertainment

Poucos jogos desta geração acumularam tanta expectativa como o Marvel’s Wolverine. Os videojogos raramente têm séries realmente boas que sejam focadas em super-heróis e acabamos, quase sempre, por voltar a Arkham de Batman ou à série Spider-man. Wolverine é o novo trabalho da Insomniac Games, o estúdio que redefiniu o super-herói em videojogo com os dois Spider-Man (e mais um Miles Morales muito bom pelo meio), agora ao serviço da personagem mais carismática dos X-men e talvez a mais violenta da Marvel. Anunciado em 2021 com um teaser de 30 segundos que não mostrava praticamente nada, passou anos envolto em silêncio (e numa das maiores fugas de informação da história da indústria) até finalmente mostrar as garras. Sai a 15 de setembro de 2026, só na PS5.

Ficha do jogo

  • Estúdio: Insomniac Games · Editora: PlayStation Studios (com a Marvel Games)
  • Género: ação-aventura, um jogador, com forte pendor narrativo (não é mundo aberto)
  • Plataforma: PS5 e PS5 Pro (com PSSR) — sem PS4 e sem PC anunciado no lançamento
  • Lançamento: 15 de setembro de 2026 (embargo das análises a 10 de setembro)
  • Classificação: M (17+), por violência gráfica
  • Instalação: cerca de 79 GB
  • Preço: ~70 € Standard / ~80 € Digital Deluxe (upgrade de 10 €)
  • Voz de Logan: Liam McIntyre · Banda sonora: David Fleming (vencedor de Emmy)

A premissa e o elenco

A história arranca com o Logan afastado da Team X há três anos, quando Bolivar Trask começa a raptar mutantes ao serviço de uma agenda de supremacia humana. Cabe a Wolverine cortar caminho por esse mistério — e pelo seu próprio passado —, com a Jean Grey a assumir um papel importante na narrativa. O elenco de vilões é dos mais bem escolhidos que a Marvel podia oferecer: o Mister Sinister, o Omega Red e a Lady Deathstrike (confirmada, e não a Psylocke como muitos julgaram), além dos Reavers, os mercenários às ordens de Trask. E há nomes como o Sabretooth e a Mystique que surgem mais como ligações ao passado de Logan do que como ameaças diretas — uma escolha narrativa interessante e que faz sentido.

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O jogo leva-nos por três grandes cenários — Canadá, Japão e Madripoor —, mas convém sublinhar, porque gerou muita confusão: não é um mundo aberto. A Insomniac confirmou-o diretamente. A estrutura é dirigida, mais próxima de capítulos distintos do que de um sandbox à Spider-Man. Quem esperava outra “cidade-parque” para explorar em teias vai ter de reajustar as expectativas porque a abordagem é realmente diferente em vários aspetos e este é um deles.

O combate, intenso, violento mas com pouco desafio

Se há um ponto em que é fácil concordar, é que a Insomniac acertou no essencial: fazer-te sentir como o Wolverine. O combate é rápido, fluido e absurdamente violento — garras de adamantium, pontapés, Critical Strikes e um medidor de Fúria que enches para desatar execuções brutais que são das mais sanguinárias que já se viu num jogo deste calibre. Há um sistema de Last Stand ligado ao fator de cura de Logan, técnicas e adaptações que podes trocar para caçar, emboscar ou dominar à força, e até combos de equipa. O tom adulto, a classificação M levada a sério, é exatamente o que a personagem sempre pediu e que nunca tinha tido num videojogo. Poucos jogos tiveram uma abordagem assim, e não me lembro de um de super-heróis onde a violência fosse esnte nível, aproximando-se mais de The last of us Part 2, e de God of War.

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Gráficos, som e história

Visualmente é deslumbrante. É, talvez, o jogo com melhores gráficos de 2026. A interpretação de Liam McIntyre como Logan está excelente, e a banda sonora de David Fleming — que cruza melodias de fronteira do faroeste com motivos de ronin solitário — é praticamente perfeita para este jogo porque não se destaca, mas tem a qualidade esperada para dar identidade emocional à jornada de Logan. Aliás, a banda sonora é, facilmente, dos pontos mais altos do jogo. No capítulo técnico e artístico, poucos jogos estão a este nível.

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E agora a parte que torna este lançamento tão peculiar. A expectativa é enorme. O personagem é adorado, a Insomniac não costuma falhar e os exclusivos PS5 são, geralmente, candidatos a jogo do ano. Contudo, quando um jogo assim falha em algo, o murro costuma ser grande. E a verdade é que Wolverine é um experiência peculiar por vários aspetos. Vamos por partes.

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Para começar, Wolverine não é um personagem que tenha grande capacidade para evoluir. Ao contrário de Batman e Spider-man, que estão sempre a ter gadgets novos, Wolverien é, por definição da própria personagem, um super-herói aborrecido de um ponto de vista de inovação. E é esse o grande problema assim: a jogabilidade pouco muda durante todo o jogo. é intenso, é sangrento, mas lutamos sempre da mesma forma contra todos os inimigos, quer seja um fraco ou um boss, quer seja um ou 20 ao mesmo tempo.

O problema não é a qualidade da ação, é a variedade e a liberdade que ela oferece. Pelo meio, os quicktime events são aborrecidos e não nos penalizam se falharmos. Por vezes senti que este jogo, que é para adultos, foi feito numa dificuldade para crianças que jogassem pouco. A verdade é que Wolverine nunca foi um desafio, nem nas lutas, nem os puzzles. Esta é a maior crítica a um jogo que a nível visual e sonoro é fantástico, e que tem uma história muito interessante, com algumas questões morais que gostei, boas personagens e alguns twists que são bons.

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Conteúdo, extras e um piscar de olho

Do lado do pacote, a Insomniac não falhou: New Game Plus, repetição de missões, os desafios Nightmare, Modo Foto e um número invejável de 35 opções de acessibilidade, além do costume da casa em hápticas e gatilhos adaptativos do DualSense. Há ainda um detalhe giro para quem anda por este universo: uma promoção cruzada com o Marvel Tōkon: Fighting Souls, o jogo de luta da Arc System Works que analisei há pouco — o fato padrão do Wolverine de um aparece no outro, e vice-versa. Pequenos gestos que amarram o “universo PlayStation Marvel”.

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Veredito (antes do lançamento): para quem é

O Marvel’s Wolverine parece ser um jogo tecnicamente soberbo, brutal, bonito e fiel à personagem, que falha em alguns pontos para ser o triunfo geracional que o nome Insomniac fazia adivinhar. É “bom, mas não grandioso” — e quando a fasquia estava tão lato, isso tem impacto. Wolverine é um 7 sólido, mas esperava-se um 9. Contudo, é também um jogo divertido e intenso, apesar de por vezes monótono nas suas lutas e falta de desafio.

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Se és fã do Wolverine e o que queres é a adrenalina de rasgar inimigos com garras de adamantium, embrulhada numa produção de primeira e numa história com um elenco de vilões de sonho, tudo indica que vais adorá-lo. Se, pelo contrário, esperavas a variedade, a liberdade e o improviso que fizeram dos Spider-Man obras-primas — ou um mundo aberto para explorar —, é provável que saias com a mesma sensação de que falta aqui alguma coisa, e isso que falta depende de pessoa para pessoa. A prova disto está nas reviews que já foram lançadas. Com o jogo a chegar às lojas dia 15, a maioria dos sites especializados lançaram ontem as suas reviews (eu lancei hoje porque me atrasei a jogar) e existem novas desde o 6 até ao 10, e isto demonstra que há pessoas que simplesmente vão adorar o jogo, e outras não acharam nada de especial. É raro uma discrepância tão grande, mas isso é a demonstração de como não é fácil agradar a todos neste estilo de jogo.


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