Michael Chiklis em "Coyote" © AXN Portugal

Michael Chiklis de “Coyote” em conversa exclusiva com a MHD

Michael Chiklis, o protagonista da nova série do AXN “Coyote” esteve à conversa com a Magazine.HD para falar-nos deste seu novo desafio. 

O vencedor do Emmy, entregue pela Academia de Artes e Ciências Televisivas, Michael Chiklis esteve à conversa exclusiva com a Magazine.HD. O ator norte-americano, reconhecido do grande público pelos seus papéis em “The Shield”, série da FOX, e pelos dois primeiros filmes “Quarteto Fantástico”, é agora o protagonista da nova série do AXN, “Coyote“, que estreou na passada segunda-feira 25 de janeiro.

Para Michael Chiklis foi um grande desafio dar vida a esta personagem, que considera uma grande alteração na sua carreira com mais de 64 projetos em televisão e cinema em Hollywood. Se durante alguns anos Chiklis desempenhou estereótipos, homens carecas e de mau humor, com “The Shield” deu vida a um autêntico anti-herói, Vic Mackey, que lhe valeria a aclamação unânime da crítica. Com “Coyote”, Michael Chiklis regressa aos grandes projetos e mostra que ainda consegue surpreender.

Apesar do enredo estar relacionado com as tensões existentes na fronteira entre o México e os Estados Unidos, para Chiklis esta é uma trama humana, que não prioriza pontos de vista de uns a favor de outros. Para encontrar a sensibilidade necessária para a sua personagem, um agente fronteiriço de nome Ben Clemens, Chiklis esteve no México e falou com vários cidadãos do país vizinho ao seu.

Na nova série, o protagonista lida com a reforma depois de 32 anos ao serviço da guarda fronteiriça, e acaba por ser obrigado a cooperar com traficantes de droga, os homens de quem passou a vida inteira a fugir. Antes de leres a nossa entrevista a Michael Chiklis poderás assistir à apresentação de “Coyote”, série com um total de seis episódios pelo próprio ator.

Apresentação de “Coyote”, nova série com Michael Chiklis

MHD: Tenho que começar por lhe perguntar sobre qual a importância que a personagem de Vic Mackey, da série “The Shield” teve na sua carreira e como é que a compara ao Ben Clemens de “Coyote?

Michael Chiklis: “The Shield” foi claramente uma das experiências mais extraordinárias da minha vida enquanto ator e enquanto pessoa. Foi uma daquelas situações em tudo se alinhou. Acredito que o mesmo tenha acontecido com “Coyote“, em que tudo se alinhou em termos de trabalho, de elenco, de agenda, tendo em conta o ambiente político em que vivemos.

Quando a minha estimada amiga Michelle MacLaren apresentou-me esta ideia, há mais de dois anos e meio atrás, eu estava um pouco apreensivo, mas também ansioso. Além disso, o Vic Mackey era um anti-herói, poderíamos mesmo encará-lo como sociopata. Foi um estudo de personagem fascinante. Com o Ben é um pouco diferente, porque ele não é nem um anti-herói nem é um herói. É um homem, um bom homem, que acabou por ser prejudicado por alguns erros na sua vida, e dos quais pagou um preço bem alto. Desta vez está a tentar rescrever o seu futuro.

Michael Chiklis
Michael Chiklis e Glenn Close juntos na série “The Shield” (2002-2008) © FOX

Para mim foi bastante empolgante, enquanto ator, encarar esta personagem dessa forma, sobretudo quando a questão relacionada à fronteira dos Estados Unidos da América com o México, tão discutida nos dias de hoje.

MHD: Mas alguma vez sentiu que esta era uma história política? Ou uma história mais humana? 

Michael Chiklis: O que me atraiu em “Coyote” é um facto da abordagem à história ter preferencialmente em conta o ponto de vista humano. Certamente estará a pensar que é uma série política, mas nós tentámos fugir dessa vertente o mais depressa possível.

Quisemos contar histórias autênticas e impactantes, que sejam empolgantes e divertidas de assistir. Quem sabe se farão também pensar e emocionar os espectadores.

MHD: Qual foi a sua preparação para a interpretar o Ben? 

Michael Chiklis: A equipa técnica estava interessada na autenticidade desta narrativa e portanto houve um interesse genérico em rodar as histórias nos seus respetivos locais. Foi até à fronteira que separa a  Califórnia norte-americana e a Península da Baixa Califórnia no México. Eu passei algum tempo junto dos agentes fronteiriços e os agentes do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

Coyote
Michael Chiklis em “Coyote” © AXN Portugal

Fiz perguntas sobre como passam o dia, como é que conduzem os seus carros… Enfim, estive praticamente a ver como são as suas vidas do dia à noite e da noite ao dia. Depois, para além desta visão dos agentes de fronteira, eu também quis atravessar a fronteira e perguntar às pessoas reais do México qual a sua visão dos factos. Como é que vêem a América e as nossas atitudes sobre isso. Portanto, foi bastante importante para a Michelle MacLaren e para mim filmarmos no México.

MHD: Foi assim que encontrou a sensibilidade para esta personagem? 

Michael Chiklis: Exato. Isto para mim foi uma odisseia. O Ben viu o mundo através de uma perspetiva e agora, após percorrer mais de 160 quilómetros, consegue entender o que é estar no lugar de outra pessoa. Para mim foi emocionante.

MHD: O esforço dessa caminhada e dessa luta de Ben valeram a pena? 

Michael Chiklis: Absolutamente. Tem sido uma viagem de aprendizagem surpreendente. Talvez seja a minha veia familiar grega que me atraiu para a lógica de odisseia. Acho que é importante referir que não nos podemos massacrar psicologicamente por coisas que não conhecemos. Quando a conhecemos fica tudo diferente.

MHD: O que aprendeu desta personagem e da própria história de “Coyote” e que gostaria de partilhar com o público? 

Michael Chiklis: Eu aprendi imenso sobre a minha própria ignorância. Temos que nos colocar no papel do outro. Já eu estive no México, mas em Cabo e em Acapulco. É muito diferente ser turista do que passar depois seis meses nestas cidades e ver como é que as pessoas enfrentam o seu dia a dia. Eu fiz várias perguntas sobre as suas vidas e aprendi imenso sobre as suas perspetivas.

Na maioria das vezes esquecemo-nos, mas ao fim e ao cabo somos todos seres humanos. As pessoas são pessoas. Aonde quer que vás, somos todos irmãos e irmãs, pais e mães, primos e primas, filhos e filhas.

Queremos todos viver em segurança, queremos um teto sobre as nossas cabeças e queremos oportunidades profissionais. Só assim conseguimos alguma sensação de paz. Por isso é que eu gostei de fazer esta viagem e espero que as pessoas a façam connosco.

axn portugal 2021
Michael Chiklis em Coyote (2021) |© AXN Portugal

MHD: Para além dessa transformação mental pela qual passou sentiu alguma exigência de caráter físico durante as filmagens desta série no México? 

Michael Chiklis: Sim (risos). Estou a rir porque já fui submetido a uma cirurgia ao joelho por causa disso. Foi quando eu e a tão talentosa atriz Emy Mena, que descobrimos em El Salvador e dá a vida a María Elena Flores na série, estavamos a filmar no Deserto de Sonora. Eu tive que correr nessa sequência com ela. Estava a tentar escondê-la.

Durante essa cena, provavelmente o take mais longo que alguma vez fiz na minha carreira com mais de 22 minutos, eu tive que saltar sobre um cão-da-pradaria e acabei por cair e partir o meu joelho. Na verdade, caí num túnel que desabou e só ouvia o meu joelho a estalar. Mesmo assim, continuei a sequência. Foi dolorosa, e tive que trabalhar o resto da temporada com uma rutura no menisco. Portanto foi fisicamente exigente.

MHD: Está bem agora? Está pronto para a segunda temporada?

Michael Chiklis: Sim, agora estou bem, obrigado. E sim estou pronto para a segunda temporada. Se a conseguimos fazer… Bem, pelo menos espero que sim.

Não percas a exibição de “Coyote” no AXN Portugal. 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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