MONSTRA 2026 | Arco, a Crítica
Foi no âmbito da 98.ª edição dos Prémios da Academia que “Arco”, um dos nomeados na categoria de Melhor Animação nos Óscares, foi exibido a 15 de março numa sessão especial da MONSTRA.
Embora “Arco” tenha já passado pelos cinemas comerciais em Portugal, foi um prazer ver este excelente filme de animação francês voltar a ser exibido numa sala tão nobre quanto a Manoel de Oliveira, no emblemático Cinema São Jorge, e perante uma audiência muito bem composta.
Arco: a humanidade em duas linhas temporais

Esta história, com realização de Ugo Bienvenu e Gilles Cazaux, apresenta-nos dois futuros distantes, numa criativa obra de ficção científica sobre a importância da amizade. No ano de 2075, conhecemos Iris, uma menina algo solitária, que toma conta do seu irmão Peter em conjunto com o robô Mikki. Mikki funciona como um membro da família, ocupando-se não apenas da lide doméstica, mas de toda a componente emocional que deveria recair sobre os pais. Isto porque os pais de Iris são distantes, estão sempre fora em trabalho, e na maioria dos dias, integram a sua vida apenas na forma de hologramas.
A vida solitária da pequena Iris muda drasticamente quando vê cair do céu um pequeno rapaz num fato de arco-íris. Trata-se da personagem titular – Arco. O rapaz vem de um futuro distante e aparentemente idílico, onde as viagens no tempo são possíveis e onde os seres humanos vivem em harmonia com a natureza. Neste futuro, depois de um ponto de ruptura, a humanidade aprendeu a respeitar o meio natural e vive verticalmente em casas na floresta, deixando a terra repousar. Estes humanos mais desenvolvidos sabem até como comunicar com os pássaros, tornando-se esta uma competência generalizada.
E essa é precisamente a primeira coisa notável a dizer sobre “Arco”. Este trata-se de um filme repleto de esperança, o qual acredita num amanhã melhor para a humanidade. Um amanhã mais harmonioso e onde a devastação do meio natural é mitigada.
Tecnologia vs mundo natural no filme de Ugo Bienvenu
Acima de tudo, “Arco” é um filme de aventura. No decurso de toda a obra, Iris procura tentar arranjar uma forma de conseguir que Arco regresse ao seu tempo. Juntos, enfrentam muitos obstáculos no distópico tempo de Iris: 2075 é representado como um ano de grande desequilíbrio natural, numa realidade onde os fogos florestais estão fora de controlo e o mundo humano foi tomado de rompante por um domínio das máquinas e da tecnologia.
Uma humanidade que perde cada vez mais o contacto entre si, é este o conto de advertência que retiramos do mundo frágil de Iris e da sua família. Todavia, a bela relação entre Iris e Arco permite-nos recordar o melhor da humanidade. Emocionalmente, o filme equilibra-se na perfeição, pois existe muita alegria e partilha mas também momentos emotivos muito fortes, pujantes, e capazes até de puxar a lágrima sem nunca parecerem lamechas ou forçados.
Visualmente, “Arco” é para lá de interessante. O estilo de animação desenhado à mão terá sempre um encanto especial, e por isso esta longa-metragem destaca-se entre muitas outras que foram animadas no ano de 2025. Em particular, louvamos a arte de cenários e a representação da natureza, a qual se faz sentir contemplativa e naturalista.
O equilíbrio entre a ilustração de um mundo hiper-tecnológico e a beleza do meio natural é parte integrante da beleza inegável de “Arco”, um filme com lições imperativas para pequenos e graúdos.

“Arco” é um encantador conto ambientalista que exalta a importância das relações humanas, enquanto revê o domínio tecnológico e a escassez de recursos naturais num futuro imaginado. Quando será o nosso ponto de ruptura? É uma questão colocada e respondida por esta longa-metragem, a qual nos recorda que nada é mais importante que a proximidade entre seres humanos e o respeito pelo meio natural.
A MONSTRA continua a sua 25ª edição na cidade de Lisboa até 22 de março. Cá estaremos a cobrir o Festival de Animação de Lisboa até lá!
Arco, a Crítica
Conclusão
“Arco” é um encantador conto ambientalista que exalta a importância das relações humanas, enquanto revê o domínio tecnológico e a escassez de recursos naturais num futuro imaginado.

