Mr. Holmes, em análise

mr. holmes poster

 FICHA TÉCNICA

Título Original: Mr. Holmes
Realizador: Bill Condon
Elenco: Ian McKellen, Laura Linney, Milo Parker
Género: Crime, Drama
NOS | 2015 | 104 min

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UMA PERSPECTIVA ORIGINAL E DRAMÁTICA DE UM REFORMADO SHERLOCK HOLMES. DESTAQUE PARA A PERFORMANCE EXÍMIA DE (SIR) IAN MCKELLEN E PARA O RITMO LEVE E PAUSADO QUE TORNA A NARRATIVA HISTÓRICA FÁCIL DE DIGERIR.


Sherlock Holmes é um dos ativos mais icónicos da indústria do entretenimento. O famoso detetive criado pela mente do escritor Sir Arthur Conan Doyle tem sido enriquecido em cada nova adaptação, seja no sentido louco e brilhante do mundo do cinema (Sherlock Holmes de Robert Downey Jr.) ou sobre a forma de sociopata explorado na televisão (Sherlock de Benedict Cumberbatch). ‘Mr. Holmes’ oferece por isso uma nova visão sobre o homem por detrás da personagem.

Sherlock Holmes (Ian McKellen) é um homem de 93 anos, reformado e que aproveita os seus últimos tempos de vida para tratar das suas colmeias de abelhas. Consequente da idade avançada, o detetive combate problemas de memória para conseguir recontar os fatos do seu último caso, previamente embelezado pelo seu falecido parceiro e escrivã das aventuras Dr. John Watson. Sherlock conta com a ajuda de Roger (Milo Parker), o filho da sua governanta Mrs. Munro (Laura Linney), um jovem rapaz que admira o detetive e que preenche a vaga de parceiro  e de catapulta emocional para o desenvolver do trama. O grande mistério desta vez não é apanhar um criminoso, mas sim descobrir onde realmente assenta o legado e a identidade do detetive mais famoso do mundo.

Ian McKellen Mr. Holmes
Sir Ian McKellen e Milo Parker dividem o ecrã em “Mr. Holmes”

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O filme é uma adaptação da obra literária A Slight Trick Of The Mind de Mitch Cullin. O argumento esteve nas mãos de Jeffrey Hatcher (“Casanova”) e apresentou três enredos principais sobre a forma de flashbacks e que ultimam no tempo presente. Os flashbacks surgiram sempre de forma orgânica e bem ancorado pelo argumento, e foram ainda oportunidades para vermos algum do poderio de atuação de Ian McKellen enquanto que a personagem de Sherlock Holmes sofria certas mudanças contextuais. Mais do que uma história sobre o detetive, ‘Mr. Holmes’ é um filme que explora a temática de identidade e que trabalha na ambiguidade do que é “certo e errado”, sem esquecer os acenos aos perigos da solidão.

A leveza anti-cultura do argumento é uma óptima opção para aqueles que se querem afastar de um ano preenchido de blockbusters e do mundo dos comics. ‘Mr. Holmes’ consegue em 104 minutos atingir uma audiência mais matura, explorando ao máximo a performance de Ian McKellen para que no fim, consiga criar um sentimento de tempo bem passado. Para aqueles que procuram o mistério inerente às últimas adaptações de Sherlock Holmes, provavelmente a trama de “descobrimento humano” não lhes é tão apetecível. Mas o belo elenco, a bela caracterização (na sua maioria) e a fotografia/som do filme são razões mais do que suficientes para levar os verdadeiros amantes de cinema às salas para experimentarem Mr. Holmes na sua plenitude.

Ian McKellen Mr. Holmes Critica
Sir Ian McKellen e Laura Linney em “Mr. Holmes”

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As performances para “Mr. Holmes” foram todas satisfatórias, mas o filme quase nunca se desviou do seu protagonista. Roger é uma personagem quase não-existente, na medida em que é algo simplista como uma criança que idolatra Holmes e que serve para a integridade do filme como um meio para atingir um fim. Do mesmo se pode dizer de Mr. Umezaki (Hiroyuki Sanada) e de Ann Kelmot (Hattie Morahan). Mrs. Munro de Laura Linney teve os seus momentos, seja como reflectora de algumas piadas, seja como um dispositivo de avanço emocional – que atingiu o ápice no terceiro acto do filme num belo momento ao lado de McKellen.

O realizador Bill Condor (“Gods and Monsters”) correspondeu às expectativas do que se pedia, interligando de forma eficiente os três enredos da trama e trazendo com isso o melhor que esta história poderia contar. Momentos em que o verdadeiro Sherlock Holmes saboreia a sua identidade fictícia são metáforas para o dilema da verdade e da mentira, e se todos saírem do cinema a pensar que “há desculpa para a mentira” lembrem-se que o objectivo foi esse. O cinematografo Tobias A. Schliessler divide os louros com o realizador na captação das belas imagens da paz e quietude de Sussex, e de um cenário ainda em uso de uma Inglaterra vitoriana. Os figurinos estiveram em destaque, como é já habitual em dramas de período histórico.

No geral “Mr. Holmes” consegue surpreender, mas o melodrama inerente da obra poderá não ser para o gosto de todos. Deste lado gostamos e recomendamos, que mais não seja pela fantástica performance de Ian McKellen.

MM

 

Marcos Mendes

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