NOS Alive

NOS Alive | O rock está vivo e reúne multidões

No último dia do NOS Alive, os Pearl Jam renovam a relação de amizade com o público português, numa noite em que Jack White foi rei e os Alice in Chains tocaram a uma hora ingrata.

Poucos minutos faltavam para as seis da tarde quando, entrámos, pela última vez este ano, no recinto do NOS Alive. O sol, no horizonte, era o pano de fundo do concerto dos Alice in Chains, que subiram ao palco principal do festival num horário ingrato para tudo aquilo que a banda representa. Não mereciam e todos nós sabíamos.

Poucas eram as pessoas que por ali paravam, mas a banda deu um concerto como se já fossem onze da noite. A banda começou o concerto cmo “Check My Brain”, tema de Black Gives Way to Blue, editado em 2009.

A banda foi sempre muito comunicativa com o público português. O vocalista dirigiu-se ao público com um: “Olá Portugal, tudo beeemm? É bom estar de volta. Já passou algum tempo”. E realmente foram, passaram oito anos desde o encontro dos Alice in Chains com Portugal, no Passeio Marítimo de Algés, quando ainda era conhecido como  “Optimus Alive”.

Depois de “Dam That River” seguiu-se “Hollow”, do mais recente The Devil Put Dinosaurs Here. “No Excuses”, “We Die Young” e “Your Decision” vieram antes de  “So Far Under”, single do novo álbum da banda, “Rainier Fog”, que vai ser lançado no fim de Agosto. E ainda tivemos direito a  “Would?”, um verdadeiro hino inter geracional.

É inegável, os Alice in Chains são uma banda que fez história no rock e não deviam ter sido postos a atuar a esta hora!

Alice in Chains

Os Franz Ferdinand não são propriamente uma estreia em Portugal. E são conhecidos por animarem o público. A tradição revela isso mas, este foi provavelmente o concerto que mais deixou a desejar. A rock de Franz Ferinand não conseguiu animar e, no final, saímos com uma sensação agridoce.

Começaram bem com “Do You Want To”, e as expectativas iam crescendo mas, aos poucos, íamos saindo desiludidos.

Deram-nos várias músicas mas sem grande entusiasmo. Ainda assim, o vocalista, sorriu, cantou e dançou, pena que os restantes membros da banda não demonstrassem estar em sintonia.

Não é que as canções tenham sido mal tocadas, porque não foram, contudo faltou amor e entusiasmo. Para esta edição, a banda trouxe os seus maiores êxitos , tendo verdadeiros momentos de euforia em “Take Me Out” e “This Fire”.

Franz Ferdinand

Durante esta actuação, a festa estava a ser feita no Clubbing com os Throes + The Shine (T+TT) a superarem todas as expectativas.

Nesta última noite do festival, Jack White fez a festa e pôs toda a gente feliz, mostrando que conhece bem os segredos do rock’n’rol.

Tivemos direito a “Steady As She Goes” dos The Rancounters e muitos temas dos The White Stripes. Sob uma luz azul, White deu-nos muitos momentos de felicidade e mostrou que aquilo que mais gosta de fazer, e, sem dúvida, melhor sabe é tocar ao vivo. Em cima do palco dá-nos toda a sua energia,e nos agradecemos. Não há música que não ganhe um encanto especial, assim foi em  “We’re Going to Be Friends”.

Esta não foi uma estreia do cantor em Portugal, aliás em 2007 os The White Stripe tocaram em Portugal, numa altura em que nada previa que poderiam vir a terminar muito em breve. Em 2012 White fez-nos mais uma vez felizes com um concerto no Coliseu.

“Icky Thump” e  “Seven Nation Army” foram muito aplaudidas, tendo sido dos momentos mais altos da noite. Neste concerto sentimo-nos felizes pois tivemos um verdadeiro momento de rock, provando que este estilo ainda está bem vivo.

Obrigada Jack White!

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Jack White

Era, finalmente, hora, da banda mais aguardada da noite subir ao Palco NOS. Os Pearl Jam estavam aí e tivemos uma concerto onde a banda renovou os laços com Portugal. O concerto foi inspirado num concerto de 1996, tocado no extinto Pavilhão Dramático de Cascais onde interpretaram, tal como ontem, “Even Flow”, como referiu Eddie Vedder.

Começaram com “Low light”, e deram-nos,  logo de seguida, “Better Man”, guardado no baú desde 1994, quando editaram Vitalogy.

Tivemos clássicos como “Black”, “Jeremy” e “Alive” e para nos encores interpretaram John Lennon, com “Imagine”, os Pink Floyd, com “Confortably Numb”, e Neil Young, com “Rockin’ in a free world”. Nesta última música, o cantor chamou para o palco Jack White.

Durante duas horas, os Pearl Jam encantaram o público e deixaram palavras “activistas” referindo que caberá às gerações futuras “tomar conta desta merda”.

Eddie Vedder, um dos fundadores do ‘grunge’ apelou a um maior respeito pela diferença, pelos direitos das mulheres e preservação do meio ambiente, e como seria de esperar, todos aplaudiram o músico.

Pearl Jam

As duas da manhã,  Eddie Vedder ainda tocava no palco principal. O que atrasou o concerto dos  At The Drive In, que só tocaram praticamente 45 minutos depois, uma vez que nenhuma banda poderia tocar entretanto.

Mantiveram-se fieis a si mesmos e deram-nos mais uma actuação explosiva, onde demonstraram que a sua energia não tem limites. Ainda assim,  este concerto apenas durou cerca de quarenta minutos, tendo o tempo passado a correr.

Também um pouco mais tarde do que a hora prevista, os MGMT subiram ao palco NOS e animaram todos os que ali se encontravam. Começaram com “Time to Pretend”, num concerto que foi curto e sem grande entusiasmo. O que é certo é que, ainda assim, alguns resistentes dançavam alegremente ao som da banda.

O festival NOS Alive regressa em 2019 ao Passeio Marítimo de Algés, de 11 a 13 de julho.

Cátia Santos

Observadora, comunicadora, crítica, muito curiosa, apaixonada pela escrita criativa e informativa. Devoradora de livros e de música, com um especial gosto por tecnologia.

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