O Fantástico Homem-Aranha 2: O Poder de Electro, em análise

 

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  • Título Original: The Amazing Spider-Man 2
  • Realizador: Marc Webb
  • Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Dane DeHaan, Sally Field, Jamie Foxx
  • Género: Aventura, Ação
  • 2014 | 142 min

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Quão fantástico é o fantástico Homem-Aranha? Eis a questão.

Desde o anúncio da produção deste reboot que a questão assombra o projeto de Marc Webb. Após ser dado o tiro de partida na nova saga do Homem-Aranha, a resposta seria qualquer coisa do género: “É um bocadinho fantástico.” As dúvidas mantinham-se. Seria esse ‘bocadinho’ suficiente para justificar o início de um novo franchise, apenas cinco anos após o término da trilogia de Sam Raimi? Provavelmente, não. “O Fantástico Homem-Aranha” de Webb partilhava muitas semelhanças com o primeiro filme de Raimi, no entanto, tinha qualquer coisa de fresco e desafiante que nos dava esperança para o que poderia vir a seguir: Andrew Garfield era mesmo a personificação do Homem-Aranha.

Andrew Garfield;Paul Giamatti

Agora já consciente da sua identidade, Peter Parker leva a sua vida de uma forma descontraída (e assim flui também o filme), tentando conciliar a sua vida amorosa com Gwen Stacy (Emma Stone) e o seu dever para com a sociedade. Os vilões sucedem-se, o amigo Harry Osborn regressa, os fantasmas do passado continuam a assombrá-lo, mas Spidey permanece naquela sua boa-onda tão particular. Basta assistir aos primeiros minutos para podermos adicionar mais um bocadinho de fantástico àquela equação inicial.

Procurando responder às perguntas que ficaram no ar no primeiro filme, Marc Webb empurra o espectador para uma narrativa mais equilibrada, sem teias desmesuradas, e onde nem o nosso maior receio – o excesso de vilões – nos chega a importunar a visualização. Na verdade, todos têm o seu desígnio e o seu espaço: Rhino (Paul Giamatti) ocupa apenas o primeiro ato, sendo Electro (Jamie Foxx) o real opositor de Peter Parker, quedando Green Goblin para um audacioso último terço.

906429 - The Amazing Spider-Man 2

Na primeira aventura do (agora) fantástico Homem-Aranha ficou patente que Andrew Garfield era o upgrade necessário para a prolificação de um super-herói mais descomplexado e mais fiel à BD, como é o caso deste Homem-Aranha de Marc Webb. Agora numa segunda jornada ainda menos interessada na recente tendência Hollywoodesca para a humanização do herói (uma parva tendência, diga-se), Marc Webb imprime mais e melhor humor e mais e melhor ação que acabam por transformar este “O Fantástico Homem-Aranha 2” num objeto de entretenimento exemplar. O triunfo de Webb está não só na abordagem – que percebe com clareza a definição mais elementar de blockbuster – mas também no ator que dá corpo ao protagonista. Comparar o que Andrew Garfield faz pelo seu Homem-Aranha com o que Tobey Maguire ofereceu na trilogia de Sam Raimi seria insultuoso.

Andrew Garfield transpõe todos os jeitos e trejeitos daquele tipo aparentemente normal mas puramente desajeitado que nos guia por entre bailados coreografados sobre arranha-céus, oferece gags hilariantes, carisma capaz de provocar verdadeiras overdoses e, sobretudo, um sentido de emparelhamento excecional com a Gwen Stacy de Emma Stone. O aranhiço de Garfield é quase palpável, como se as páginas dos quadradinhos fossem páginas de uma vida: a parábola do homem comum que ri, faz rir, se apaixona, se auto descobre, paga as suas contas e… bom, durante o dia também salva vidas e resgata gatos do cimo das árvores.

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Algumas das principais críticas que se foram fazendo ao primeiro filme residiam não só na sua incapacidade de dar resposta aos segredos que se propunha a desvendar, mas sobretudo na excessiva preocupação com lado humano de Peter Parker e na relação amorosa que partilhava com Gwen Stacy. Estamos em crer que um dos principais trunfos do filme de Webb é precisamente a compatibilidade de Peter e Gwen, alicerçada na química intransponível entre Andrew Garfield e Emma Stone.  Não foi em vão que Marc Webb decidiu incidir, numa primeira fase, nesse arco narrativo em detrimento de mais cenas de ação, como muitos exigiam. Webb sabia exatamente como criar a empatia perfeita com o espectador – e para isso socorre-se de duas brilhantes prestações do duo protagonista – para depois ser capaz de lhe estuprar o coração. “O Fantástico Homem-Aranha 2” ganha aos seus competidores através das emoções e, nesse âmbito, a última meia hora é do melhor que alguma vez pudemos ver num filme de super-heróis.

Webb é capaz dar resposta aos segredos do passado de Peter Parker consolidando essas revelações num presente conflituoso que projeta um futuro mais negro para o nosso super-herói.  Nesse trilho, conta com um competente Dane DeHaan como Harry Osborn (Green Goblin) que se torna no personagem-chave dessa transição.

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Mas nem tudo resulta tão bem. Se por um lado se saúda o desenvolver da relação entre Peter e a tia May (uma grande Sally Field), por outro, percebe-se que essa etapa é originada pela obsessão de Peter Parker em desvendar as causas da morte dos seus pais, o que se vai tornando incomodativo. Paralelamente, há personagens demasiado unidimensionais (por exemplo, o Electro de Jamie Foxx) que não beneficiam do excesso de histórias paralelas.  No caso particular de Electro, embora este não partilhe as deficiências do vilão do primeiro filme – Lizard, é percetível o desmedido uso de efeitos visuais que funcionam como mero manto de invisibilidade para as insuficiências do personagem.

Em abono da verdade, há que dizer que alguns dos momentos mais fantásticos são conseguidos através desses mesmos efeitos visuais. Repetem-se os slow motions  e os voos dignos de serem capturados por uma GoPro,  mas não nos cansamos. São cenas de real espetacularidade que nos guiam por entre os cantos e recantos de Manhattan (o 3D é uma mais valia significativa), sempre ao som de uma banda sonora enérgica, com participações de Hans Zimmer e Pharrell Williams.

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Apesar deste fantástico Homem-Aranha não ser, em todos os momentos, – e parafraseando – fantástico, estamos convictos que o futuro lhe abrirá grandes portas. As minúcias, os detalhes e as referências ao material-mãe trazem flexibilidade ao trabalho de Marc Webb . A partir de agora, há um leque infindável de histórias para serem contadas. Histórias que nunca foram contadas e que desviam esta nova abordagem ao super-herói da Marvel do abismo certo e do déjà-vu, como outrora se previu. E esta é a notícia mais fantástica de todas.

DR

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