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O Urso do Pó Branco, em análise

A nova longa-metragem realizada pela também atriz Elizabeth Banks leva a cineasta para um novo reino do mainstream, à medida que “O Urso do Pó Branco”, uma feroz comédia negríssima, arrasa nas bilheteiras, afundando até a Marvel e o seu “Homem Formiga” pelo caminho. Que fatores motivam este sucesso surpreendente? 

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Elizabeth Banks, que conhecemos por papéis em comédias românticas, “Modern Family” ou a Effie de “The Hunger Games”, tem vindo a movimentar-se, nos últimos anos, cada vez mais no campo da realização. Da comédia de nicho “Pitch Perfect” à pouco consensual “versão woke” de “Os Anjos de Charlie”, a carreira de Banks na realização tem levantado poucas ondas. Mas tudo parece prestes a mudar com este “Cocaine Bear”.

Numa reviravolta algo impressionante, os distribuidores portugueses de “Cocaine Bear” decidiram-se pela prudência e, subvertendo o estereótipo de que o público norte-americano é bem mais puritano que o europeu, intitularam esta longa-metragem, na versão nacional, como “O Urso do Pó Branco”. Bem, realmente não é boa ideia glorificar cocaína, mas considerando que quase todas as personagens de “Cocaine Bear” acabam mortas no final, excepto as mais virtuosas, é seguro que não nos devemos preocupar em demasia com os riscos para o espectador.

Elizabeth Banks Cocaine Bear
O Urso do Pó Branco © Universal Pictures

“O Urso do Pó Branco” é uma comédia negra insana, a qual adota inúmeras estratégias e fórmulas do género do terror, como por exemplo inúmeros jump scares. Todavia, “Cocaine Bear” é demasiado absurdo, tosco e hilariante para alguma vez poder ser considerado um filme de terror. É antes uma comédia muito, muito negra.

O maravilhoso deste filme é que não tenta ser mais do que é, e mune-se de nenhuma pretensão. Não uma obra de cinema, mas antes um objeto de entretenimento, “O Urso do Pó Branco” irá, de certo, garantir uma tarde ou noite bem passada no cinema – muitos risos e até alguns sustos.

Inverosímil até dizer não, mesmo sendo baseado numa história verídica, “Cocaine Bear” festeja a natureza de uma forma imprevisível e descontrolada. Na vida real, um urso de facto ingeriu quantidades copiosas de cocaína que caíram do céu na floresta, apenas para morrer de overdose a poucos metros de distância. Na versão fílmica, Elizabeth Banks prometeu vingar o pobre urso…e que vingança deliciosa!

Por mais pessoas que a ursa de “Cocaine Bear” desmembre, estamos sempre a torcer por ela e pelas suas crias. O quadro idílico é pintado com sangue e membros decepados e, na realidade, não podíamos querer saber menos. “O Urso do Pó Branco” é um daqueles filmes absurdos, onde a violência é tão gratuita que nos tornamos imunes à mesma.

O Urso do Pó Branco 2023
Keri Russell, de “The Americans”, com o ‘Cocaine Bear’ |©Cinemundo

No filme de época de Elizabeth Banks, reina um desconcertante absurdo que tudo ameaça engolir. E entre duas crianças que experimentam cocaína, uma delas a pequena maravilha Brooklynn Prince (de “The Florida Project”), traficantes de droga bem mutilados, gangues que encontram adversários à sua altura, um Jesse Tyler Ferguson (“Modern Family”) quase irreconhecível e uma Margo Martindale (“BoJack Horseman”) em estado de graça, passa-se muito com as múltiplas personagens desta história.

Quando a poeira assenta, e as personagens têm ocasionalmente oportunidade de conversar, não ouvimos grandes diálogos nem reflexões metafísicas, verdade seja dita. A conversa é sempre superficial, normalmente a brincar com lugares-comuns e expectativas por parte de quem vê. Em “O Urso do Pó Branco”, não vale a pena tentar ver para lá do que nos é apresentado, pois não existe um sentido oculto ou uma profundidade escondida.

Em último caso bastante esquecível, um filme não deixa de proporcionar um bom bocado e uma lufada de ar fresco, por ousar ser, por vezes, tão incorreto e desprovido de uma clara moral.

Nos cinemas portugueses desde 23 de fevereiro, e um improvável triunfo instantâneo de bilheteira nos EUA, “O Urso do Pó Branco” está disponível de norte a sul do país.

TRAILER | O URSO DO PÓ BRANCO – JÁ NOS CINEMAS


O Urso do Pó Branco, em análise
O Urso do Pó Branco

Movie title: O Urso do Pó Branco,

Movie description: Uma comédia negra e selvagem, realizada por Elizabeth Banks, inspirada na história verídica do despiste do avião de um traficante de droga ocorrido em 1985, no qual a cocaína perdida foi consumida por um urso negro. Nesta comédia, deparamo-nos com um grupo bizarro de polícias, criminosos, turistas e adolescentes perdidos na floresta da Georgia onde um predador, com mais de 200kgs, terá ingerido uma quantidade monstruosa de cocaína…

Date published: 28 de February de 2023

Country: EUA

Duration: 95 minutos

Author: Jimmy Warden

Director(s): Elizabeth Banks

Actor(s): Ray Liotta, Keri Russel, Alden Ehrenreich

Genre: Comédia, Thriller

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  • Maggie Silva - 75
75

CONCLUSÃO

Por vezes a roçar o tosco, “O Urso do Pó Branco” é cinema do absurdo capaz de habilmente casar comédia e terror. Aqui se encontra uma fórmula capaz de prometer, senão muito mais, uma hora e meia de pura diversão.

Pros

  • Um excelente trabalho coletivo por parte do elenco.
  • (Tristemente) A última prestação de  Ray Liotta.
  • O delicioso absurdo e o humor negro com mortes quase ao estilo do “Último Destino”.
  • Aparatosas sequências sangrentas.
  • A premissa, absurda e politicamente incorreta.

Cons

  • Não existe nenhuma segunda camada ou leitura, “Cocaine Bear” é o que é, e nada mais.
  • Por vezes, algumas cenas de ação e de luta roçam a total idiotice, à lá scary movie, mas há sequências negríssimas que compensam a parvoíce.
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