“A Odisseia” continua a estar no centro da discussão, mesmo depois de ter perdido a liderança nas bilheteiras portuguesas. A nível mundial, a longa-metragem de Christopher Nolan já superou a marca dos mil milhões de dólares e tornou-se, com 95% no Rotten Tomatoes e 89 pontos no Metacritic, o trabalho mais bem recebido de toda a carreira do realizador. Desde já, é também o principal candidato aos Óscares 2027, com Christopher Nolan novamente como favorito para ganhar Melhor Realização, depois de ter triunfado com “Oppenheimer”.
No filme, Matt Damon é Ulisses, rei de Ítaca, numa travessia de dez anos repleta de deuses, criaturas e da determinação de regressar a casa depois da Guerra de Troia, com Anne Hathaway, Tom Holland, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Zendaya e Charlize Theron a completar o elenco.
Na crítica que assinou para a MHD, Matilde Sousa notou que o filme arranca de forma algo pesada, mas ganha outra dimensão à medida que o som envolvente, a partitura de Ludwig Göransson e as interpretações do elenco se conjugam, resultando numa obra tecnicamente apurada e emocionalmente marcante.
“Queria colocar isso na cabeça das pessoas antes de começarem o filme”

Christopher Nolan revelou, numa conversa com o realizador Park Chan-wook para a revista sul-coreana Cine21, que a abertura de “A Odisseia” bebeu diretamente da forma como George Lucas apresentou “Star Wars” em 1977.
“Uma das minhas primeiras experiências de cinema, e das mais profundas, foi ver o primeiro ‘Star Wars’ de George Lucas”, contou Nolan. “Ele abriu o filme com um letreiro que dizia: ‘Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante’. Isso disse-me imediatamente como devia ver o filme.”
Foi essa sensação que Nolan disse querer recriar com “A Odisseia”: um único trecho de texto capaz de orientar o público antes mesmo da história começar. Por isso escolheu abrir o filme com a frase “A time of apparent magic” (“Uma época de magia aparente”), numa tentativa de manter alguma verosimilhança apesar da presença de elementos sobrenaturais reais na história.
“A palavra ‘aparente’, para mim, tinha que ver com reconhecer que, se contarmos a história de forma realista, temos de explicar porque é que existe magia”, explicou o realizador. “Interessava-me muito a ideia de uma pessoa a viver na Idade do Bronze: há magia à tua volta que não consegues explicar. Há explicações fantasiosas para as coisas que estás a viver (…) Queria colocar isso na cabeça das pessoas antes de começarem a ver o filme.”

