Christopher Nolan é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo. Depois de ter conquistado os Óscares em 2024, o britânico está de volta com “A Odisseia”. E parece que não só o realizador conseguiu corresponder as altas expetativas após “Oppenheimer”, como até está a conseguir elevá-las.
Ao longo da carreira, Nolan já falou várias vezes sobre os seus filmes preferidos, de “Lawrence da Arábia” a “Heat“, e essas influências saltam à vista em toda a sua filmografia. Porém, há um clássico de Stanley Kubrick que é possivelmente o filme mais importante para a sua carreira: “2001: Odisseia no Espaço”, que já podes ver na HBO Max.
A influência de 2001: Odisseia no Espaço no cinema e na vida de Christopher Nolan

Nolan tinha apenas sete anos quando o pai o levou a ver “2001” pela primeira vez, em Londres. Numa entrevista à Total Film, o realizador recordou “a escala e o assombro do espetáculo” daquela experiência, e confessou que “a sensação de imersão” nunca mais o abandonou, sendo aliás algo que diz continuar a perseguir em cada filme que faz.
Apesar do fascínio, Nolan admitiu em entrevista ao Entertainment Weekly que, mesmo em criança, não compreendia verdadeiramente a história. E, apesar de tudo, continua sem conseguir explicá-la por completo hoje em dia. Ainda assim, não hesita em classificar o filme como “cinema puro”. Em 2018, para assinalar os 50 anos do filme, Nolan liderou a restauração de uma cópia em 70mm sem efeitos digitais, que estreou mundialmente no Festival de Cannes.
O impacto de “2001: A Odisseia no Espaço” está perfeitamente visível em “Interstellar” (2014). Numa entrevista à Empire, Nolan foi direto sobre a inevitabilidade dessa comparação: “Não se pode fingir que ‘2001’ não existe” quando se faz um filme como “Interstellar”. O realizador seguiu de perto a filosofia de Kubrick de privilegiar efeitos práticos e modelos físicos em vez de recorrer só a computador, uma escolha que explica o realismo das naves e das sequências de acoplamento no espaço.
O silêncio quase absoluto das cenas espaciais, sem som a propagar-se no vácuo, é outra homenagem direta a “2001”, uma decisão que Nolan confirmou querer manter fiel à experiência real da viagem espacial. Até a relação entre os astronautas e uma inteligência artificial de bordo ecoa a dinâmica entre Dave Bowman e HAL 9000, ainda que em “Interstellar” essa relação, com o robô TARS, seja bem mais cordial.
A história e o elenco de 2001: Odisseia no Espaço

Lançado em 1968, o filme atravessa quase toda a história da humanidade. Primeiro, começa nos primórdios da espécie, com um grupo de hominídeos pré-históricos, e avança até um futuro distante, numa missão espacial rumo a Júpiter. Pelo caminho, a tripulação da nave Discovery One entra em confronto com HAL 9000, o computador de bordo cuja frieza e inteligência artificial se tornam uma ameaça à própria missão.
Keir Dullea protagoniza o filme no papel do astronauta Dave Bowman. Gary Lockwood interpreta Frank Poole, o seu colega de missão, e William Sylvester dá vida ao Dr. Heywood Floyd. Já, a voz do temível HAL 9000 pertence a Douglas Rain.
O que diz a crítica sobre 2001: Odisseia no Espaço?
O reconhecimento em torno do filme mantém-se firme mais de meio século depois. No Rotten Tomatoes, “2001: Odisseia no Espaço” soma 92% de aprovação da crítica. No Metacritic, a pontuação fixa-se nos 84 pontos.
O “Chicago Sun-Times” resume bem esse fascínio duradouro: o filme não procura entusiasmar o espectador, mas sim inspirar “o nosso assombro”. Já o “Chicago Tribune” descreve a obra como uma experiência capaz de deixar qualquer pessoa “tonta de espanto”, mesmo décadas depois da estreia.
Onde ver 2001: Odisseia no Espaço em Portugal?
O filme de Stanley Kubrick está atualmente disponível na HBO Max. Na mais recente lista da Sight & Sound, o filme surge em 6º lugar na votação dos críticos de cinema. Entre os realizadores, porém, o resultado é ainda mais impressionante. “2001: Odisseia no Espaço” é considerado o melhor filme de sempre, o que mostra que Nolan não é o único cineasta fascinado pela obra.


