Óscares 2016 criticados por ‘falta de diversidade’

 

Este ano os Óscares da Academia estão a ser fortemente criticados porque não existe nenhum ator negro entre os nomeados às categorias de interpretação e realização. 

Jada Pinkett Smith (vídeo abaixo) lançou o debate (talvez porque Will Smith, o seu marido não foi nomeado por Concussion) sobre a falta de diversidade, ou melhor sobre a ausência de atores e realizadores negros entre as categorias principais aos Óscares da Academia. Seguiu-se Spike Lee, que ironicamente foi galardoado com um Óscar honorário este ano, Oliver Moore, Idris Elba, Lupita Nyong’o, David Oyelowo e até George Clooney que afirmam que o problema estende-se a toda a indústria de Hollywood.

Vê também: The Revenant e Mad Max: Fury Road lideram as nomeações aos Óscares 2016

Whoopi Goldberg foi a única artista a declarar que o problema não é o facto de todos os nomeados serem brancos. Na verdade, diz que “este é um problema que diz respeito aos próprios estúdios e que não deverá ser apenas discutido durante a temporada de prémios, mas durante todo o ano, todos os dias”. Já Clooney foi o último a lançar a polémica ao anunciar que Creed: O Legado de Rocky, Concussion, Beasts of No Nation (o primeiro filme da Netflix não foi nomeado a nenhuma categoria porque na realidade não é uma experiência cinematográfica) ou Straight Outta Compton poderiam ter sido nomeados, mas relembramos que os Óscares supostamente avaliam talento e arte e não género, cor, raça, orientação sexual ou religião.

A Academia tem recebido inúmeros ameaças pelo sucedido e até algumas celebridades (50 Cent e Tyrese Gibson) já pediram para Chris Rock abandonar a apresentação , mas nas redes sociais os comentários de muitos cidadãos americanos (homens, mulheres, brancos, negros, imigrantes) criticam a forma como esta temática sensível esta a ser usada como um ataque aos outros nomeados, que não têm culpa do talento que ofereceram neste ano riquíssimo em interpretações.

O facto é que há dois anos consecutivos que nenhum negro está nomeado ao Óscar, mas teremos que recuar a 1940 – época em que as diferenças sociais eram sonantes no mundo inteiro -, talvez para perceber que não seja este o verdadeiro problema. Na edição dos Óscares desse ano, E Tudo o Vento Levou seria o grande vencedor da noite (em 10 categorias) e Hattie McDaniel a primeira afro-americana a receber a estatueta dourada. Também Vivien Leigh, que era inglesa nascida na Índia, receberia o Óscar de Melhor Atriz pelo mesmo filme.

Depois pessoas de diversas origens venceram a estatueta dourada, entre elas Anthony Quinn (mexicano), Sophia Loren (italiana), Ingrid Bergman (sueca), Roberto Benigni (italiano), Alfonso Cuáron (mexicano), Alejandro G. Iñarritu (mexicano), Sidney Poitier (afro-americano), Jean Dujardin (francês), Marion Cotillard (francesa), Christoph Waltz (austríaco), Morgan Freeman (afro-americano), Denzel Washington (afro-americano), Octavia Spencer (afro-americano) e claramente a lista continua.

Mesmo assim, a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs quer contrariar a hastag #OscarsoWhite e lançou um comunicado (original em baixo) na passada segunda-feira, a suscitar que avaliariam a situação interiormente.

I’d like to acknowledge the wonderful work of this year’s nominees. While we celebrate their extraordinary achievements, I am both heartbroken and frustrated about the lack of inclusion. This is a difficult but important conversation, and it’s time for big changes. The Academy is taking dramatic steps to alter the makeup of our membership. In the coming days and weeks we will conduct a review of our membership recruitment in order to bring about much-needed diversity in our 2016 class and beyond. As many of you know, we have implemented changes to diversify our membership in the last four years. But the change is not coming as fast as we would like. We need to do more, and better and more quickly. This isn’t unprecedented for the Academy. In the ’60s and ’70s it was about recruiting younger members to stay vital and relevant. In 2016, the mandate is inclusion in all of its facets: gender, race, ethnicity and sexual orientation. We recognize the very real concerns of our community, and I so appreciate all of you who have reached out to me in our effort to move forward together.

A verdade é que outros membros afirmam que estão descontentes com esta onda de indignação e afirmam que a Academia, mesmo com as suas políticas, valoriza o melhor da arte e não é nada racista. Como vontade de uns e para bem de outros, esperemos que a situação esteja mesmo a ser alterada, mas que entre todas os parâmetros que os atores sejam escolhidos pelas suas capacidades interpretativas e não pela sua cor.

Óscares
Estes são os nomeados às categorias de interpretação e todos são brancos

E qual é a vossa opinião? Conseguem relembrar outros momentos em que a Academia premiou filmes estreados e protagonizados por afro-americanos? Concordam com a dita ‘falta de diversidade’?

Consulta também: Guia das Estreias de Cinema | Janeiro 2016

 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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