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O editor Hank Corwin tem uma das mais invejáveis filmografias de Hollywood mas apenas recebeu a sua primeira nomeação este ano por A Queda de Wall Street.

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Talvez mais ainda que outros aspetos mais técnicos e não publicitados do cinema, a montagem seja de particular anonimato. Muitas vezes os ritmos de um filme são tidos como um resultado do exclusivo trabalho do seu realizador, mas o facto é que é erróneo menosprezar o exímio e difícil trabalho dos editores responsáveis por editarem e comporem, como mosaicos, a versão finalizada de seus filmes.

Muitos editores criam relações próximas com alguns realizadores, muitas vezes seguindo certos autores durante quase toda a sua filmografia. Um bom exemplo de um editor cuja carreira tem sido fortemente caracterizada pela sua associação com célebres autores do cinema americano contemporâneo é Hank Corwin, este ano agraciado com a sua primeira nomeação por A Queda de Wall Street.

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O primeiro crédito de Corwin data de 1991 por JFK de Oliver Stone. Nesse projeto, estando em início de carreira, Corwin foi somente responsável por alguma montagem adicional, mas é de salientar que a principal equipa de montagem deste épico de conspirações e paranoia foi galardoada com o Óscar. É de reconhecer que este foi um invejável início de carreira. Depois desse filme, Corwin voltou a trabalhar com Oliver Stone em mais três projetos, ambos filmes extremamente energéticos com montagem conspícua e agressiva, Assassinos Natos, Nixon e Sem Retorno.

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A seguir a tais explosões de energética montagem nos filmes de um dos mais provocadores autores do cinema americano da época, Hank Corwin começou a trabalhar em filmes muito mais discretos, com abordagens classicistas e elegantes, como O Encantador de Cavalos e A Lenda de Bagger Vance.

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Apesar de não ter sido uma relação tão prolífera como a que desenvolveu com Oliver Stone, o trabalho de Corwin em filmes de Terrence Malick é, possivelmente, o mais memorável e belo de toda a sua carreira. Em O Novo Mundo e A Árvore da Vida, o realizador texano utilizou uma abordagem fortemente experimental, filmando monumentais quantidades de material e dependendo do trabalho de montagem para criar filmes minimamente coerentes, em que as imagens e cenas se movem e estruturam como sonhos ou memórias esbatidas, numa lógica mais poética que mecânica.

Este ano, depois de uma carreira pontuada por verdadeiras obras-primas do cinema de autor, Hank Corwin finalmente recebeu a sua primeira nomeação aos Óscares com o seu trabalho em A Queda de Wall Street, aquele que é, talvez, o mais atípico filme da sua filmografia. Depois de sonhadores dramas e explosivos retratos históricos, os ritmos e tonalidades humorísticas do filme de Adam McKay terá certamente sido um desafio, mas parece que a Academia apreciou a sua energética montagem.

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Será que Corwin irá conseguir arrecadar o Óscar por esta sua primeira nomeação, ou será que os votantes da Academia vão preferenciar os outros filmes nomeados como Mad Max: Estrada da Fúria ou The Revenant?

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