Óscares novamente criticados por falta de diversidade

Se no ano passado a hastag #OscarSoWhite esteve no centro da polémica, este ano, os Óscares têm outra hastag a acompanhar qualquer publicação: #OscarSoMale.

Depois da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ter anunciado os nomeados aos Óscares em 2016, muitos foram os atores e realizadores que chamaram a atenção pela falta de diversidade racial. A lista completa de nomeados nas categorias de interpretação e de realização levou a mais uma polémica respeitante aos prestigiados galardões e a instalação da hastag #OscarsSoWhite por vários redes sociais como o Facebook ou o Twitter. O resultado foi um boicote generalizada à cerimónia, dos quais se destacaram os nomes de Jada Pinkett Smith e Will Smith.

O progresso parece ter sido (um pouco) feito este ano, como 1/3 dos nomeados ser de cor, num país com a questão racial ainda lamentavelmente mal resolvida. Denzel Washington conseguiu ser uma vez mais nomeado, desta feita pelo seu trabalho em Vedações. O ator é mesmo o favorito, depois de surpreendentemente ter arrecadado o prémio do Sindicato de Atores. Também a sua co-protagonista Viola Davis parece ter vitória garantida como Atriz Secundária, além de Mahershala Ali que vencerá certamente como Melhor Ator Secundário por Moonlight. O número de nomeações para afro-americanos aumentou e ainda bem.

No entanto, enquanto a Academia parece ter ponderado para evitar que a hastag #OscarsSoWhite ressurgisse este ano (estamos agora no seu contrário #OscarsNotSoWhite), a mesma ainda está longe garantir representações realmente diversas. Afinal este ano a hastag #OscarsSoMale parece ter vindo para ficar e a mesma continua a ganhar ressonância dentro da indústria cinematográfica norte-americana.

Um novo estudo levado a cabo pelo The Hollywood Reporter, compara a falta de diversidade racial do ano passado com a falta de nomeações para mulheres em 2017. O problema para muitos continua a ser dos estúdios que apesar de oferecem já alguns papéis a mulheres mais velhas, com destaque claro para Meryl Streep, de 69 anos, que está nomeada a Melhor Atriz por Florence, Uma Diva Fora de Tom, não têm muitas mulheres a dirigir e liderar projetos. A Academia reflete-o exatamente, sendo que não nomeia uma mulher na categoria de Melhor Realização desde que Kathryn Bigelow se tornou a primeira mulher a vencer o Óscar, em 2010, por Estado de Guerra.

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Kathryn Bigelow foi até agora a única vencedora do Óscar de Melhor Realização.

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Entre as realizadoras, a conceituada Mira Nair (Queen of Katwe), que participou na Roundtable do THR era segundo a imprensa internacional, a única que tinha maiores chances de conseguir uma nomeação este ano. O nome da britânica Andrea Arnold, realizadora e argumentista de American Honey também foi inicialmente cotado entre os sites e casas de apostas on-line, mas nenhuma delas conseguiu fazer parte dos 5 nomes ouvidos no passado dia 24 de janeiro.

Já entre os argumentistas Rebecca Miller, argumentista e também realizadora de Maggie Tem Um Plano e Allison Schroeder, que co-escreveu Elementos Secretos eram as mais prováveis candidatas, muito embora a Academia tivesse apenas nomeado a segunda. Aliás, se fosse a ver por aí, talvez a Academia pudesse abrir mais portas ao cinema que é feito pela Europa fora nomear nomes como Mauren Ade, a realizadora e argumentista de Toni Erdmann e até mesmo Mia Hansen-Løve, realizadora e argumentista de O Que Está Por Vir, com Isabelle Huppert, para as duas categorias respetivas.

A partir do estudo acima referido, as mulheres este ano compõe apenas 20% dos prémios da Academia, o que não inclui, como é óbvio, as categorias de interpretação. Além do mais, tendo em conta os 250 filmes mais vistos em 2016, 24% dos produtores eram mulheres, 17% eram editoras, 17% produtoras executivas, 13% argumentistas e apenas 5% eram diretoras de fotografia.  No total, somente 17% (!!) dos membros da equipa técnica dos filmes americanos estreados no último ano eram mulheres. O problema, de facto, é ainda maior do que os nomeados aos Óscares.

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No entanto, as coisas estão longe de ser totalmente negativas uma vez que algumas mulheres conseguiram ser nomeadas e até fazer história nas estatuetas douradas. Pela primeira vez, a Academia nomeou uma mulher negra para a categoria de montagem, falamos de Joi McMillan por Moonlight. Além disso, Ava DuVernay, a realizadora de Selma conseguiu estar na lista com o documentário 13th e a compositora Mica Levi (a primeira compositora alguma vez candidata à estatueta) conseguiu ser nomeada a Melhor Banda-Sonora Original por Jackie. Também outras 9 mulheres conseguiram ser nomeadas à categoria principal de Melhor Filme.

Tendo em conta estes números, uma questão é certa: nos próximos tempos a pressão sobre os estúdios e sobre a Academia será maior. Esperamos que os próximos Óscares e toda a próxima Awards Season sejam realmente diversificadas, não apenas em questão raciais, mais também em questões de género para que o cinema continue a ser a arte de todos, para todos e sobre todos e não apenas de alguns.

Consulta também: Guia das Estreias de Cinema | Fevereiro 2017

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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