Outlander | Primeiras Impressões da segunda temporada

Após quase um ano de espera, Outlander está finalmente de volta, com a difícil tarefa de manter a qualidade da primeira temporada.

Aviso: pode conter spoilers do primeiro episódio da segunda temporada.

Um dos maiores desafios que as séries têm de enfrentar após apresentarem temporadas de estreia com um nível de excelência, é mostrar que têm a capacidade de se manter nesse mesmo nível no capítulo seguinte, satisfazendo as expectativas dos seus fiéis espectadores, ou eventualmente, exibindo uma segunda temporada ainda melhor.

Outlander estreou em meados de 2014 e apanhou de surpresa tanto a crítica como o público-geral. Parte do mérito vai obviamente para a autora dos livros que serviram de inspiração à série, responsável por escrever a história e os personagens, sem esquecer a equipa envolvida na série, desde argumentistas, realizadores, e claro, os atores que vestem a pele dos heróis da narrativa. A aposta televisiva do Starz elevou bastante a fasquia com a sua primeira temporada, pelo que toda a ansiedade criada em torno do seu regresso foi perfeitamente natural e justificável. Contudo, será que teremos em Outlander mais um caso que exemplifique o nosso velho provérbio “quanto mais alto se sobe, maior é a queda”?

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Poderá ser ainda prematuro fazer qualquer tipo de prognóstico sobre o que a segunda temporada de Outlander nos reserva, ainda assim, após visualizarmos o primeiro episódio da mesma, ficamos já com uma noção dos trunfos da série e, sinceramente, esta só não supera a primeira temporada se não quiser. Começando pela introdução dos protagonistas a um universo completamente novo, a corte intriguista de Versalhes, até aos vários saltos temporais que a história certamente nos reserva, não esquecendo a relação de Jamie e Claire e o futuro dos jacobitas, Outlander tem à sua disposição os elementos necessários para nos oferecer uma temporada com uma sensação mais fresca, mantendo contudo a alma e o espírito que tem vindo a caracterizar a série desde o primeiro episódio de todos.

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Through a Glass, Darkly começa com um voiceover de Claire, “I wished I were dead”, que instala o ambiente da primeira metade do episódio. A nossa heroína encontra-se novamente na Escócia, em Craigh na Dun, mas desta vez no tempo presente, em 1948. O estado dormente e simultaneamente devastador de Claire é mais um excelente exemplo da performance verdadeiramente hipnotizante de Caitriona Balfe, que eleva o seu talento como atriz depois de já ter revelado as suas capacidades na primeira temporada.

 

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Toda a narrativa do episódio localizada temporalmente em 1948 estabelece-se, não só como a melhor parte do episódio, como também mostra a série Outlander no seu melhor. Ficamos a saber que os planos de Claire e Jamie de alterarem o futuro não tiveram sucesso, levando à possível morte do escocês na batalha de Culloden, assistimos ao reencontro de Claire e Frank e à tentativa destes dois personagens seguirem a sua vida em conjunto, recomeçando do zero. Todos estes momentos ostentam uma enorme carga emocional, sustentada pelo excelente trabalho dos atores que os protagonizam, e complementados pela maravilhosa banda sonora de Bear McCreary, que subtilmente começa a apresentar ligeiras mudanças para se enquadrar melhor no mundo que Claire irá conhecer. Esta parcela do episódio termina com a transição muito bem realizada (embora aos olhos de alguns possa parecer algo cliché) do presente para o passado, quando Claire começa a alcançar a mão de Frank na chegada do casal a Boston, simbolizando o novo começo da sua vida, e vemos depois a mão de Jamie a segurar a de Claire, quando estes desembarcam num porto francês.

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Teria sido realmente perfeito se a segunda metade de Through a Glass, Darkly tivesse dado continuidade à intensidade emocional sentida na primeira. A verdade é que embora seja fantástico podermos finalmente rever um dos melhores casais atualmente presentes nas séries televisivas, este reencontro com os personagens fica um pouco aquém do esperado, principalmente se o compararmos com os momentos vividos por Claire e Frank minutos antes. Apesar disso, Outlander habituou-nos a um nível dramático durante a primeira temporada que será seguramente igualado na segunda, e para quem tem dúvidas neste aspeto, basta pensar nos momentos que se perspetivam, como aquele em que Claire e Jamie terão de se despedir, antes da protagonista atravessar as pedras de Craigh na Dun.

Mas até lá, e sem sofrermos por antecipação, muitas aventuras e desafios aguardam os nossos heróis à medida que se infiltram na corte francesa do rei Luís XV. Como já sabemos previamente que a estratégia utilizada pelo casal não irá trazer resultados diferentes na batalha de Culloden, acompanhar os protagonistas neste novo ambiente vai ser bastante interessante, principalmente para vermos onde é que eles falharam.


outlanderTítulo Original: Outlander
Criador: Ronald D. Moore
Elenco: Caitriona Balfe, Sam HeughanTobias Menzies
Starz | Drama, Romance, Ficção | 2016 |

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Filipa Machado

 

Filipa Machado

Licenciada em Estudos Artísticos e uma grande apaixonada (e viciada) por Literatura, Televisão, Cinema e, em especial, por Animação Japonesa.

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