Paul Rudd (em entrevista) | A vantagem de também ser argumentista

 

Paul Rudd, protagonista do filme Homem-Formiga, também foi um dos argumentistas da longa metragem, o que o ajudou a conhecer melhor a narrativa e as personagens. O ator elogiou ainda a capacidade dos produtores da Marvel não terem medo de correr riscos criativos, permitindo que todos os produtos deste universo funcionem.

 

A experiência de filmar com a Marvel foi positiva para Paul Rudd, que acredita que o sucesso dos filmes da Marvel se deve ao facto dos realizadores se preocuparem com a história e com as personagens. “Acho que fazer com que qualquer personagem seja humana é o que nos mantém interessados”, diz numa entrevista em que a Magazine.HD esteve presente.

Paul Rudd, além de interpretar o Homem-Formiga, também colaborou na construção do argumento do filme. Esta tarefa permitiu ao ator ter uma maior visão sobre todas as personagens e suas motivações, bem como de todas as narrativas da longa metragem.

Paul Rudd

 

O facto de ser um dos argumentistas deste filme torna-o mais pessoal?

Paul Rudd (PR): Quando se trabalha no argumento do filme temos uma maior visão sobre todas as personagens do filme, porque estamos a pensar nas suas motivações; está-se a pensar nas suas histórias, como é que cada uma das suas decisões as afetam. Tenho uma compreensão muito mais abrangente da história do que quando disse que sim e não era um dos argumentistas.

 

Escrever também ajuda na pesquisa para a personagem?

PR: Sim, sinto que conheço melhor a história. Posso chegar a uma cena e ter logo um entendimento mais profundo da mesma. Mas essa também é uma das formas que a Marvel tem de trabalhar, que é “vamos tentar de todas as maneiras possíveis”, logo é bom ter esse tipo de base e foi dessa forma que comecei a encarar as coisas. É como se nada fosse definitivo. Este foi o modelo a partir do qual se trabalhou, mas podia ter sido apenas um ponto de partida.

 

Foi surpreendido pela forma orgânica como a Marvel trabalha?

PR: Não sei se surpreendido é a palavra certa. Já tinha trabalhado assim, em que quando uma pessoa tinha uma ideia experimentávamos e trabalhávamos à volta da mesma. De repente, surgiam novas preocupações, notas, ideias e pensava “De onde é que isto veio?”. Foi certamente proveniente dos poderes existentes, desde o produtor, Kevin Feige, ou do resto da equipa da Marvel que consegue projetar uma imagem maior do que aquela que tenho na cabeça. Deixo-me levar pela maré para ver até onde vai. Quando trabalhei assim, foi em comédias com um orçamento baixo, e por isso poder trabalhar assim, num filme desta escala, foi novo para mim.

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Chegou-se a um ponto em que o podem seguir com os efeitos visuais para que haja uma maior liberdade no cenário?

PR: Sim. Suponho que não seja muito diferente de fazer a dobragem de um filme de animação ou algo em que não se está preso à personagem. Se temos uma ideia, os animadores vão trabalhar à nossa volta. É semelhante nesse sentido. É fantástico porque penso que é algo que todos os que trabalham com a Marvel sentem, a única coisa importante é que o filme seja bom. Não têm medo de correr riscos criativos ou de pensar mais além. Não se contêm e se têm uma ideia, mesmo que pareça estapafúrdia, tentam na mesma. Pode não resultar sempre, mas se querem explorar e estão entusiasmados têm de verificar se é tangível. Isso faz com que trabalhar nestes filmes seja realmente divertido.

 

O facto do histórico da Marvel ser recheado de grandes êxitos deixa-o mais nervoso ou confiante?

PR: Sem dúvida que o histórico é muito bom. Uma coisa que tenho aprendido é que Kevin Feige é um cientista louco, tal como todos os que conheci na Marvel, mas são fãs. São fãs de bandas-desenhadas e sabem do que gostam nelas e do que os fãs gostam. Para além de toda a ação e de todos os efeitos visuais preocupam-se com as personagens e com a história. É isso que faz com que funcione.

 

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Conte-nos a história do filme Homem-Formiga.

PR: Quando o filme começa, há um acontecimento na Pym Tech, a antiga empresa de Hank Pym, de onde foi expulso. Agora está a ser dirigida por Darren Cross. Darren tem vindo a desenvolver a sua própria formula de partículas Pym, as partículas Cross, e tem desenvolvido esta tecnologia e este fato por conta própria. Sempre ouviu falar da lenda do Homem-Formiga e mesmo que não lhe tenha sido contada abertamente por Hank, decidiu segui-la. Mas Hank não quer isso no mundo. Escondeu a sua tecnologia e manteve-a longe de todos porque se caísse nas mãos erradas seria o caos.

A minha personagem Scott não tem nada a ver com Hank Pym. Na verdade, Scott está a sair da prisão onde tem estado por ter usado as suas habilidades únicas para derrubar uma empresa. Hank Pym escolheu-o e observou-o criando um cenário onde tem de aplicar os seus truques. Scott acaba por invadir a casa de Pym para arranjar algum dinheiro para sustentar a filha, que é a única pessoa com quem se preocupa de verdade. Pym trata de tudo para que Scott roube o fato especial e perceba um pouco do que se passa. De seguida, trazia Scott para o seu mundo e ensinava-o a usar o fato corretamente.

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Acha que interpretar personagens tão humanas faz com que a história seja mais acessível?

PR: Acho que fazer com que qualquer personagem seja humana é o que nos mantém interessados. Pode-se ter uma sequência de luta fantástica ou os melhores efeitos especiais, mas nada disso é profundo. Isso não nos marca a não ser que haja uma ligação com as personagens. Este filme funciona em todos estes pontos. Tem sequências de ação incríveis, algumas de luta e outras mais simples e todas as cenas deste filme nunca foram vistas antes. Parte da tecnologia e do que fizeram nunca tinha sido feito anteriormente, logo vai ser muito impactante, mas espero que o mais importante para o público seja o que acontece entre as personagens e as suas relações interpessoais.

Paul Rudd

Qual a sua reação quando descobriu que Michael Douglas estava no elenco a interpretar Hank Pym?

PR: Fiquei emocionado. Estava eufórico por ele querer fazer o filme. Tenho tido o prazer de trabalhar com alguns atores lendários e Michael Douglas entra nessa categoria. Estava entusiasmado com o fato de o poder conhecer por ser seu fã. É tão bom em tantos bons filmes. Imaginá-lo neste papel foi muito entusiasmante.

 

Apresente-nos Hope van Dyne.

PR: Hope é a filha de Hank Pym, interpretada por Evangeline Lilly. Trabalha na Pym Tech com Darren Cross e tem vários problemas com o pai. Sente muita raiva e teve várias deceções na vida. Tem também habilidades incríveis. Hope passa por várias situações neste filme, sendo uma delas o fato de não gostar de Scott Lang e de não perceber o porquê de estar envolvido nesta história. Sente-se perdida e rejeitada pelo pai. Continua a trabalhar na empresa de onde o pai foi expulso e reconhece que possivelmente Darren Cross é psicótico.

Catarina Fernandes

Mestre em Ciências da Comunicação e fotógrafa amadora. Seriófila compulsiva e apaixonada por literatura, assim como pelo cinema e pela sua história. (Extremamente) Viciada em música e concertos.

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