Estreou no passado dia 25 de setembro no catálogo da Netflix em todo o mundo a nova minissérie espanhola “O Problema Final” (2026, Marisol Ferré, Alberto Macías e Carlos Molinero).
Analisamos o primeiro episódio desta nova minissérie que cruza o universo de Arthur Conan Doyle, a partir da personagem Sherlock Holmes, com o espírito de Agatha Christie. Uma série de época sobre um suicídio que acaba por se revelar como um crime.
Qual a narrativa de O Problema Final?
“O Problema Final”, a nova minissérie da Netflix, adapta o romance homónimo de Arturo Pérez-Reverte, publicado em 2023 e que faz referência a um conto de Sherlock Holmes.
O protagonista é Benjamin Basil (interpretado por José Coronado), um ator em decadência que outrora interpretou o grande detetive de Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes.
Benjamin pretende reiniciar a sua carreira até que chega a um hotel e acontece um crime. Apesar de se querer afastar da sua personagem ficcional, a sua dedução vai revelar-se importante quando todos os hóspedes e funcionários acreditam que foi um mero suicídio.
Um início algo morno para uma minissérie que aparenta ter algum potencial

“O Problema Final” tem estado no top dos mais vistos da Netflix desde a sua estreia. O mistério da série e as referências a Sherlock Holmes poderão ser das principais razões para tal facto. Contudo, ao ver o primeiro episódio desta minissérie, considero que a obra poderia ter ido mais além e não ficar apenas como algo ‘déjàvu’.
Nesse sentido, a direção de arte que reconstitui os anos 1960, numa ilha visualmente cinematográfica é dos pontos fortes desta nova minissérie. Por outro lado, a minissérie fica demasiado presa à sua homenagem a Sherlock Holmes e, indiretamente, aos policiais de Agatha Christie. Lembremos, por exemplo, a obra “No Início, Eram Dez…”, lançado pela autora inglesa em 1939. Embora a história seja diferente, não é assim tão estranha a relação de proximidade pela presença da ilha e dos crimes.
O que também resulta em “O Problema Final” é mesmo a apresentação da personagem Benjamin Basil que surge logo em falsas imagens de arquivo a interpretar a personagem Sherlock Holmes. Ele reflete no seu grande êxito de carreira, enquanto aguarda um novo começo, com um filme de produção norte-americana. É também nessa ocasião que se cruza com o seu amigo Fonsi (Gonzalo de Castro) que o convida para ir até Maiorca. Contudo, devido ao mau tempo, ficam numa outra ilha isolada.
Afinal, quem matou Elisa e porquê?

É ali naquele Hotel Ausländer que a hóspede Elisa (Paloma Bloyd) surge morta. Tudo indicia ser um suicídio. Contudo, Benjamin Basil desconfia… Percebe que há indícios de crime e que houve encenação. Inicialmente, só o escritor Francisco Foxá (Martiño Rivas), também ali alojado, acredita nas suspeitas de Benjamin.
Ainda assim, Benjamin vai encontrar suspeitas em todo o lado, em todos os hóspedes. Olhares suspeitos, conversas estranhas. Quem poderá ter matado Elisa? Quando o Dr. Seruya (Pepón Nieto) vai fotografar o cadáver e retira a corda, Benjamin vê-o como principal suspeito… Até que, por fim, o episódio fecha com o Dr. Seruya assassinado… Onde é que já vimos isto? Clássico ‘cliché’ do policial…
Em traços gerais, “O Problema Final” é uma série cujo tratamento de época e personagens tem bastante profundidade. Já no que diz respeito ao argumento, é tudo muito pouco original e a própria realização da série onde nem sempre a iluminação favorece os contextos de cada cena, deixa também um pouco a desejar… Aguardo pelos próximos episódios. No entanto, com pouca espectativa. Nem o próprio José Coronado – com uma grande presença, por exemplo, na série “Princípe” (2014-16, César Benítez e Aitor Gabilondo), exibida há uns anos na RTP2 – , salva este 1.º episódio onde surge ‘apagado’ e algo caricatural.
O Problema Final
Conclusão
- A nova minissérie espanhola da Netflix “O Problema Final” estreou há pouco mais de uma semana e continua no top dos mais vistos desde então.
- A série apresenta algum potencial. No entanto, fica muito aquém. Um argumento pouco original, sustentado pelo típico policial de Arthur Conan Doyle e Agatha Christie, onde só a direção de arte e a profundidade das personagens se destacam.

