Alan Tudyk dá vida a uma das melhores personagens do ano | © Syfy

Resident Alien, primeira temporada em análise

“Resident Alien” já estava no nosso radar das estreias televisivas de 2021. Mas agora podemos confirmar que merece de facto um lugar de destaque, principalmente pela prestação de Alan Tudyk. 

“Resident Alien” é uma das mais recentes apostas do canal SyFy Portugal, baseada na banda-desenhada de Peter Hogan, publicada pela Dark Horse Comics. A primeira temporada terminou no passado dia 12 de abril, deixando em aberto a continuação, que foi prontamente confirmada. Sendo a série da autoria de Chris Sheridan, produtor e guionista de “Family Guy”, já esperávamos um resultado divertido, o qual acabamos por comprovar. O original da SyFy acabou por nos transportar para o final da década de 80, altura em que os E.T’s invadiram o pequeno e o grande ecrã. E vem provar que de conceitos simples, ainda nascem boas séries.

A premissa de “Resident Alien” é, como dissemos, simples: um extraterrestre chega à Terra com a missão de exterminar a raça humana. O problema normalmente começa quando estes ‘temíveis’ seres descobrem os prazeres mundanos que o nosso pequeno planeta esconde. Sabemos que nem todos vêm com este objetivo, por exemplo, ALF e o próprio E.T despenharam-se e procuravam simplesmente uma maneira de regressar a casa. Contudo, um tinha um estranho apetite por gatos (prato normal no seu planeta) e o outro reeses (smarties). Já Dr. Harry Vanderspeigle, protagonista de “Resident Alien”, chegou a adiar o fim do mundo por fatias de pizza… caixas delas.

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Harry Vanderspeigle (Alan Tudyk) na sua forma humana | © Syfy

No entanto, Harry pouco ou praticamente nada tem a ver com os dois extraterrestres. A sua história é mais parecida à de Kim Basinger em “A Minha Madrasta É Um Extraterrestre” (1988), com a exceção do casamento. Basinger, na pele da alien Celeste Martin, vem para a Terra depois do astrofísico Steven Mills (Dan Aykroyd) ter acidentalmente ameaçado o seu planeta. Para se aproximar de Mills, Celeste teve de aprender a língua e os costumes humanos através da televisão (tirando a parte que não se deve pôr as mãos em água a ferver ou beber baterias dos carros, pormenores..). Harry passou por um processo semelhante ao absorver tudo sobre o comportamento e fala humana através da série “Lei & Ordem”. Sendo que o melhor desta parte foi ouvi-lo a imitar em diversas situações o som característico da série. E, ao contrário de Celeste, que já ‘desce’ à Terra num corpo humano, Harry teve de roubar (e matar) o verdadeiro Harry Vanderspeigle – conseguindo alternar entre as duas formas.

Uma vez habituado à sua nova pele, o objetivo do alien era o de encontrar as peças em falta da sua nave para assim concluir o seu derradeiro propósito de nos exterminar. No entanto, mal consegue ganhar alguma funcionalidade, é confrontado com os habitantes da remota cidade de Patience, no Colorado, que o recrutam forçadamente para ser o novo médico local, uma vez que o seu havia sido assassinado. O que começou por ser apenas um pedido de autópsia ao falecido Dr., acabou por se prolongar, levando Harry a ter de aprender – desta vez via online – a ser o Dr. Vanderspeigle para manter o disfarce. No seu caso, é ET de madrugada e o médico de família local durante o resto do dia.

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O melhor da série é precisamente este: ver o incrível Alan Tudyk a atravessar todas estas peripécias. O ator texano, que recentemente completou o seu 50º aniversário, é mais facilmente reconhecido por emprestar a sua voz tanto a animações para miúdos e graúdos, como também a longas-metragem. Para além de ter participado em vários episódios de “American Dad!”,  Tudyk interpretou Iago no live-action de “Aladdin“, e encontra-se presentemente nas salas de cinema nacionais com “Raya e o último Dragão“, como o caricato Tuk-Tuk. Mas foi uma das suas prestações “em carne e osso”, mais precisamente em “Con Man”, que lhe valeu uma nomeação ao Emmy para Melhor Ator numa Série de Comédia. Feito que talvez consiga novamente com “Resident Alien”, seria merecido. Aliás, série tem vindo a reunir críticas bastante positivas, contanto com uma pontuação de 8,3 no IMDb e de 93% no Rotten Tomatoes.

Dr. Harry Vanderspeigle parece ter sido feito para Tudyk, que claramente veste a pele extraterrestre como se fosse a sua roupa casual. Desde os tiques da fala, à forma de andar ou mesmo a postura, o ator incorpora-os sem esforço e sem vacilar. A forma como observa os seres humanos e as caretas que faz perante os nossos hábitos são imperdíveis. Capaz de eliminar qualquer réstia de mau-humor que possamos ter. Das melhores prestações de comédia de 2021 que vimos até agora. Aliás, o principal problema da série é quando Tudyk não está em cena. Salvo o praticamente estreante Judah Prehn e Alice Wetterlund, o restante elenco ressente a sua presença.

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Harry (Tudyk) numa das suas tentativas de matar Max (Judah Prehn) | © Syfy

Prehn dá vida a Max, o único habitante da outrora calma cidade capaz de ver a verdadeira forma de Harry. Esta capacidade altamente invulgar (afeta 1 em cada milhão de humanos) leva o alien primeiramente a querer fazê-lo desaparecer, até perceber que talvez tenha ali um aliado e não um alvo a abater. Até lá, os vários cenários imaginados por Harry para se desfazer da criança são uma verdadeira fonte de entretenimento. Max também não facilita em nada a vida ao Dr., procurando constantemente formas de desmascará-lo, principalmente quando forma dupla com a colega de escola, Sahar (Gracelyn Awad Rinke), a única que acredita nele. À semelhança de Tudyk, Prehn encaixa igualmente bem no seu papel de criança irritante e abelhuda (à falta de melhor palavra). Mas, notavelmente, sabe evoluir em função do crescimento da sua amizade com Harry. Juntos acabam por protagonizar alguns dos melhores momentos da série.

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Já em relação a Wetterlund, podemos dizer que a atriz não era propriamente estranha a este ambiente. O seu currículo inclui “People of Earth”, uma série na qual um grupo de excêntricos acredita ter sido raptado por aliens. Aqui a sua personagem não partilha da mesma crença, pelo contrário D’Arcy acaba por se apaixonar (ou perto disso) por Harry. Sentimento que não é recíproco e que resulta num dos beijos mais estranhos dos últimos tempos. Mas, não te iludas, porque o romance é algo praticamente inexistente em “Resident Alien” – e ainda bem. D’Arcy acaba por ser o outro elemento cómico da série, ao ser a dona alcoólica do único bar da cidade intitulado “The 59”, o orgulho e mote de Patience, que conta a história do grupo de 59 mineiros locais que morreram para salvar um. História que Harry demora o seu tempo a processar.

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Harry (Tudyk) numa das suas tentativas de ser humano ao lado do seu braço direito, a enfermeira Asta (Sara Tomko) | © Syfy

Contudo, a ação de “Resident Alien” não se limita à pacata cidade entre montanhas, a chegada de Harry desperta também o interessente da General McCallister (Linda Hamilton), que acaba por ser a vilã da série. Apesar de fazer parte das forças militares, McCallister tem a sua própria agenda, liderando uma operação secreta que aguardava pacientemente pela chegada de um ser de outro mundo. Desejo que é realizado, mas que acaba acidentalmente por também ajudar Harry (isto para não entrarmos em grandes spoilers).

Em suma, esta é a história de um alien que teve de se tornar residente de uma pequena cidade, à medida que tentava montar a sua nave e, consequentemente, o seu plano para destruir a população mundial. Uma criança, militares e várias caixas de pizza atravessaram-se no seu caminho e deixaram-no aberto para a segunda temporada. Agora vamos ter de esperar, possivelmente até janeiro do próximo ano, para continuar a aventura de Harry Vanderspeigle. Até lá, esperamos que o SyFy Portugal estreie “Devil May Care“, a nova série de animação do ator, na qual empresta a sua voz ao diabo. Mas uma coisa é certa, a personagem criada por Alan Tudyk irá certamente entrar para o nosso ranking das melhores personagens do ano.

Resident Alien, primeira temporada em análise

Name: Resident Alien

Description: Harry é um alienígena que aterra no planeta Terra e decide assumir a identidade de um médico de uma pequena cidade do Colorado. Ao longo do tempo de convivência com os humanos, depara-se com um dilema moral: valerá a pena cumprir a sua missão secreta na Terra e salvar a humanidade?

  • Inês Serra - 80
80

CONCLUSÃO:

Alan Tudyk tem finalmente um papel principal feito à sua medida, que o permite brilhar e dar-nos uma das melhores personagens do ano, o alien Dr. Harry Vanderspeigle. Com um argumento simples, “Resident Alien” conquistou-nos e relembra-nos que não é preciso complicar para criar uma boa série.

Pros

  • Alan Tudyk
  • Ver o alien criado por Peter Hogan ganhar vida
  • Judah Prehn e Alice Wetterlund
  • A dinâmica entre Tudyk e Prehn

Cons

  • O elenco secundário não consegue acompanhar Tudyk
  • Aguns clichés típicos das narrativas aliens
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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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