O vestuário de Rogue One | A Aliança Rebelde

Nesta última parte da análise do vestuário de Rogue One, examinamos os figurinos e o harmonioso caos visual da Aliança Rebelde.

 


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Depois de três páginas a examinar o vestuário das forças do Império Galáctico, já se tornou claro que os grandes antagonistas de Rogue One são, como é costume no universo Star Wars, caracterizados por um visual de severa homogeneidade, eliminação do indivíduo e desumanização. Em contraposição a essa estética, temos os seus inimigos e nossos heróis, A Aliança Rebelde que tenta repor a república na Galáxia que, neste filme, encontra-se sob o regime autocrático do Imperador Palpatine ou Darth Sidious.

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De forma geral, os figurinos das forças rebeldes neste filme mostram uma reciclagem e reprodução de ideias e visuais já muitas vezes repetidos nesta saga. Por exemplo, no caso de Mon Mothma, estamos perante uma reprodução direta de um figurino já antes visto em O Regresso do Jedi. A única ligeira diferença na indumentária desta diplomata e líder revolucionária, é o uso de materiais mais ricos que aqueles originalmente empregues na trilogia original.

rogue one star wars

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Essa discreta mudança de materiais e maior primor executivo marca presença em muitos dos figurinos da Aliança rebelde que já nos eram familiares. Para além de Mon Mothma temos outras reproduções quase exatas, como os uniformes de pilotos que, neste filme, têm uma variação em cinzento azulado. Essa alteração, que não implica a ausência dos icónicos macacões cor-de-laranja, dever-se-á principalmente a uma necessidade de encontrar coesão estética num filme que, apesar de variedade estilística, é dominado pelo uso de castanhos e cinzentos discretos.

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A única ocasião onde podemos apreciar algumas exceções notórias a essa regra de cinza e castanho é uma reunião entre vários líderes rebeldes. Mergulhados na escuridão e observando temerosamente um holográfico da Estrela da Morte, a comitiva diplomática e militar é uma coleção de estilos distintos que, no entanto, são harmoniosos entre si, mostrando todos uma certa depuração minimalista em relação, por exemplo, à ostentação faustosa das prequelas.

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Mesmo assim, na escuridão, Mon Mothma consegue dominar visualmente a cena, e, para além do mais, as cores dos vários figurinos nunca são de uma intensidade particularmente chamativa ou dissonante. Até no caso de uma diplomata coberta em brilhantes drapeados doirados.

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De destacar ainda, está o aparecimento do Senador Bail Organa, vestido numa indumentária castanha e minimalista que reproduz de forma exímia os estilos dominantes da trilogia original. Também merecedor de algum reconhecimento é a coleção de figurinos que vestem os soldados que acompanham Jyn Erso na sua insana missão à base imperial de Scarif. Apesar de muito semelhantes, e unidos pelas referências comuns aos uniformes americanos usados na 2ª Guerra Mundial e Guerra do Vietname, estas criações têm certas idiossincrasias que conferem nuances caracterizantes ao que são, no seu âmago, figurantes.

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Nesse precário equilíbrio entre heterogenia concetualmente necessária e a harmonia estética de um filme coeso, os figurinistas David Crossman e Glyn Dillon conseguiram delinear as grandes diferenças ideológicas entre o Império e a Aliança. Enquanto o regime de Palpatine é caracterizada pela desumanização e coletividade forçada pelo medo a um ditador, na Aliança valoriza-se o valor intrínseco de cada vida individual, ao mesmo tempo que todos estão unidos por uma causa comum.

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Assim termina a nossa análise dos figurinos de Rogue One. Para além de servirem como elementos vitais na materialização de um universo fantasioso, as indumentárias vestidas pelos atores e figurantes do filme representam em si, um discurso visual que, ocasionalmente, é tão ou mais importante que o próprio texto. Afinal, o que seria da saga Star Wars sem o ameaçador capacete de Darth Vader, a desumana armadura dos stormtroopers ou as modestas vestes dos cavaleiros Jedi, Star Wars não seria, de todo, o franchise cinematográfico que tem apaixonado milhões desde 1977.

 


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Se apreciaste esta extensa e detalhada examinação do guarda-roupa de Rogue One, vem explorar a nossa rubrica Figura de Estilo, onde poderás encontrar semelhantes análises sobre outros filmes e séries.

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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