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A ideia por trás da gama BRAVIA Theatre de 2026 da Sony é sedutora: em vez de te obrigar a um recetor A/V, a metros de cabo de coluna e a uma tarde inteira de instalação, a Sony deixa-te montar um sistema de som de cinema peça a peça, tudo sem fios. Começas na barra, acrescentas um subwoofer quando quiseres mais graves, juntas as colunas traseiras quando quiseres som a envolver-te — e a app faz o resto. A combinação que aqui analiso é o “degrau do meio” bem recheado: a barra Bar 7, o subwoofer Sub 7 e os traseiros Rear 9, que juntos entregam um sistema 5.1.2 com altura real de Dolby Atmos. Parece cinema? Sim, mas vamos por partes, tal como o produto em si.

Ficha técnica

  • Bar 7 (barra): 5.0.2 sozinha (5.1.2 com sub) · 9 altifalantes (woofers X-Balanced esquerdo/direito, tweeters, central de gama completa, disparo lateral e vertical) + 4 radiadores passivos · 95 × 6 cm, ~4,6 kg
  • Ligações: 2× HDMI (1 entrada com passagem 4K/120 Hz, VRR e ALLM + 1 eARC) · Bluetooth · AirPlay · Spotify Connect
  • Formatos: Dolby Atmos, DTS:X, 360 Reality Audio · 360 Spatial Sound Mapping · Voice Zoom 3
  • Sub 7 (subwoofer): sem fios, compacto · 1 driver de 130 mm (5,1″) com porta de graves · 100 W · posição horizontal ou vertical
  • Rear 9 (traseiros): par sem fios · driver de disparo vertical de 80 mm (altura) + driver frontal (surround) · suporte giratório · requer ligação à corrente (sem bateria)
  • Setup: totalmente sem fios, via app Bravia Connect / Sony Home Entertainment Connect
  • Preços de referência: barra ~600 £ / ~870 $ · Rear 9 ~750 $/par · sistema completo à volta dos 2000 € (confirma os valores atuais em Portugal)

A filosofia: modular e sem fios

O que me agrada nesta abordagem é a liberdade. Tudo se liga por rádio e configura-se pela app, e podes crescer ao teu ritmo: a barra sozinha já faz muito, o Sub 7 acrescenta o grave, os Rear 9 fecham o círculo surround. E é expansível para lá disto — a barra aceita um ou dois subwoofers (Sub 7, 8 ou 9) e os traseiros Rear 8 ou Rear 9. É o oposto da dor de cabeça de um sistema tradicional com recetor e cabos por todo o lado. Para quem quer cinema em casa sem transformar a sala numa teia de fios, é meio caminho andado. E, claro, deixa-nos ir gastando dinheiro aos poucos.

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A Bar 7: o coração, com diálogos de primeira

A barra é o elemento central e substitui a antiga HT-A7000. A Sony descreve-a como 5.0.2, e por baixo há nove altifalantes: woofers e tweeters X-Balanced à esquerda e à direita, uma central de gama completa, drivers de disparo lateral e vertical para os efeitos de altura, e ainda quatro radiadores passivos para dar corpo ao grave. Mede 95 cm de largura por uns magros 6 cm de altura, por isso encaixa por baixo de quase qualquer televisão.

O ponto mais forte, são os diálogos. A Sony alargou o padrão de dispersão da central e, com o Voice Zoom 3 (quando emparelhada com uma TV BRAVIA compatível), as vozes cortam a ação sem teres de puxar o nível de diálogo para cima. É cristalino. Para quem joga, há ainda um bónus: a entrada HDMI faz passagem de 4K a 120 Hz com VRR e ALLM, o que a torna uma excelente companheira de uma PS5 ou Xbox Series X. Contudo, fica um reparo de usabilidade que é importante: o design é minimalista ao ponto de não haver visor visível nem controlos físicos na barra. É elegante, mas quando queres confirmar a entrada ou a fonte, dás por ti dependente do comando (pequenino) e da app. Um problema? Nem por isso, na maioria das vezes.

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O Sub 7: controlado, mas não abana a sala

Aqui começam os compromissos. O Sub 7 é compacto e versátil — um único driver de 130 mm com porta de graves e 100 W, que podes pôr na horizontal ou na vertical conforme o espaço. E o que entrega, entrega bem: graves firmes, de controlo apertado, que preenchem o campo sonoro com elegância, sem latência. O que ele não faz é abanar a sala. Esta é a crítica que posso apontar, mas a verdade é que este é o Sub mais fraco que poderia colocar nesta barra. Portanto, para efeitos de cinema com impacto profundo, o Sub 7 fica curto no grave mais abissal. Para a maioria das salas e para o dia a dia, chega perfeitamente; se és daqueles que quer sentir as explosões no peito, o salto para um Sub 8 ou Sub 9 (ou até dois subs) é o caminho — e é precisamente por isso que a Sony os vende em separado. Mas esse é o cenário para quem quer algo realmente forte, porque a grande maioria das pessoas fica bem com o Sub 7, não gasta mais dinheiro e já tem uma experiência mesmo muito acima ao que seria apenas ter uma TV a emitir som.

Os Rear 9: a peça que faz a diferença (com um senão)

Se a Bar 7 e o Sub 7 dão um bom 5.1.2 “projetado”, são os Rear 9 que transformam a experiência em surround a sério. Vou já ser direto: muito bom para este preço! Substituem os antigos SA-RS5 e, mais importante, trazem um driver de disparo vertical de 80 mm que faz ricochetear o som no teto para efeitos de altura Atmos genuínos vindos de trás, além de um driver frontal para o surround. Têm ainda um suporte giratório para apontares o som ao ponto de escuta. É aqui que o Atmos ganha a terceira dimensão a sério. A experiência é fantástica!

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Mas há um senão que tens mesmo de pesar: ao contrário dos antigos RS5, os Rear 9 não têm bateria interna. Precisam de estar ligados à corrente em permanência. Na prática, isto significa que, por muito “sem fios” que o som seja, vais precisar de uma tomada perto de cada coluna traseira — o que pode complicar a colocação numa sala onde não há tomadas atrás do sofá. É o tipo de detalhe que dá jeito saber antes de comprar. Se não for um problema, então o que posso dizer é que a experiência com os Rear transforma-se!

Configuração e som no conjunto

A instalação é das mais simples que há. Emparelhas tudo pela app e corres o 360 Spatial Sound Mapping, a calibração de sala da Sony, e foi mesmo muito fácil (parabéns à Sony por isto). Ela “cria” colunas fantasma a partir do nada e adapta o som ao teu espaço em segundos.

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No conjunto, o som é envolvente, dinâmico e com uma clareza notável, e é aqui que temos de ter em conta o preço, porque este acaba por ser um conjunto mais simples das várias combinações que podemos ter nesta nova estratégia da Sony. O diálogo é cristalino, a calibração, o palco imersivo e o grave controlado (não esquecer que é o Sub mais fraco), e destaque especial para a sensação de som vindo de cima que os Rear conseguem criar. Por outro lado, há algumas limitações de conetividade para música e a falta de opções de equalização para quem gosta de afinar o som ao detalhe. É um problema? Não para a maioria dos utilizadores, mas é um detalhe importante para quem seja mesmo um utilizador extremo da qualidade de som. A verdade, provavelmente, está no meio: é um sistema que soa muito bem, muito fácil de usar, que podemos ir construindo aos poucos e que tem pouca concorrência neste preço.

Veredito

Contudo, todo o conjunto não fica barato, sendo possível ter tudo isto por uns 1800 euros. Não é barato, e por isso, a parte modular é fundamental. Mas esta ideia é parte do que procuro: algo que possa construir aos poucos, para não gastar logo tudo de uma vez, e que no fim seja um resultado de topo e sem fios! O conjunto Sony BRAVIA Theatre Bar 7 + Sub 7 + Rear 9 é cinema em casa para quem valoriza a conveniência acima de tudo. Instala-se rapidamente, não enche a sala de cabos, calibra-se praticamente sozinho, tem diálogos de primeira e entrega um Dolby Atmos com altura real graças aos Rear 9. Como solução limpa, elegante e “faz-tudo” para a sala de estar, é dos pacotes mais fáceis de viver que há.

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Recomendo-o a quem quer um grande salto no som da TV sem a complicação de um recetor e colunas tradicionais, a quem dá valor a vozes nítidas, a uma instalação sem dores de cabeça, e a quem tem tomadas convenientes para alimentar os traseiros. Pensa duas vezes se és um fanático dos graves profundos (o Sub 7 fica curto — vais querer um Sub 8/9), se gostas de afinar tudo ao pormenor com equalizadores e opções de música avançadas, ou se não tens como levar corrente até às colunas traseiras. Para todos os outros, que querem o máximo de cinema com o mínimo de esforço, este sistema cumpre com um brilho que poucos igualam — desde que aceites os compromissos certos. Num ano de grande inovação tecnológica em muito do que fomos analisando aqui na MagazineHD, este conjunto estará, facilmente, no top de 2026, e isso é um grande elogio.


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