De vez em quando aparece uma televisão que não é apenas “mais uma iteração”, mas o arranque de uma tecnologia nova. A Sony BRAVIA 7 II é isso mesmo. Sucessora da BRAVIA 7 de 2024, chega em 2026 a estrear (depois de ter chegado a BRAVIA 8 II)— ao lado da irmã mais cara, a BRAVIA 9 II — a grande aposta da Sony para os próximos anos: a retroiluminação True RGB. E o resultado é impressionante ao ponto de ter ganho vários prémios por todo o lado.
Mas, como sempre, o retrato completo é mais interessante do que o título. Vamos por partes.
Ficha técnica
- Tipo: LED 4K com retroiluminação True RGB Mini-LED (Sony)
- Tamanhos: 50″, 55″, 65″, 75″, 85″ e 98″
- Brilho máximo: cerca de 2000 nits (a BRAVIA 9 II, o topo, chega perto do dobro)
- Processador: XR Processor com IA · RGB/XR Triluminos, XR Clear Image, XR Motion Clarity, X-Wide Angle Pro
- HDR: Dolby Vision, HDR10, HLG · IMAX Enhanced · modos calibrados Netflix e Sony Pictures Core
- Sistema: Google TV 14 · Chromecast integrado · AirPlay 2 / HomeKit · Wi-Fi 6E · Bluetooth 5.3
- Som: Dolby Atmos e DTS:X · som “vindo do ecrã” · Voice Zoom 3 e calibração de sala por IA
- Gaming: 4K a 120 Hz, VRR, ALLM, funções para PS5 — mas largura de banda HDMI 2.1 só em duas das portas
- Preço: premium (o modelo de 65″ ronda os 2.599 dólares, com valores equivalentes cá; disponível na Worten, Fnac e El Corte Inglés)
O que é, afinal, o “True RGB”?
Vale a pena perceber isto, porque é o coração do produto. Uma TV Mini-LED clássica ilumina o ecrã com milhares de pequenos LEDs azuis, cuja luz é depois convertida em branco por uma película de pontos quânticos, antes de passar pelos filtros de cor. Parece complexo? Talvez, mas a Sony deitou fora esse esquema. Na True RGB, cada zona da retroiluminação tem LEDs vermelhos, verdes e azuis controlados individualmente — a própria luz de fundo já nasce colorida, sem depender de conversões e filtros.
Na prática, isto traduz-se em cores mais puras e saturadas, menos “florescência” (aquele halo de luz à volta de objetos brilhantes sobre fundo escuro) e uma gama de cor muito mais ampla. A Sony fala em algo como o dobro do volume de cor da BRAVIA 9 original. É a mesma filosofia do topo de gama 9 II a descer um degrau, para um preço (um pouco) mais acessível.
Qualidade de imagem: aqui é que ela brilha
E cumpre. Em sala escura, a BRAVIA 7 II é soberba: pretos profundos, contraste altíssimo e um brilho de pico na casa dos 2000 nits que faz os filmes em HDR saltarem do ecrã com um impacto notável. As cores são o ponto alto absoluto — várias medições independentes classificaram-na como a TV 4K mais fiel na reprodução de cor de 2026, um feito que se mantém mesmo quando comparada com a própria BRAVIA 9 II, mais cara. E isto foi uma surpresa! Junta a isto o processamento de imagem da Sony, que continua a ser o melhor do mercado a limpar ruído, a suavizar movimento e a eliminar o judder (aquele tremer da imagem em travellings lentos), e tens uma das melhores imagens que o dinheiro compra. E sim, a TV tem, algumas falhas, porque não existem produtos perfeitos, mas é incrível o impacto que esta imagem tem quando estamos ao vivo a ver um filme ou a jogar.
Agora a honestidade que uma boa análise exige. Os testes mais rigorosos apontaram que a nova retroiluminação RGB, por mais avançada que seja, ainda é “um bocado limitadora” nesta geração — há cenas em que a imagem fica melhor quando o sistema recorre ao branco tradicional do que quando explora o RGB a fundo. E, apesar da tecnologia X-Wide Angle Pro, o ângulo de visão continua apenas mediano: sentado de lado, a cor e o contraste degradam-se mais do que gostaria e este é um dos pontos mais fracos. É um painel VA, e nota-se. Para quem vê televisão de frente numa sala escura, é quase perfeito; para uma sala larga com gente espalhada pelos lados, a imagem continua a ser boa, mas perde-se a magia de uma TV quase perfeita.
Processamento e software: o costume da Sony (ou seja, muito bom)
O XR Processor com IA analisa cada cena em tempo real e ajusta cor, contraste e detalhe de forma que raramente falha. Por cima corre o Google TV 14, com acesso a milhares de apps, Chromecast integrado, AirPlay 2 e HomeKit para quem vive no ecossistema Apple, Wi-Fi 6E e Bluetooth 5.3. Há modos calibrados para Netflix e para o Sony Pictures Core (que transmite filmes HDR até 80 Mbps, bem acima dos 15-25 Mbps do streaming normal, e traz uma biblioteca IMAX Enhanced, além de um pacote de filmes e meses de streaming incluídos). Cada painel é calibrado de fábrica, um a um. É o tipo de conjunto maduro e completo em que a Sony é imbatível. A verdade é que rapidamente percebi que estava perante algo realmente diferente!
Som: melhor do que a maioria das TVs planas
Outro ponto forte tradicional da casa. A BRAVIA 7 II usa a técnica de fazer o som parecer vir diretamente do ecrã, e não de baixo, o que melhora imenso a ligação entre voz e imagem. Tem Dolby Atmos e DTS:X, um upscaling 3D por IA que alarga o estéreo, o Voice Zoom 3 que isola e amplifica os diálogos (adeus, vozes abafadas) e uma calibração automática que mede a sala e o pé-direito para acertar o áudio sozinha. Não substitui uma boa barra de som, mas está muito acima da média das TVs. E sim, depois teremos aqui nova análise com esta TV e um sistema de som da Sony que torna uma sala num cinema a sério!
Gaming: capaz, mas com asteriscos
Do lado dos jogos, o essencial está cá: 4K a 120 Hz, VRR, ALLM, Dolby Vision para jogos e um conjunto de funções pensadas para a PS5 (mapeamento automático de HDR, modo de imagem por género, menu de jogo dedicado). O problema — e é um problema real — é que a largura de banda HDMI 2.1 completa está disponível apenas em duas das portas. Se tens uma PS5 Pro, uma Xbox Series X e uma barra de som a quererem todas HDMI 2.1 ao mesmo tempo, vais ter de fazer contas (ou meter um recetor A/V pelo meio). Há aqui uma ironia que vários apontaram: modelos Sony mais baratos oferecem mais portas HDMI 2.1 do que esta TV premium. No entanto, enquanto performance para jogos mais intenso e frenéticos onde muito acontece ao mesmo tempo, confesso que já testei TV da Sony melhor do que esta (que é muito boa, mas não é perfeita na performance exigida nestes jogos)
Preço e concorrência
É uma TV cara? Sim. A questão do valor é a de sempre num produto de estreia de tecnologia: por cima tens a BRAVIA 9 II, quase o dobro do brilho e com um painel anti-reflexo superior, para quem quer mesmo o topo. A questão é que a Sony tentou ter o melhor possível em tudo para este preço, e consegue. Dentro desta gama (a de 55 polegadas custa 2500€) não há nada igual, principalmente em termos de cor e som. Existem TVs que gerem melhor o reflexo, sim, e outras com melhor performance em gaming? Também. Mas no global, nada bate esta Tv para este preço.
Veredito: para quem é
A Sony BRAVIA 7 II é uma das melhores televisões de 2026 e uma montra fantástica do que a tecnologia True RGB vai trazer nos próximos anos. Em sala escura, com um bom filme em HDR, oferece pretos profundos, brilho generoso e — o seu maior trunfo — a cor mais precisa que vais encontrar num televisor este ano, tudo servido pelo melhor processamento de imagem do mercado e por um excelente som integrado. Como TV de cinema em casa, é magnífica ao ponto de ser preciso ver ao vivo para se perceber.
Recomendo-a a quem quer imagem de cinema de altíssima qualidade, vê sobretudo de frente e numa sala com pouca luz, e valoriza cor fiel e o ecossistema maduro do Google TV com a marca Sony. Pensa duas vezes se tens uma sala larga com muita gente de lado (o ângulo de visão não é o melhor), se és jogador exigente com vários aparelhos HDMI 2.1 (só há duas portas à altura), ou se o orçamento aperta — porque, aí, a Sony tem outras TVs muitos boass e mais baratas. Para o cinéfilo que quer o que há de mais recente em cor, contudo, esta é uma das compras mais empolgantes do ano.
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Sony Bravia 7 II - 9.4/10
9.4/10


