A Teoria de Tudo, em análise

 

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 FICHA TÉCNICA

  • Título Original: The Theory of Everything
  • Realizador: James Marsh
  • Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Harry Lloyd, David Thewlis, Emily Watson
  • Género: Drama, Biográfia
  • NOS Audiovisuais | 2014 | 123 min

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Imaginar o retrocesso do tempo é ver o Universo a encolher, da mesma forma que este expande com o avanço dos ponteiros do relógio. E numa lógica reversiva do tempo, no início de tudo, o Universo deverá ter sido feito de matéria tão compacta e tão densa que acabou por implodir. Este foi o princípio da teoria desenvolvida por Stephen Hawking na sua tese de doutoramento e acaba por explicar também o fenómeno a que estamos sujeitos em “A Teoria de Tudo”, o filme de James Marsh baseado no livro “Viagem ao Infinito”, escrito pela sua ex-mulher, Jane Wilde Hawking.

O filme britânico dos pés à cabeça – entenda-se: altamente formatado, para o bem e para o mal – vive focalizado no adensamento progressivo das emoções, até que eventualmente o próprio espectador implode e limita-se a chorar as pedras da calçada.

A Teoria de Tudo (1)

Não será portanto erróneo considerar que estamos perante um produto altamente convencional, inserido naquele formalismo britânico (onde não falta a piada sobre o coro da igreja) que lembra os telefilmes que os americanos já são capazes de fazer há vários anos, mas marcado com o distinto carimbo de crowd pleaser.

O filme de Marsh – que, embora pouco arrojado, é competente – foca-se essencialmente no casamento de Stephen e Jane, acabando por explorar muito mais a doença (a penosa esclerose lateral amiotrófica) e o amor que os une, do que explicitar alguns dos momentos mais fascinantes que Hawking protagonizou no campo científico.

Mas nem tudo está irremediavelmente errado. Se é verdade que “A Teoria de Tudo” se reserva a um convencionalismo típico de um Oscar bait (um retrato biográfico de um génio ainda vivo que padece de uma doença incurável parece ser a premissa perfeita para se alistar na Oscar season), também não deixará de ser verdade que esse convencionalismo vem sempre aliado a uma competência técnica fora do vulgar (desde a fotografia resplandecente de Benoît Delhomme aos sons harmoniosos de Jóhann Jóhannsson).

A Teoria de Tudo (3)

Também a carga emotiva que o filme carrega está irreparavelmente concentrada nas performances admiráveis do seu duo de protagonistas, e são elas que carregam “A Teoria de Tudo” às costas, elevando-o a um patamar a que este, por si só, jamais poderia alcançar. É sobretudo espantoso ver um ator como Eddie Redmayne a encarnar Stephen na transição cruel que é perpetrada na sua vida. Redmayne oferece um dos melhores desempenhos do ano – quiçá mesmo o melhor – ao captar, ao mesmo tempo e de forma sublime, o génio de Hawking e as dificuldades impostas pela sua doença que o encerra.

E num ano onde o feminismo está impreterivelmente na ordem do dia, é deveras entusiasmante ver em grande plano uma forte interpretação feminina no corpo de Felicity Jones, que cai quase do céu numa temporada de prémios invadida pela desigualdade de géneros.

É nos atores que Marsh encontra a sua tábua de salvação do formalismo que tenta imprimir a cada instante. “A Teoria de Tudo” pode não ser o filme cientificamente desafiante que Hawking merecia, mas é indubitavelmente aquele que Jane e Stephen – seres humanos de carne e osso que lutam pelo amor e só depois pela vida – tinham o direito de usufruir.

DR

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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