Patricia Arquette e Joey King

The Act, primeira temporada em análise

“The Act” narra a impressionante história verídica da mãe que queria que a filha fosse doente e da filha que queria que a mãe desaparecesse.

E se a tua mãe te fizesse acreditar que estavas gravemente doente? Esta a premissa base de “The Act,” uma das mais recentes séries limitadas da Hulu, distribuída entre nós pela HBO Portugal. Em poucas palavras, é a série que precisas de ver se achas que já viste de tudo.

“The Act” dramatiza a história verídica de Gypsy Rose Blanchard, uma jovem que vivia com a sua mãe, Dee Dee, numa casa construída para elas pela Habitat for Humanity. A dupla, oriunda do Louisiana, qualificou-se para a mesma após a sua ter sido destruída pelo furacão Katrina, em 2005. Tal deveu-se a Gypsy e às suas muitas doenças, que despertaram a atenção de tudo e todos: epilepsia, paraplegia, anemia e várias alergias alimentares – tudo concentrado numa pequena rapariga de óculos careca numa cadeira de rodas.

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Patricia Arquette e Joey King brilham enquanto a tóxica dupla mãe-filha

A série começa pelo final com o homicídio de Dee Dee a 14 de junho de 2015. Claro que quem não conhecer os fatos, a primeira pergunta que fará é “o que aconteceu a Gypsy?,” mas rapidamente se aperceberá que as coisas nem sempre são o que aparentam ser. Tal como a própria sinopse indica

Maus-tratos infantis, doença mental e amor proibido convergem neste mistério envolvendo uma mãe e filha que todos viam como tendo uma vida de conto de fadas, mas que era afinal um verdadeiro pesadelo.”

Assim sendo, ao longo dos primeiros cinco episódios, acompanhamos a luta de uma adolescente pela sua independência a todos os níveis. Gypsy vive confinada a uma cadeira de rodas, na ilusão de que tem cerca de menos quatro anos do que na realidade tem. Aliás como a própria mãe refere-se a ela como “pobrezinha, tem a mente de uma criança de 7 anos.” É ainda alimentada por um tubo e religiosamente medicada a cada hora. Tudo tarefas realizadas pela sua super-protetora progenitora, Dee Dee. Aos olhos dos vizinhos, a dupla era inocentemente perfeita, à exceção da vizinha da frente, Mel (Chloë Sevigny), que sempre teve as suas suspeitas, embora nunca se tenha aproximado da verdade.

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Patricia Arquette e Joey King interpretam brilhantemente esta dupla tóxica. Além da transformação física, King trabalhou a voz de forma a aproximar-se ao tom agudo de Gypsy, semelhante ao de uma criança de 6 anos que acabou de aprender a usar o timbre certo para conseguir o que quer. Basta veres o trailer de “A Bancada dos Beijos” da Netflix, ou, a sua participação em “Fargo,” para perceberes a diferença. A sua metamorfose pelas várias etapas de Gypsy Rose, sem nunca perder o tom, é impressionante e impressiona, sem qualquer sombra de dúvida. King mergulha a pés juntos na personagem, que oscila entre a inocente menina doente fã de contos de fadas que a mãe quer que ela seja, e a adolescente/jovem-adulta que só quer ter uma vida normal, igual à das outras raparigas. A par de “Summer ’03,” que infelizmente não estreou em Portugal, “The Act” é onde a jovem atriz de 19 anos demonstra todo o seu potencial e nos dá verdadeiras razões para a mantermos de baixo do radar.

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Calum Worthy desempenha o namorado de Gyspy, Nicholas Godejohn, a quem esta pede ajuda para matar a mãe

Já Arquette tem aqui outra potencial nomeação ao Golden Globe (também é provável que King receba a sua primeira), depois de o ano passado o ter ganho com a sua prestação em “Escape at Dannemora.” Ao contrário de King, fisicamente Arquette já não se assemelha tanto a Clauddine Blanchard, o nome legal de Dee Dee. Porém, isso não diminuiu em nada o seu desempenho enquanto a mãe que sofria da síndrome de Münchausen por procuração, “uma forma relativamente rara, mas grave, de maus-tratos causados pelo(a) cuidador(a) que induz sinais e sintomas de doença a outra pessoa”. Com um sotaque amoroso do Louisiana, a vencedora do Óscar da Academia convence qualquer um no papel da progenitora obsessiva, super-protetora e, por vezes, assustadora.

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Esta não é a primeira vez que a história de Dee Dee e Gypsy Rose Blanchard é contada. Em 2017, Erin Lee Carr já tinha apresentado a chocante verdade sobre a relação tóxica entre mãe e filha no documentário da HBO, “Mommy Dead and Dearest,” igualmente disponível na HBO Portugal.

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Dee Dee e Gyspy Rose na vida real

Lógico que a abordagem de Nick Antosca e Michelle Dean é inspirada em fatos reais, ou seja, nem tudo o que vemos é preciso, algo que os próprios fazem questão de deixar claro a cada episódio. Ainda assim, muito do que é retratado está realmente correto, como poderás comprovar no documentário de Carr. Para além disso, é sempre relevante e interessante indicar que Dean foi a jornalista que originalmente lançou o furo com o seu artigo “Dee Dee Wanted Her Daughter To Be Sick, Gypsy Wanted Her Mom Murdered,” publicado no BuzzFeed.

De uma forma global, a série apenas peca por se arrastar em determinados momentos da história, ainda que só tenha oito episódios. Exemplo disso são os episódios seis e sete, que poderiam perfeitamente ter sido condensados num só. Tirando este aspeto, “The Act” reúne todos os condimentos para se tornar num dos melhores conteúdos de 2019 ou, pelo menos, de entre os estreados.

TRAILER | JÁ CONHECIAS A HISTÓRIA POR DETRÁS DE THE ACT?

Também te rendeste às prestações de Joey King e Patricia Arquette?

The Act - Primeira Temporada
The Act poster

Name: The Act

Description: História inspirada no artigo de Michelle Dean publicado em 2016 pela Buzzfeed, “Dee Dee queria a filha doente, Gypsy queria a mãe morta”, que explora a trágica relação entre a jovem Gypsy Blanchard e a sua superprotetora mãe DeeDee.

  • Inês Serra - 83
  • Miguel Pontares - 75
79

CONCLUSÃO

O MELHOR - Joey King está verdadeiramente excecional!

O PIOR - Existem certos momentos que são demasiado arrastados. O episódio 6 e 7 podiam ser perfeitamente um.

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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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