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Há uma ironia deliciosa neste jogo: o Grinch, a criatura que ficou célebre por tentar roubar o Natal, regressa agora precisamente para o salvar. E, tal como o coração do personagem que “cresceu três tamanhos” na história original, também este jogo cresceu em relação ao antecessor. O primeiro título, The Grinch: Christmas Adventures de 2023, era um modesto plataformas 2D que levou uma boa dose de críticas por ser repetitivo e sem variedade. Esta sequela, The Grinch 2: Saving Christmas, dá um passo em frente óbvio — salta para as três dimensões — e, pelo que se vê, aprende com os erros.

Ficha do jogo

  • Estúdio: Casual Brothers · Editora: Outright Games (com a Dr. Seuss Enterprises)
  • Género: aventura de plataformas 3D, para a família
  • Plataformas: PS5, PS4, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC (Steam)
  • Lançamento: 18 de setembro de 2026
  • Jogadores: 1 ou 2 (cooperativo local — o segundo jogador controla o Max)
  • Classificação: E / PEGI 3 (violência fantástica ligeira)
  • Conteúdo: 23 níveis em 4 mundos
  • Preço: cerca de 40 € (há também um pacote “2 em 1” com o primeiro jogo)

A premissa

A história é tão doce que qualquer criança irá gostar. O Grinch, agora reformado da sua carreira de estraga-prazeres, parte com o seu fiel cão Max numa missão para montar e decorar a árvore de Natal definitiva de Who-ville e encher a praça da aldeia de espírito natalício. Pelo caminho, recolhes enfeites e decorações para fazer a árvore brilhar, numa jornada sobre redenção, amizade e generosidade. É um conto de Natal simples e de bom coração, e funciona exatamente como deve, principalmente porque tenta, e consegue, ser um jogo simples, divertido, para as crianças jogarem e apreciarem o espírito do Natal.

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Como se joga?

A grande mudança está aqui: ao contrário do primeiro jogo, em 2D, este é um verdadeiro plataformas em 3D, com mundos que podes explorar em todas as direções. Saltas, baloiças, partes objetos e usas o “Jumbo-Jump” para alcançar sítios altos, apanhas bolas de Natal, resolves pequenos puzzles e usas bengalas-doce e outros gadgets para libertar enfeites escondidos. Os controlos são simples e diretos, pensados para mãos pequenas, e o ritmo é tranquilo, sem grande complexidade. é claramente um jogo feito para diversão, não para enorme desafio, mas as crianças terão aqui uma boa dose de tudo.

O conteúdo divide-se em 23 níveis espalhados por quatro mundos reconhecíveis do livro e dos filmes — a aldeia de Who-ville, o Monte Crumpit, a floresta Who-wood e a própria caverna do Grinch. Há aqui um pormenor que gostei: quem só quer avançar, avança depressa; mas quem gosta de vasculhar cada canto para encontrar todos os enfeites e segredos tem onde se entreter. Isto serve tanto as crianças de atenção curta, que querem passar de nível, como os pequenos (ou grandes) colecionadores que insistem em apanhar tudo — e dá alguma rejogabilidade ao conjunto. Na verdade, temos aqui umas boas horas de jogo, não sendo um jogo rápido e direto.

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Feito para a família

Como quase todos os bons jogos infantis, o verdadeiro trunfo é o cooperativo local. Podes jogar sozinho, mas o mais giro é sentares-te ao lado do teu filho e entrarem os dois na aventura — um controla o Grinch, o outro o Max. É um daqueles jogos no estilo do Bluey: The Videogame, desenhados para serem partilhados no sofá, e essa componente transforma-o de passatempo solitário em atividade de família. Para pais que querem jogar com os filhos nesta época, é meio caminho andado e acredito que em muitas casas, esta será a grande tarefa deste ano no dia de natal depois de se abrirem os presentes.

Apresentação

Visualmente, é colorido, alegre e fiel ao imaginário do Dr. Seuss, com mundos temáticos inspirados no livro original que respiram Natal. O ambiente festivo está bem conseguido e, num dos primeiros testes à solta, os diálogos e a disposição bem-humorada do jogo são facilmente elogiados — são fáceis de seguir para os mais novos e acompanham bem as mecânicas simples. Há também localização em português (do Brasil), o que ajuda quem ainda não lê inglês.

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O salto face ao primeiro jogo

Vale a pena sublinhar isto, porque é o maior mérito da sequela. O jogo de 2023 era um 2D que deixou muita gente com um sabor não tão doce por causa da repetição. Este passa para 3D, varia os cenários e as mecânicas, e é fácil vermos a melhoria ao ponto de começar a achar que este talvez seja o melhor jogo de Natal (atenção que ainda falta muito até lá chegarmos) para as crianças. Aliás, este é um ponto que achei algo estranho: o jogo ser lançado em setembro. Sim, vem aí o GTA VI e a grande maioria dos jogos foram antecipados para não lutarem contra o que será o jogo mais vendido do ano, mas estamos a falar de públicos diferentes. Não valeria a pena lançar o jogo mais perto de todo aquele espírito natalício que invade lojas, ruas e meios de comunicação?

Olhando para a história, temos de ser honestos: a profundidade é mínima, tal como é normalmente um jogo para crianças. Ninguém quer aqui grandes twists ou momentos emotivos. Isto é diversão para crianças, sozinhas em com a família. A história é simples e açucarada, os desafios são fáceis e um adulto ou uma criança mais velha vão achar o jogo pouco exigente e, provavelmente, aborrecer-se. Mas, mais uma vez, isso é uma escolha de design para o público certo, não um defeito. É focar em crianças mais novas. Só convém saberes que não vais encontrar aqui nada que te desafie a ti se já tiveres 10 ou 12 anos.

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Preço baixo e agradável!

A cerca de 40 €, está na faixa habitual destes jogos familiares — mais barato do que um lançamento grande, mas não propriamente uma pechincha. Há ainda um pacote “2 em 1” que junta este e o primeiro jogo, interessante para quem quiser a coleção completa e nunca jogou o original. Pode até ser muito interessante se a criança ainda não domina jogos em consolas, terá os dois jogos para ir evoluindo na complexidade dos comandos e desafios.

Veredito: para quem é

The Grinch 2: Saving Christmas é exatamente o que promete: uma aventura de plataformas 3D luminosa, simpática e cheia de espírito natalício, com um conto de redenção que encaixa na perfeição nesta época do ano. Não reinventa o género nem tenta — mas é um salto claro face ao primeiro jogo e cumpre muito bem o seu propósito. É ideal para crianças! Recomendo-o sem reservas se tens em casa crianças pequenas fãs do Natal (ou do Grinch), e sobretudo se gostas da ideia de te sentares a jogar com elas em cooperativo (um de nós a jogar com o Max será uma enorme diversão para acriança). É um presente de quadra perfeito e uma boa desculpa para passarem tempo juntos. Se procuras um desafio a sério ou algo que também te entretenha a ti como adulto, este não é o teu jogo — mas, honestamente, nunca prometeu sê-lo nem seria o ideal para uma criança. Para o pequeno ajudante do Pai Natal lá de casa, porém, é uma forma encantadora de entrar no espírito da época. Pelo preço, vai dar muitas alegrias e vale cada euro!

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  • The Grinch 2 - 8.4/10
    8.4/10
Overall
8.4/10
8.4/10
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