The Hunger Games: A Revolta – Parte 2, em análise

 

A revolução acaba aqui, com o final de uma das sagas mais bem sucedidas dos últimos tempos.

FICHA TÉCNICA

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Título Original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 2
Realizador: Francis Lawrence
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth
Género: Ação, Aventura
Pris Audiovisuais | 2015 | 137 min[starreviewmulti id=18 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’] 

 

Mockingjay – Part 2 começa após o ataque de Peeta contra Katniss. Revoltada com o que foi feito ao seu querido amigo e com as baixas da sua guerra, ela faz tudo para finalmente pôr fim à tirania do Presidente Snow, mas sem pressas, porque precisa de justificar a divisão deste último capítulo em dois. Neste contexto, até a produtora Nina Jacobson admitiu que não sabiam como é que iam estender a história em dois filmes, e Mockingjay – Part 2 veio confirmar que tal era completamente desnecessário. Ao invés de terem repartido os vários enredos pelas duas partes, e de os terem adaptado de forma a serem mais breves e terem uma abordagem mais concisa, estes acabaram por ser alargados ao ponto de se tornarem enfadonhos.

Agora que está na linha da frente, Katniss começa a sentir como se estivesse de volta à arena. Voltar a ver as pessoas a matarem-se, como se isso fosse algo banal, tanto pelo Capitólio como pelos rebeldes, leva-a a questionar os valores daquilo pelo qual está a lutar. No entanto, o arco de Katniss não passa pela revogação da violência, mas sim por descobrir qual das duas fações da guerra é que é pior do que a outra. Numa série que nunca glorificou a violência, esta é agora apresentada como a resposta para pôr fim à tirania do seu vilão, com Katniss numa missão para matar Snow.

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Mas para além da sua busca por vingança, Katniss continua a tentar perceber a quem pertence o seu coração. Este triângulo amoroso já está tão gasto como o de Twilight. Há momentos repetidos, diálogos demasiado longos sem necessidade, e com isto, Katniss vai perdendo a sua força como personagem. A saga não é sobre um triângulo amoroso. The Hunger Games é sobre uma rapariga que vê o que está errado com o seu mundo e tenta mudá-lo. Porém, a existência de dois pretendentes, obriga-a a lidar com os seus sentimentos por cada um deles, e de repente o foco está nesse triângulo. Mas com essa mudança de prioridade, Katniss deixa de ser a figura inspiradora que se tornou nos dois primeiros filmes, e os filmes perdem também a sua força.

O que devia ter sido mais explorado em ambas as partes de Mockingjay, é a rivalidade que surge entre Katniss e Coin neste filme. Na primeira parte, Coin, apesar de se auto-titular de Presidente, é apresentada mais como uma general, alguém que sabe como conduzir uma guerra e que tudo o que quer é voltar à superfície. No entanto, agora descobre-se que ela tem outras ambições, que levam a um conflito com a protagonista. Mas a falta de um terreno preparado para esse conflito, faz com que este se faça sentir forçado quando se chega ao seu clímax. Ao invés de terem investido em algo que não passa de um sub-enredo de algo maior, deviam de ter aproveitado para ir semeando o grande twist que se dá no final.

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Depois da falta de uma arena no filme anterior, este volta a desenrolar-se numa quando os heróis chegam ao Capitólio, dando assim início aos 76º Hunger Games. Voltar aos Jogos é o que traz de volta a emoção a estes filmes, e esta é a arena mais perigosa até agora. E como um bem não vem só, Stanley Tucci também regressa para comentar o desenrolar destes Jogos, no papel de Caesar Flickerman. Estes pequenos toques fazem relembrar as jóias da saga, mas infelizmente, com a mudança radical que as regras do jogo sofreram, A Revolta não conseguiu brilhar como os seus antecessores. Principalmente porque não é dado tempo para chorar as personagens que morrem, o que não deixa de parecer algo estranho, uma vez que a divisão do livro em duas partes deveria servir para que houvesse tempo suficiente para não deixarem nada de fora.

Mockingjay – Part 2 é o primeiro (e único) filme da saga a estrear no formato 3D, e este não o beneficia em nada. Francis Lawrence fez um trabalho interessante quando Catching Fire estreou também nas salas IMAX, começando com o formato normal antes de Katniss entrar na arena, e quando ela o faz, o ecrã estende-se até o seu máximo. Com o 3D deste filme não houve qualquer tipo de trabalho. Nem para fazer com que sentíssemos que fazíamos parte da ação serviu. Se calhar porque também não há muita, mas mesmo assim, só faz parecer que o uso desta tecnologia é para fazer os fãs gastarem ainda mais dinheiro.

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Jennifer Lawrence, que cresceu como atriz com estes filmes, manifestou a sua tristeza com o facto de interpretar Katniss por uma última vez. É impossível negar o talento da atriz, mas Mockingjay não é o melhor exemplo desse talento. Katniss passa por uma montanha-russa de emoções do princípio ao fim do filme, e Lawrence não a consegue acompanhar. No momento final com Katniss, esta devia estar num lugar emocional completamente diferente daquele em que Lawrence nos coloca com a sua interpretação, e isso tirou uma grande parte do lado emocional deste filme.

Mockingjay – Part 2 ficou muito longe de ser o final que prometia. Com várias narrativas mal exploradas, a ausência de elementos que enriqueceriam a história e com o foco em algo secundário, faz deste o filme mais fraco da saga, e não justifica de maneira nenhuma, a divisão do livro em duas partes.

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RM

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Rodrigo Marques

Blog: http://stufftal.blogspot.pt

One thought on “The Hunger Games: A Revolta – Parte 2, em análise

  • “The Hunger Games: A Revolta – Parte 2”: 5*

    Com uma história e ação fogosas, este filme fechou a saga com chave de ouro e recomendo vivamente que o vejam.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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