The Marvelous Mrs. Maisel, primeira e segunda temporadas em análise

“The Marvelous Mrs. Maisel” estreou em 2017, na Amazon Prime, e muito rapidamente conquistou todos aqueles que viram o episódio piloto.

A série de Amy Sherman-Palladino levou-nos até aos anos 60 e apresentou Midge (Rachel Brosnahan) e Joel Maisel (Michael Zegen), um jovem casal de judeus que vivia no Upper West Side até ao seu casamento terminar da pior forma possível. E é nesse momento que os holofotes de Midge se ligam e a dona de casa sobe aos palcos de stand-up.

Piadas vêm e piadas vão e Rachel Brosnahan deixa todos os espectadores completamente abismados com a sua brilhante performance. Esta não é somente uma série que nos traz comédia. “The Marvelous Mrs. Maisel” está repleta de cenas de intenso drama e que continuam atuais.

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Susie e Midge, em The Marvelous Mrs. Maisel

No seu papel como Midge, Brosnahan consegue fazer o público rir num estalar de dedos, com a sua atitude espontânea e diálogos rápidos, cheios de sarcasmo e comentários agridoces. Tudo isso sem deixar de lado os seus ideais e o visual de alta classe. É impossível ver esta série e não ansiar por mais um momento de stand-up. Brosnahan é tão convincente que, por vezes, parece estar a improvisar. É difícil esquecer a sua apresentação, que encerra a primeira temporada, e que nos faz descurar que se trata de uma atriz a representar e não de um programa de comédia. Também o momento no qual Abe descobre a nova carreira de Midge e a posterior reação da filha, deixando os nervos fluírem através das suas palavras, leva-nos a pensar que se trata de um momento espontâneo. A naturalidade das suas falas, as suas expressões faciais, as referência a situações momentâneas e os risos que deixa escapar entre os momentos de euforia do público, levam-nos a acreditar que estamos a ver um improviso.

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Além da protagonista, o elenco da série é rico em talento. É necessário referir o pai de Midge, Abe Weissman, protagonizado por Tony Shalhoub. A performance de Shalhoub traz-nos um estereótipo de judeu que é aperfeiçoado com toda a eloquência do ator. Inicialmente, Abe mostra-se fechado, rígido e sério, porém, com o passar dos episódios, ele torna-se numa das personagens mais engraçadas e mais sábias da série. Principalmente no episódio ‘Midnight at the Concord’ (2×05), quando vemos os olhares repletos de poder e o poder dos seus silêncios. Também Susie Myerson, interpretada por Alex Bernstein, tem um papel fundamental. A funcionária do bar é um dos focos de destaque da série com os seus comentários pessimistas, humor sarcástico e atitude desleixada.

The Marvelous Mrs. Maisel
Abe Weissman, Joel Maisel, Midge e Rose

Enquanto a primeira temporada nos apresenta a vida de Midge, a sua atitude após o divórcio e o seu lançamento no stand-up, a segunda temporada mantém as referências às grandes estrelas dessa época, e traz-nos Paris, a evolução de Midge e o desenvolvimento de muitas personagens.

Na segunda temporada, “The Marvelous Mrs. Maisel” continua a manter o seu tom impetuoso e carismático, iniciando praticamente onde a primeira terminou. Contudo, ao invés de manter o foco em Midge, desenvolveu muitos outros temas e abordou assuntos importantes. As críticas ao machismo presente naquela sociedade e que, de certa forma, ainda ocorre atualmente, foram um dos temas que mais marcaram os episódios. Quanto ao seu final, basta prepararmo-nos para ficar sem saber como lidar com o cliffhanger que dará continuidade à terceira temporada.

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Outro ponto que eleva “The Marvelous Mrs. Maisel” são os figurinos, o design e as movimentadas ruas de New York. O requinte estético da série pode perfeitamente ser comparável ao que é demonstrado em “Mad Men”, que, tal como “The Marvelous Mrs. Maisel”, aborda uma época muito próxima à nossa, conseguindo manter um enorme primor. Tudo foi perfeitamente pensado por Amy Sherman-Palladino, que conseguiu criar um trabalho de realização excecional que nada fica a dever a grandes produções da Televisão – algo pouco habitual na Comédia. Este é um requinte visual bastante incomum na comédia televisiva e que relembra grandes sucessos como “Seinfeld” e “Malcolm in the Middle” .

The Marvelous Mrs. Maisel
Midge numa das suas apresentações no Gaslight Café

A realização de Palladino executa longos planos sequenciados que se deixam passear pelos ambientes, criando, assim, um tipo de execução que parece uma mistura entre o dinamismo criado nas cenas de diálogo em planos coreografados de Aaron Sorkin e o discreto e notável estilo de Steven Spielberg, que constantemente muda o enquadramento de uma cena sem fazer o espectador aperceber-se que ainda está no mesmo plano.

“The Marvelous Mrs. Maisel” parece estar longe de terminar, no entanto, o seu caminho rumo a um lugar entre as melhores comédias existentes está cada vez mais perto de ser alcançado.

TRAILER | THE MARVELOUS MRS. MAISEL

Então, qual é a tua opinião relativamente a “The Marvelous Mrs. Maisel”?

The Marvelous Mrs. Maisel - Temporadas 1 e 2
the marvelous mrs. maisel

Name: The Marvelous Mrs. Maisel, em análise

Description: The Marvelous Mrs. Maisel conta a história de Midge, uma judia de uma família tradicional que, ao ver o seu casamento desabar, decide seguir uma carreira de stand-up... e isso tem tudo para correr mal.

  • Catarina Novais - 90
  • Cláudio Alves - 75
  • Maria João Sá - 75
80

CONCLUSÃO

O MELHOR - Apesar de ser uma comédia, “The Marvelous Mrs. Maisel” não peca pelo excesso de piadas que pretendem arrancar fáceis risos aos espectadores. Pelo contrário, apresentamo-nos uma técnica sublime, levando-nos a rir de forma inteligente e nunca forçosa. O elenco é também um dos aspetos de foco de "The Marvelous Mrs. Maisel".

O PIOR - Cumprindo muito bem a sua intenção de despertar curiosidade nos espectadores, o último episódio da segunda temporada coloca em causa a evolução das personagens. Fica em aberto a possibilidade de Susie ter sido corrompida por dinheiro e de Midge voltar a cair nos mesmos erros e retornar a uma vida que não lhe dá importância e que a fará perder a sua carreira.

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Catarina Novais

Eternamente apaixonada pelo mundo do cinema e por tudo o que está ligado à sétima arte. Seriófila nos tempos livres. A escrita e música também são dois vícios permanentes.

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