Eu, Tonya: o desafio de vestir Margot Robbie como Tonya Harding e a moda dos anos 90

A figurinista Jennifer Johnson pesquisou no eBay e viu vídeos antigos do YouTube para se preparar para a criação do guarda-roupa de “Eu, Tonya”. 

A figurinista Jennifer Johnson recorda-se das manchetes dos jornais que falavam de um atrito entre Tonya Harding e Nancy Kerrigan no início dos anos 90, mas estaria longe de imaginar que quase 24 anos depois, iria ser ela a recriar o guarda-roupa daquela época. “Até hoje, ela ainda é uma das melhores patinadoras de todos os tempos e acho que a força dela enquanto patinadora feminina foi realmente varrida para baixo do gelo, por assim dizer, e todos perdemos de vista como ela era incrível como atleta, disse Johnson ao The Hollywood Reporter.

Tal como acrescentou ao The Hollywood Reporter, o processo de pesquisa para recriar ao detalhe os fatos de Tonya Harding e o guarda-roupa usual do início dos anos 90 foi peculiar:

Nós estávamos a fazer pesquisas incomuns, como ver clipes no YouTube que amigos, familiares e organizações noticiosas haviam carregado ao longo dos anos e de qualidade variável. […] Uma coisa que encontramos no eBay foi que havia um fã obsessivo que tinha um arquivo de recortes de tablóides e nós comprámos isso. Essa foi uma das peças de pesquisa mais esclarecedoras que descobri, porque também tinha muitas fotos de família [da Tonya].

 

Quanto aos trajes de competição de Tonya Harding, Jennifer Johnson contou ao Entertainment Weekly que esses vídeos do Youtube foram precisosos:

A fotografia de arquivo estava desarticulada. Às vezes, literalmente, tínhmos de ver um clipe do YouTube do movimento dela… Além disso, os seus figurinos anteriores não estão tão bem documentados como eram, digamos, nas Olimpíadas, onde há uma ótima fotografia. Foi um processo interessante … e eu queria homenagear o compromisso da Tonya, por causa desses muitos figurinos que ela criou. Ela fez um bom trabalho na construção e no cuidado com os trajes, independentemente de gostarmos do estilo ou não. São muitos cristais Swarovski e muito spandex. O traje mais interessante foi o traje nacional de ’91 – aquele famoso spandex turquesa, e ela fê-lo sozinha. Era importante que encaixasse mal, porque o que Tonya tinha disponível para ela era o spandex jumbo que esticava de uma forma, de modo que os braços fiquem soltos, e o traje fica largo e enrugado.

Os trajes de competição de Tonya Harding são um dos pontos altos de “Eu, Tonya”. Se compararmos imagens dos anos 90 com frames do filme, não restam dúvidas que o trabalho de Johnson é irrepreensível.

 

Outra compoente interessante do trabalho de Jennifer Johnson é a criação, quase de raíz, de todo o figurino da mãe de Tonya Harding, LaVona, tal como disse a própria figurinista ao Entertainment Weekly:

Inicialmente, eu só tinha algumas fotos e aquele vídeo dela a conversar para a câmara e com um pássaro no ombro. Ela parecia tão dura, e pensei que seria interessante se ela usasse um casaco de pele. Há também um excelente retrato de família dela com Tonya e o pai de Tonya.  Ela tinha o cabelo em rolos, e ela tinha uns bonitos brincos e uma blusa. O pai de Tonya estava vestido com um bom terno (…) então pensei que era interessante ilustrar … que ela vem dos anos 40 e 50, uma época em que as pessoas estavam tão orgulhosas de como se podiam exibir no mundo, e ela tentava manter esse senso de elegância.

Podes ver todos estes outfits (incluindo aqueles mais corriqueiros no quotidiano dos anos 90) em  Eu, Tonya nos cinemas, a 22 de fevereiro.

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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