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Top MHD | As melhores bandas-sonoras de 2021

De musicais clássicos reinventados para o grande-ecrã a estrelas de rock virados compositores de cinema, as melhores bandas-sonoras de 2021 são uma cornucópia variada de esplendor sónico.

Os Óscares estão quase a chegar. Os nomeados são já anunciados na próxima terça-feira e estamos ansiosos por descobrir quem a Academia escolheu como os melhores do cinema de 2021. Entre as muitas categorias, o prémio para melhor banda-sonora original afirma-se como das competições mais renhidas. O ano que passou foi um estrondo no que se refere à intersecção da música e do cinema. Por isso mesmo, antes de Hollywood divulgar as suas escolhas, aqui pela MHD também vamos honrar os nossos favoritos.

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Primeiro, contudo, ficam umas menções honoras. Há que se celebrar a monumentalidade grandiosa de “Dune,” com músicas de Hans Zimmer e um grande uso de cânticos como elemento composicional. “Nomadland” ganhou o Óscar para Melhor Filme, mas a banda-sonora de Ludovico Eunaudi não pode competir sendo que o italiano reconfigurou trabalhos anteriores para dar som à obra de Chloe Zhao. Mesmo assim, amamos os resultados desse retorno a sonoridades da sua carreira. Por fim, apesar de mencionarmos alguns musicais nesta lista, 2021 realmente foi o ano do musical. Aplaudimos todos eles, seus elencos cantantes e novos arranjos para números originalmente pensados para o palco.

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Sem mais demoras, vamos avançar para o top 10, como deve ser. Entre adaptações e originais, aqui fica a nossa seleção de melhores bandas-sonoras de 2021:

 

10) WEST SIDE STORY

A morte de Stephen Sondheim tornou este remake numa maravilha especialmente agridoce. O filme de Steven Spielberg é uma homenagem apaixonada ao legado desse compositor e letrista, dando um novo fulgor à orquestração e letras refeitas para uma versão mais moderna desse “Romeu e Julieta” na Nova Iorque dos anos 50. O modo como esta banda-sonora repensa a canção “Somewhere” merece particular aplauso, de um ballet abstrato ao lamento de uma idealista cansada.

 

9) THE HARDER THEY FALL

Para dar som ao novo western da Netflix, Jeymes Samuel foi buscar musicalidades dos clássicos de Sergio Leone, dramatismos operáticos assim misturados com modernidade e a contribuição de cantores afro-americanos. Tal cocktail resulta numa das grandes bandas-sonoras de 2021, uma obra-prima de inspiradas combinações e dramaturgia em forma cantada. O uso de coros aquando do clímax é um gesto classicista que arrebata o ouvido e o coração.

 

8) LUCA e ENCANTO

A Disney continua a ser fonte de algumas das melhores bandas-sonoras do panorama cinematográfico. Já assim é há quase um século! “Luca” e “Encanto” representam duas abordagens diferentes. A comédia à italiana da Pixar vibra ao som da pastiche mediterrânea de Dan Romer, pontuada por um romantismo robusto. “Encanto,” por sua vez é um musical com canções de Lin-Manuel Miranda e restante banda-sonora assinada por Germaine Franco. Dois génios musicais assim colaboram e constroem um milagre de estilos colombianos em comunhão com a opulência da Broadway do século XXI.

 

7) CRÓNICAS DE FRANÇA DO LIBERTY, KANSAS EVENING SUN

A colaboração de Alexandre Desplat com Wes Anderson tem sido das melhores parcerias de compositor e realizador das últimas décadas. Mesmo com uma panóplia de sucessos no seu repertório, o novo filme destes dois ases é quiçá o seu mais musicalmente primoroso. Homenageando as vanguardas francesas dos anos 50 e 60, Desplat compôs uma sobremesa para o ouvido, tão bela quanto saborosa, leve e divertida.

 

6) A NOITE PASSADA EM SOHO

A nostalgia musical é um elemento essencial em “A Noite Passada em Soho.” De facto, o filme é quase um estudo sensacional na toxicidade que devém da idealização do passado. Antes de distorcer os sons da Londres dos anos 60 em pesadelos sónicos, esta banda-sonora hipnotiza o espetador e leva-o a apaixonar-se por esse paraíso ultrapassado. Como sempre, os filmes de Edgar Wright são um tesouro de curadoria musical, cheios de canções brilhantemente escolhidas.

 

5) O PASSAGEIRO OCULTO

Imaginem um thriller de ação passado quase inteiramente num avião de combate, em plena 2ª Guerra Mundial. Que tipo de música se afigura como perfeito complemento a tal premissa? A sabedoria comum indicaria alguns toques retro dos anos 40, quiçá a ostentação de ritmos militares. Mahuia Bridgman-Cooper teve outra ideia. O compositor de “O Passageiro Oculto” foi buscar inspiração às bandas-sonoras dos anos 80, aos sons tecnológicos do sintetizador, das criações de Wendy Carlos e Tangerine Dream. Apesar de inusitada, a escolha é um triunfo. Uma salva de palmas para este músico inspirado!

 

4) UMA MIÚDA COM POTENCIAL

Em termos estéticos, “Uma Miúda com Potencial” vive num cruzamento entre ironia venenosa e pop pastel. O filme é um beijo com batom cor de pastilha elástica que sabe a arsénico. Por consequente, também a banda-sonora trabalha nesse mesmo registo. Paris Hilton canta uma sequência de romance condenado, enquanto o “Toxic” de Britney Spears é depurado até se tornar numa ominosa caminhada para o cadafalso.

 

3) MINARI e KAIJILLIONÁRIO

Emile Mosseri foi o compositor revelação de 2021. Não só o jovem conseguiu uma nomeação para os Óscares com “Minari,” como também assinou as composições mirabolantes de “Kajillionário.” Sempre numa esfera indie americana, Mosseri trabalha em sinfonias de cordas com o auxílio da voz. Seu som é romântico e evocativo, transcendo o sentimento barato para chegar a um patamar de abstração emocional, onde a realidade é mais do que real. Sentimos o coração das personagens quando ouvimos as músicas de Emile Mosseri, quer sejam os sonhos americanos de “Minari” ou a procura por intimidade em “Kajillionário.”

 

2) ANNETTE

Ao longo da sua grande carreira, os Sparks têm vindo a metamorfosear o seu som, seu estilo, indo desde o rock à pop, da comédia sarcástica até à ópera tecnológica. No mesmo ano em que Edgar Wright homenageou os dois irmãos com um documentário, também eles se aliaram a Leos Carax na produção do seu primeiro musical original “Annette.” A banda-sonora repleta de repetições performativas é um hino bizarro, uma partitura sistematicamente desafiadora que foge ao belo na procura de algo mais profundo, mais feio, mais fascinante e grandioso. Desde um prólogo meta-textual até aos gritos do abisso, “Annette” é uma obra-prima musical e um dos maiores trabalhos que os Sparks já conceberam.

 

1) O PODER DO CÃO, SPENCER e LICORICE PIZZA

Jonny Greenwood é principalmente famoso por fazer parte da banda Radiohead, onde é o guitarrista principal e teclista. Contudo, há anos que esse astro da cena alternativa tem expandido os horizontes da composição, tornando-se num artista cinematográfica de alto calibre. As suas colaborações com P.T. Anderson e Lynne Ramsay já deliciaram muitos cinéfilos e aficionados da música. Este ano, Greenwood juntou Jane Campion e Pablo Larraín à lista de realizadores com quem criou bandas-sonoras se igual. “O Poder do Cão” é um exercício em cordas enquanto guerra psicológica, piano e guitarra em combate e ataque de nervos. “Spencer” é o melodrama levado aos extremos, com o tilintar de joias usado enquanto instrumento. Por fim, “Licorice Pizza” vê Greenwood regressar ao mundo de Anderson, evocando a juventude perdida e os sons da Califórnia durante os anos 70. Em termos de bandas-sonoras de cinema, Jonny Greenwood é o indisputável rei de 2021.

 

Concordas com as nossas escolhas? Diz-nos quais foram as tuas bandas-sonoras favoritas de 2021!

 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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