TOP Interpretações Nicole Kidman | 1. Moulin Rouge!

                 

A cantar, dançar e representar como se se tratasse da última vez, Nicole Kidman encontrou em Moulin Rouge! a performance que defininiu a sua carreira.

Se há uma constante na carreira de Nicole Kidman é a sua procura por realizadores autores com estilos muito próprios e propostas artísticas desafiantes. Desde Jane Campion a Lee Daniels, a atriz está disposta a experimentar tudo, quer seja a mais gélida das repressões ou os mais lúridos exageros. Por isso mesmo, não existe intérprete melhor para Baz Luhrmann que esta sua compatriota destemida.

Esse cineasta australiano é muito criticado pelas indulgências operáticas dos seus filmes que tanto podem maravilhar como oprimir a audiência. Parte das críticas devêm do simples facto de que, enquanto espectadores, não estamos treinados ou preparados para aceitar tais estilizações, havendo sempre uma tendência a nos apoiarmos no presumido realismo. Luhrmann cospe na cara do realismo e nunca fez isso de modo tão intenso como em “Moulin Rouge!”, um musical jukebox sem estribeiras para quem a palavra contenção não existe. O filme é a obra-prima do realizador e a máxima expressão da sua estética maximalista, mas talvez a maior chave do seu triunfo não seja tanto a impetuosidade do cineasta como o perfeito equilíbrio que ele aqui conseguiu obter, em parte devido à ancora humana no centro de todo o circo.

moulin rouge

Essa âncora é Satine, a prostituta e estrela de cabaret que valeu a Nicole Kidman a sua primeira nomeação para o Óscar e aqui se assume como a melhor prestação que a atriz alguma vez deu. Ela faz tudo no filme, canta, dança, atua como um Looney Toon, precipita-se em árias de tragédia romântica que não se viam no grande ecrã desde Garbo. Kidman maneja todas estas variações sem nunca mostrar sinais de esforço ou qualquer tipo de incoerência na sua interpretação.

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De certa forma, a Satine de Nicole Kidman é a personificação do filme enquanto objeto de estilo e drama. Trata-se também de um dos melhores exemplos na História do Cinema do tipo de maravilha que um bom musical pode ser, usando o artifício como meio para chegar a verdades humanas inalcançáveis com abordagens mais miméticas do real. “Moulin Rouge!” e Satine vivem da hiper-realidade, de emoções como o júbilo, a paixão e a dor da perda levadas ao máximo píncaro que o ser humano consegue sentir. Qual supernova de carisma e engenho dramático, Nicole Kidman parte-nos o coração e assume-se como eterna estrela de cinema com esta prestação. Enquanto meros espectadores embasbacados, só temos mesmo é de aplaudir.

 

                 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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