A digressão “Loop” de Ed Sheeran entra numa fase conturbada. Depois de o rapper Macklemore ser retirado das datas que faltam, todos os restantes artistas de abertura e a orquestra decidiram sair também, em ato de solidariedade. Assim, quando os concertos retomarem este fim de semana, o cantor e compositor britânico, de 35 anos, deverá subir ao palco sem opening act.
O que desencadeou a polémica?

Tudo começou a 4 de setembro, num concerto em Nova Jersey. Macklemore introduziu o tema “Hind’s Hall” com uma frase direta: usar os estádios da digressão de Ed Sheeran para defender publicamente a causa palestiniana. No dia seguinte, reforçou a mensagem, embora tenha feito questão de distinguir as suas críticas a Israel de qualquer ataque à comunidade judaica.
Vale lembrar que o rapper já não era propriamente uma voz nova neste tema. Em 2024, tinha lançado precisamente essa canção em apoio aos protestos universitários nos Estados Unidos a favor de um cessar-fogo em Gaza.
P!nk critica Macklemore

Dois dias depois, a situação ganhou outra dimensão. O Israeli American Council lançou uma petição a exigir a retirada de Macklemore da tour, acusando-o de transformar o palco de Ed Sheeran numa plataforma política unilateral. Por sua vez, o rapper reagiu através das redes sociais, reafirmando que defender a igualdade entre todos os seres humanos nunca deveria ser motivo de polémica.
Pouco depois, a cantora P!nk juntou-se ao debate. Publicou um longo texto no Instagram, onde recordou episódios antigos e criticou a forma como Macklemore teria feito os fãs judeus presentes no público sentirem-se excluídos. Ainda assim, deixou claro que também defendia um futuro digno para o povo palestiniano.
Macklemore é retirado da tour de Ed Sheeran

O desfecho chegou a 14 de setembro. Macklemore anunciou, através de um comunicado, que foi excluído dos oito concertos que restam. Segundo revelou, Ed Sheeran ter-lhe-á explicado que Robert Kraft, dono do estádio onde a tour deveria seguir, seria o responsável por pressionar outros proprietários de recintos a colocarem um ultimato. Portanto, ou o rapper saía, ou os concertos não se realizariam.
Depois, Kraft confirmou, em declarações à imprensa, que a decisão se baseou em conteúdos partilhados no palco e num histórico que considerou ofensivo para a comunidade judaica. Já a promotora da tour nos Estados Unidos garantiu que a exigência partiu diretamente dos donos dos recintos.
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Ed Sheeran perde artistas de abertura

Perante a repercussão, Ed Sheeran decidiu esclarecer a sua posição. Disse estar profundamente incomodado com o conflito entre Israel e a Palestina, mas frisou que a decisão final coube aos promotores e aos donos dos estádios. Ainda assim, admitiu ter opiniões próprias sobre o tema, mesmo optando por não as tornar públicas.
Essa explicação, contudo, não travou o efeito dominó. Ainda no mesmo dia, a banda irlandesa Beoga, o também irlandês Aaron Rowe, o grupo dinamarquês Lukas Graham e o músico norte-americano – e irmão de Billie Eilish – Finneas anunciaram, um a um, que abandonavam a tour.
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O que acontece agora com a digressão de Ed Sheeran?
Finneas justificou a decisão afirmando que os artistas não podem ficar em silêncio quando se trata de defender quem está a ser oprimido. Já o grupo Lukas Graham reconheceu tratar-se de uma escolha difícil, mas insistiu que era necessário manter-se fiel aos seus princípios.
Por enquanto, Ed Sheeran não anunciou nenhum substituto. A tour deve prosseguir já este sábado, na Filadélfia, sem qualquer artista de abertura. O cantor tem ainda mais nove concertos marcados na América do Norte, antes de seguir para a América do Sul. Etapa em que, inicialmente, contaria de novo com o irmão e produtor de Billie Eilish.

