Turbo, em análise

Turbo (4)
  • Título Original: Turbo
  • Realizador:  David Soren
  • Elenco de vozes (O):  Ryan Reynolds, Paul Giamatti, Maya Rudolph
  • Elenco de vozes (PT): Ricardo Pereira, Inês Castel-Branco e Filomena Cautela
  • BIG Picture Film | 2013 | Animação| 96 min

Classificação:

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A nova aposta de DreamWorks para este ano pode ser apresentada como uma mistura do conto “O Patinho Feio” com “Carros”. Combina a moralidade do clássico conto infantil, nomeadamente na forma como avalia os efeitos da ‘diferença’ num habitat rodeado de espécies semelhantes, e a propriedade que fazia de “Carros” um sucesso de entretenimento no âmbito automóvel.

Turbo é a história de um pequeno caracol que sonha em ser o maior corredor do mundo, tal como o seu herói, Guy Gagné. Todavia, a obsessão de Turbo acabou por o tornar um forasteiro na comunidade dos caracóis, até ao dia em que um estranho acidente lhe concebe o poder de uma velocidade incrível. Assim, Turbo embarca numa grande aventura para tentar o impossível: correr ao lado dos melhores no Indianapolis 500.

Turbo (1)

A mensagem que retiramos de Turbo, e um pouco ao contrário do que nos ensinava Monstros a Universidade, é que se quisermos mesmo muito uma coisa, talvez essa coisa aconteça. Turbo é uma história de superação sobre o sonho de ser mais do que aquilo que somos, ou a vontade de nos diferenciarmos e ultrapassarmos a nossa condição genética. E se em Monstros a Universidade a Pixar nos dizia que às vezes, por mais que tentemos, não conseguimos fazer tudo o que desejamos ser capazes de fazer e só teremos de aprender a viver com isso, Turbo e a DreamWorks explicam o oposto. Se Monstros a Universidade era o adulto conhecedor da vida e das suas limitações, Turbo é a ingénua criança que vive no auge da sua capacidade de sonhar com realidades inalcançáveis.

A infantilidade que se vê em Turbo define claramente o seu público-alvo. As crianças ficarão deliciadas com o espantoso visual colorido, com as vertiginosas corridas, com alguns momentos cómicos e sobretudo sentir-se-ão inspiradas pelo seu lema: “Não há sonhos demasiado grandes, nem sonhadores demasiado pequenos”. Contudo, a ligação emocional que os adultos gostariam de ver neste novo trabalho da DreamWorks (e que foi bem conseguido num outro filme deste ano, “Os Croods”) está permanente escondido na sua vontade única de entreter.

Turbo (5)

Apesar de toda a sua superficialidade e alguma carência de imaginação (afinal quantas são as histórias sobre underdogs no Cinema?), Turbo é seguro na forma como diverte a família através das suas personagens encantadoras e do seu sentido de humor aprimorado que não deixará ninguém por sorrir, muito por força de uma competente versão dobrada.

Mas o principal problema de Turbo é a sua persistente falta de coerência e excessiva infantilidade. Mesmo sabendo que se trata de uma fita animada, onde caracóis falam e correm, por exemplo, há uma certa dificuldade em aceitar alguns pontos do argumento, mais propriamente no que respeita à interação dos caracóis com os humanos.

Turbo (6)

Algumas passagens soam a falso tal é o nível de ingenuidade com que tratam certos pontos vitais da narrativa como a introdução dos humanos na história, ou a possibilidade de um caracol com poderes especiais poder concorrer em corridas de Fórmula 1. Mas a esses momentos pouco verossímeis há que adicionar uma grande dose de previsibilidade que transforma um filme com um enredo relativamente interessante, numa animação que se limita a desaproveitar as suas potencialidades.

No fim, o que resta é só mais um filme animação muito semelhante a outros já feitos, que entretém mas que não ambiciona subir a um patamar mais elevado.

DR

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