Wanderlust (foto de Romina Hera)

Wanderlust lançam “Calle Fantasma”

A banda peruana de math-rock está num caminho ascendente em direção ao sucesso. Depois de Naufragio de 2018, surge “Calle Fantasma”, uma amostra da energia que subsiste mesmo na atual conjuntura.

Influenciados pelos dançantes ritmos latinos, os Wanderlust, sem abdicar dos jogos de tempo das guitarras e do exibicionismo da bateria, têm vindo a introduzir um novo toque na complexidade musical do math-rock. O seu mais recente single “Calle Fantasma” é prova disso.

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Diretamente vindos de Lima, no Perú, os Wanderlust são uma promissora banda de math-rock que se tem destacado na América Latina e, mais recentemente, nos Estados Unidos em enérgicos concertos de abertura de bandas como os Oh Sees e os Citizen.

O grupo juntou-se em 2015 como uma banda unicamente instrumental, dado que “era mais fácil encontrar músicos do que cantores”. Assim, em 2016, surgiu o álbum de estreia, Revixerit, nomeado para os Premios Luces desse ano como melhor álbum. Desde essa altura, já alguns membros abandonaram o grupo, mas os três artistas atuais parecem focados em dar um futuro à banda, não só no Perú, não só na América Latina mas também nos Estados Unidos e, quem sabe, na Europa.

Os Wanderlust compõem a tripla infalível: guitarra, baixo e bateria, adicionando em certas faixas uma gravação de uma segunda “guitarra fantasma” tocada pelo vocalista Mauricio Torres, que descreve a proposta da banda como “um som do rock clássico de 2000”.

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Já em 2018, chegou-nos o segundo registo do grupo, Naufragio, que foi amplamente aceite no mundo da música independente peruana. Maioritariamente instrumental, este registo preserva a atmosfera etérea do pós-rock, só que, desta vez, juntam-se, esporadicamente, a voz de Torres e alguns momentos percussivos alternativos. O vocalista e guitarrista fala sobre o processo criativo da banda:

Eu canto e componho as letras e o André, o baixista, faz os refrães, mas tentamos fazer as vozes saírem naturalmente; por vezes, no processo de composição, surgiram melodias que acompanhavam bem a canção e, a partir daí, ousámos dar um pouco mais de presença à voz. No início, quando estávamos a fazer o álbum, pensei em adicionar mais camadas, mas ao mesmo tempo não se pode forçar, as coisas têm de surgir naturalmente

Agora, a banda lançou um novo single inspirado nestes tempos de isolamento social, intitulado “Calle Fantasma”, (rua fantasma). Mauricio Torres explicou que ““Calle Fantasma” é uma canção feita para pôr as pessoas a dançar na escuridão dos eventos atuais. Inspirámo-nos no vazio das ruas e no ambiente de guerra que se sente durante a quarentena.”

Desde os momentos iniciais da faixa, o objetivo de nos pôr a dançar é, sem dúvida, cumprido. O ritmo acelerado marcado pela bateria e pela entrada do baixo, aliados à voz enlouquecida de Torres, enchem-nos daquela energia capaz de nos restituir o wanderlust e de nos salvar do torpor que estes tempos podem causar.

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