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What If…? | Entrevista com Stephan Franck, supervisor de animação

What If… ? é a série de animação da Marvel Studios que nos leva a universos paralelos. E nós conseguimos falar com Stephen Franck, supervisor de animação!

A propósito da série original de animação “What If…?”, a Magazine.HD foi convidada para estar num painel de jornalistas com Stephan Franck, o responsável pela animação deste novo projecto da Marvel Studios. Com um currículo que contou com títulos como “Homem-Aranha: No Universo Aranha” ou “9”, o artista viu nesta ideia uma hipótese de criar um novo mundo de super-heróis mas que incorporasse a mística da banda desenhada numa animação moderna, viva e com personagens já bastante conhecidas do público.

Numa conversa descontraída, e onde Franck se inibiu de dar spoilers sobre o que ainda podemos esperar de “What If…?“, descobrimos um pouco mais sobre o processo de criação deste novo mundo, a inspiração para estas personagens e até as preferências do próprio artista no que diz respeito a heróis da Marvel.

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Quais é que foram os desafios em concreto, se é que houve, em trabalhar em “What If…?” comparado com outros projectos do género em que já tenha trabalhado?

Eu penso que o desafio foi que a MCU já está tão estabelecida, as personagens e as sensação que, sabem, nós praticamente sabemos como é que estas pessoas iriam reagir ou agir em certas situações. E claro, o objectivo da série e testar e desafiar este conhecimento porque é sobre fazer algo diferente para uma personagem, ou fazê-las tomar uma decisão difícil que terá impacto numa escolha mais tarde. A parte divertida do desafio foi mesmo desenvolver a vibe e as personagens já criadas nos filmes, e continuar a dar-lhes vida mas em novas circunstâncias e sobre novas escolhas, mas continuando verdadeiros a quem elas são apesar de as desafiarmos de novas maneiras.

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Quanto tempo é que demora a ter um episódio concluído?

Bem, é um processo relativamente longo. Mas a resposta curta é que leva meses. E não é como se nos dedicássemos a um episódio, e depois fazemos outro no dia seguinte. Somos capazes de sobrepôr episódios durante algum tempo.

What If Marvel
“What If” leva-nos para ‘universos paralelos’ da MCU © Marvel Studios

De todos os episódios que foram feitos nesta primeira temporada, qual foi o seu favorito e porquê? [Aqui bem tentámos um pequeno vislumbre do que poderia ver, mas com pouca sorte… Para vossa referência, à data da entrevista apenas eram conhecidos os primeiros 4 episódios de “What If…?”]

Então, eu não vou falar dos que ainda não vimos mas apenas dos que já saíram e posso dizer que gosto de todos eles de forma diferente. E é díficil para mim [escolher só um]. São como filhos, como… qual deles gostas mais? Os meus filhos são todos diferentes e gosto de todos eles mas por razões diferentes. O que eu sempre digo é que esta série é uma exploração das personagens; é pegar numa personagem que já conhecemos bem e ‘atirar-lhe’ algo novo que não é expectável e vê-la a reagir de forma diferente num momento em particular. E estamos a explorar a personagem. Por isso torna-se sobre a ligação humana com a personagem, e isso é o coração de um episódio para mi.

Como fã desde sempre da Marvel, posso dizer que estas personagens me têm cativado de forma diferente conforme a minha idade. Ou pelo menos já me vi em personagens diferentes. Mas tenho de dizer que enquanto criança, por alguma razão, eu pensava que ia crescer para ser um homem como o Dr. Strange, por causa da magia ou apenas por imaginar que um artista num estúdio é como ser um mágico nessa área ou algo do género.

What If Dr Strange
Dr Strange sempre foi uma das personagens de eleição de Stephan Franck © Marvel Studios 2021

Mas conseguia-me ver nesta personagem.. Cresci para me tornar uma pessoa diferente disso, por isso [o sonho] acabou por não se tornar realidade. Mas ainda tenho esta paixão pelo Dr. Strange que vem desde que eu era criança a tentar imaginar como é que seria quando crescesse. Pensava muito nele mas talvez porque tivéssemos o mesmo nome.

Em que ponto da animação é que pensaram “Oh, é isto! É com isto que vamos, este é o nosso estilo”?

Há um em particular sim, porque no início estamos a fazer sempre muitos testes até chegar à parte final, e há muitas camadas de animação até chegarmos ao ponto que queremos. Há as personagens em si, como é que elas interagem e se ligam com o cenário de fundo, como é que se mexem, a luz, os efeitos. Há muita “magia” que precisa de se alinhar. E a primeira cena em que percebemos “é isto” foi logo no início do primeiro episódio, quando ela luta [Agente Peggy Carter] na sua primeira luta. E o homem aparece por detrás do camião e avança pelos focos de luz dos faróis do camião.

Essa foi a primeira cena que vimos completa e estava final da maneira como a vimos. Nós vimos e olhámos uns para os outros e pensámos “é isto!”. A animação era excelente, a iluminação também. Todos os elementos se conjugavam.

Esta é uma série de uma temporada, mas também é apresentada como uma antologia, inspirada num universo bastante visual e que nos foi apresentado via filmes durante uma década. Como supervisor de animação, procurou assegurar que havia alguma continuidade interna nos 9 episódios? Ou concentraram-se apenas em cada episódio de 33 minutos e cada um seria diferente?

Sim, bem, há aspectos que são únicos de cada episódio mas outros que são um pouco mais transversais a todos. Por exemplo, quando lidamos com as personagens… O primeiro episódio tem lugar nos anos 40; então as personagens falam de um modo um pouco diferente e agem de uma forma um pouco diferente. E por exemplo, a personagem da Peggy, ela é uma mulher dos anos 40. Claro que a animamos da mesma forma que iremos animar a Viúva Negra, que é uma mulher moderna, mas a verdade é que têm personalidades diferentes e isso é devido à sua natureza específica e à natureza das histórias.

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Peggy Carter é a primeira personagem em destaque em “What If…?” ©Marvel Studios

Há certos elementos criativos que vivem num só espaço. Mas há coisas em que o estético é o que salta primeiro à vista. Nós arranjámos uma maneira de trazer a banda desenhada, e o tipo de desenho das bandas desenhadas e o nosso amor pelo [que já foi representado no] cinema para algo coeso através de um prisma das clássicas ilustrações americanas, como as da nossa referência Leyendecker. Por isso sim, é normal que no primeiro episódio se sinta muito o impacto das coisas “de período”. Mas para além disso há uma sofisticação na forma da linguagem que faz a ilustração ganhar forma para toda a temporada, seja uma história nos anos 40 ou não.

E tudo isso leva-nos para um nível visual abstracto, que confere uma sensação de comunidade ao projecto.

Nos primeiros quatro episódios, qual é a cena da qual tem mais orgulho?

Há dois tipos de cenas das quais estou muito orgulhoso, por razões diferentes. Há cenas que são extremamente físicas, e que são muito desafiantes para os animadores porque há muita coisa a acontecer e é preciso ter atenção às poses e às atitudes, e aos ângulos que não são triviais ou que provavelmente não foram vistos antes. (…) Por exemplo, pegando no primeiro episódio, temos uma montagem a meio do episódio, quando vemos o mundo a “trabalhar”, com o avião, e a complexidade e veracidade da sequência de acção para os animadores é um desafio real. E eles fizeram um trabalho de excelência. Por isso estou bastante orgulhoso deles por esse momento.

Já no mais recente, com o Dr. Strange, há cenas dentro do carro quando eles [Strange e Christine] estão a falar, e não há muito a acontecer mas tem de haver muito controlo sobre o modo como as personagens agem e reagem, de como dão a indicação de que querem dizer algo e depois retraiem-se. Claro que os actores dão-nos actuações incríveis e esse é o desafio dos animadores; perceber a performance, ligá-la à animação e fazer justiça. São momentos muito subtis e que representam um desafio diferente.

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Os momentos subtis são tão desafiantes de criar na animação como os de grande acção © Marvel Studios 2021

O primeiro exemplo mostra o quanto nós podemos mostrar na animação, e o segundo o quanto não devemos mostrar, e é uma questão de equilíbrio. Estou bastante orgulhoso de ambas as situações.

Stephan, aqui vocês trabalharam com personagens que o público já conhece de há um década… como é que encontraram o “centro” em relação ao aspecto, ao estilo único de animação?

Mais do que o centro, a vibe que procurámos foi o verdadeiro norte. Por vezes um animador criava uma performance que nós sabíamos que não iria simplesmente resultar porque conhecemos as personagens. É difícil de descrever o motivo e a razão mas é algo que simplesmente sabemos. Pelo que temos esta personagem, numa nova situação que a vai testar de uma forma completamente diferente; queremos que elas façam algo novo e inesperado mas lá no fundo tem de ser algo verdadeiro ao que já sabemos que ela é.

Já sabemos que guarda um lugar especial para o Dr. Strange, mas do episódio 1 ao 4, qual a storyline de que mais gostou?

Eu não sei de qual é que gostei mais mas posso dizer o que gosto de cada uma delas. No primeiro episódio há algo incrivelmente poderoso sobre Peggy tomar o comando. São os anos 40 e não há oportunidade das mulheres serem heróis e ela faz isso… por isso, para mim, a história vai até ao íntimo da natureza humana. (…) As histórias de “What If…?” são sobre “dar um passo”, e isso é algo extremamente poderoso. Todos os episódios têm esta aura de “circo” mas também têm uma quantidade incrível de teatro e que nos leva ao coração das decisões, e é por isso que não consigo dizer que episódio é mais válido porque eles são todos, e isso é o processo da série e o que adoro [na série].

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O que é que o entusiasma mais que as pessoas vejam nesta primeira temporada?

Bem, não vos posso contar muito mas há realmente muita coisa que quero que as pessoas vejam e quero ver como é que elas reagem. Porque há sempre um elemento surpresa que colocamos nestes mundos e é pura alegria de se ver como é que cada pessoa reage. O que eu mais anseio é que a temporada chegue ao fim para que possamos saber com que história é que os fãs se ligaram mais. Porqe para mim… eu vi praticamente cada cena desta temporada e por isso estou muito por dentro das histórias, e o meu interesse é saber o que vocês gostaram mais!

Sobre o futuro, na perspectiva de Stephan Franck haverá sempre forma de continuar estas histórias dada as suas origens, os seus motivos e o seu propósito.

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