© Cinemundo

Nathan Fielder tornou-se uma das figuras mais imprevisíveis do mundo das artes. Depois do sucesso de “Nathan For You” e  “The Rehearsal” (HBO Max), o canadiano volta a surpreender com “You Can See Everything”.

Realizado em parceria com Lance Oppenheim (“Primetime“) acompanha Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos, nos dias que antecederam a ida para a prisão e nos anos seguintes. A história de Holmes já tinha sido contada na minissérie “The Dropout”, com Amanda Seyfried no papel principal. Desta vez, é a própria Elizabeth Holmes que aparece em cena.

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Quando estreia You Can See Everything em Portugal?

O documentário estreia na quinta-feira, 12 de novembro, nos cinemas portugueses, com distribuição da Cinemundo. Tem 174 minutos de duração (2h54) e chega depois de ter estreado nos Estados Unidos a 16 de outubro, onde se estima que conseguirá mais de 12 milhões de dólares de receita.

Qual é a história de You Can See Everything?

You Can See Everything Elizabeth Holmes
© Cinemundo

A justiça norte-americana condenou Elizabeth Holmes a 11 anos de prisão por burlar investidores, e ela começou a cumprir a pena em 2023. Contudo, 34 dias antes, tinha convidado uma equipa de filmagens “cética” a documentar todos os seus passos. Assim, o que começa como um retrato íntimo de uma condenada enigmática acaba por se transformar numa viagem de três anos que desafia aquilo que o espectador julga saber.

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Fielder e Oppenheim contactaram Holmes depois de saberem, através de um amigo, que ela procurava alguém para registar a sua vida. Fielder já tinha lido “Bad Blood”, o livro de John Carreyrou, e achava que os media tinham esgotado o caso, mas ficou curioso com a versão de Holmes depois de ela se afastar do olhar público. Por isso, a equipa acabou por viver em casa de Holmes, do companheiro, Billy Evans, e dos filhos do casal.

Inicialmente, Fielder ia ficar atrás da câmara. No entanto, as interações com Holmes e Evans eram tão estranhas que os realizadores decidiram incluí-lo no filme. Além disso, a A24 deu-lhes liberdade total, sem prazos e sem obrigação de transformar as imagens num filme. Por outro lado, várias pessoas que conheceram ou trabalharam com Holmes recusaram participar, e Fielder explicou que muitos “estavam fartos dela”.

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Elizabeth Holmes, Nathan Fielder e Billy Evans participam no documentário, que a A24 produz em parceria com a To Be Formed e a Blow Out Productions.

Onde é que o novo filme de Nathan Fielder já deu que falar?

A verdade é que “You Can See Everything” foi mantido em segredo, até ao dia 6 de setembro. O filme foi apresentado ao mundo numa sessão-surpresa no Festival de Telluride. Os espectadores não sabiam que filme iam ver e tiveram de entregar os telemóveis à entrada. Nesse mesmo dia, a A24 revelou o título, divulgou um teaser e anunciou a estreia em salas. A reação foi imediata e o filme passou a dominar as conversas do festival.

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A 30 de setembro, o documentário teve a estreia nova-iorquina no 64.º Festival de Cinema de Nova Iorque, no Alice Tully Hall. Já nos prémios, “You Can See Everything” conseguiu nomeações nos Critics’ Choice Documentary Awards, que se realizam a 8 de novembro: Melhor Documentário, Melhor Realização, Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Banda Sonora.

O que diz a crítica sobre “You Can See Everything”?

No Rotten Tomatoes, o filme tem 99% de aprovação. No Metacritic, alcançou o feito histórico de 99 em 100.

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A Variety descreve o filme como um “circo psicodramático” único, a meio caminho entre o reality show e um filme “hangout”. O The New York Times considera que poucos filmes falam de forma tão estranhamente certeira ao momento presente e destaca que é muitas vezes engraçado, mesmo quando as questões que levanta sobre verdade e realidade o fazem parecer uma tragédia.

A Rolling Stone atribui-lhe 100 pontos no Metacritic e diz que é “simplesmente, sem pudor, brilhante”. O New York Post fala num documentário “sensacional”, “imperdível” e capaz de dobrar a realidade.

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O que diz o público do filme sobre Elizabeth Holmes?

O público está tão rendido como a crítica. No Letterboxd, o filme estreou com 4.7 em 5, um recorde para uma estreia, e entretanto já subiu para 4.8. Com esta nota, ocupa o topo da plataforma e deixa para trás clássicos como “Harakiri”, “The Human Condition III”, “12 Angry Men”, “Come and See” e “High and Low”. Os números repetem-se noutros sites: o Popcornmeter do Rotten Tomatoes também está nos 99%, enquanto os utilizadores do Metacritic lhe dão 8.4 em 10.

Os comentários seguem pelo mesmo caminho. Para um utilizador do Letterboxd, trata-se de “um thriller psicológico sobre documentários”, e outro, a brincar com o título, escreve “eu vi tudo e gostei do que vi”. Já no Metacritic, há quem lhe chame “uma obra-prima genuína” e garanta que, mesmo com quase três horas, o filme “move-se a um ritmo incrível”. No Rotten Tomatoes, por sua vez, a experiência é descrita como “estranha, desconfortável, cativante” e também como “uma montanha-russa”.

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Há também quem recomende ver o filme sem ler nada antes, e um espectador a dizer que é o “filme do ano” e “infinitamente fascinante”.

Quais são as hipóteses de You Can See Everything nos Óscares?

Nunca nenhum documentário conseguiu uma nomeação para Melhor Filme nos Óscares. No entanto, “You Can See Everything” chega com burburinho suficiente para quebrar essa barreira. Aliás, a A24 vai fazer campanha para Melhor Filme, e o crítico Peter Travers defende que este pode ser o primeiro documentário a entrar na corrida.

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Para além de Melhor Filme, vários analistas de prémios apontam “You Can See Everything” como um dos grandes candidatos a Melhor Documentário. Ainda assim, a mistura de documentário, comédia e encenação pode ser um obstáculo junto do ramo dos documentários da Academia, o que torna a corrida mais imprevisível.


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