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“Primetime”, filme realizado por Lance Oppenheim e co-produzido por Ari Aster (“Midsommar”) para a A24, é uma das estrelas mais relevantes não só desta semana como deste mês. Um thriller psicológico que nos permite mergulhar, a pés juntos, na insanidade de uma história verídica.|

Robert Pattinson em mais uma performance essencial

Há meses que ouvíamos o burburim acerca da nova prestação de Robert Pattinson no cinema. E não fosse o ator de 40 anos uma das figuras mais acarinhadas do mundo da representação, a sua performance em “Primetime” tem merecido novos níveis de rasgados elogios – e não é para menos.

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A24 Robert Pattinson 2026
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Aqui, encarna Chris Hansen, uma figura real, que entre 2004 e 2007 apresentou, no programa Dateline NBC, um segmento inacreditavelmente chocante: “To Catch a Predator”, um programa de televisão dedicado a aliciar e apanhar, em prestes flagrante delito, potenciais pedófilos.

É verdadeiramente surreal que “To Catch a Predator” tenha sido um programa real e “Primetime” não é, por isso, uma típica biografia, aborrecida e previsível. É um thriller psicológico intenso, munido de uma imensa carga de humor negro quase inebriante, que nos coloca cara a cara com alguma da maior podridão humana e com todas as formas profundamente erradas que temos para lidar com a mesma.

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Chris Hansen é uma personagem extremamente complexa, uma das mais desafiantes e impressionantes do catálogo riquíssimo de Robert Pattinson. O apresentador e jornalista, como retratado neste filme, mune-se de um gigante complexo de deus, caracterizado aqui como um narcisista nato que pensa estar a fazer um trabalho louvável e meritório de todos os louros.

A surreal moralidade dúbia de Primetime

“Primetime” é muito hábil na sua apresentação do enredo. Mergulha-nos no universo de “To Catch a Predator” e na sua demanda para se tornar o programa mais visto da televisão norte-americana, sem tecer juízos fáceis sobre moralidade, sobre o lugar que a televisão veio ocupar para o juízo dos pares na contemporaneidade, sem respostas simples.

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Para que este thriller resulte, e para que nos vejamos imersos nele, como acontece, é importante que se mantenha alguma ambiguidade, quer na forma de agir das personagens, quer no que diz respeito às suas motivações.

Entre quem está envolvido no programa há de tudo: a produtora Andie (uma também excelente Merritt Wever) só quer fazer o seu trabalho da forma mais competente possível, o engodo Dan (Skyler Gisondo no melhor papel da sua breve carreira) quer ser o melhor ator possível e manter a sua integridade, o engodo Del (Phoebe Bridgers, numa interessante estreia na representação) quer operar uma espécie de ativismo social.

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Skyler Gisondo Primetime 2026
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Não há uma motivação única para este produto final que facilmente pode ser visto como intrusivo e moralmente cinzento. Mas, uma vez mais, grande parte da força de “Primetime” vem da sua capacidade de não julgar, não em excesso, apresentando-nos uma situação caricata de forma intensa, profunda e frequentemente incómoda.

Um thriller corajoso por parte da A24

A personagem de Robert Pattinson é a grande figura à volta da qual tudo isto se constrói: um pseudo-herói moderno, um homem com um ego gigantesco e um temperamento obscuro que julga estar a limpar o mundo de um mal ancestral.

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A grande vantagem de “Primetime”, e o seu verdadeiro trunfo, é a capacidade de nunca tomar tudo isto como certo ou moralmente superior, mas permitir aos eventos desenrolam-se em tempo real, de forma a envolver quem vê de forma plena.

O filme nunca nos pede para empatizar com o complicadíssimo Chris ou com a sua demanda, simplesmente dá-nos as ferramentas necessárias para observarmos toda esta bizarria, como participantes em segunda mão, e depois sim tecer considerações sobre tudo o que se passou.

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Com um valor de entretenimento elevado, humor arriscado e muito desconfortável, “Primetime” deve ser louvado essencialmente por aquilo que é de forma tão clara: um filme corajoso, sem medo de chocar, entrar por temáticas desconfortáveis e por lá ficar, a alimentar esse mesmo desconforto.

Aquilo que podia ter sido uma biografia previsível torna-se numa empolgante jornada, com o público a descobrir as terríveis consequências deste produto intrusivo pouco a pouco.

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Sendo sem dúvida um bom filme de elenco, Pattinson mostra, uma vez mais, ser a estrela decisiva da sua geração.

“Primetime” encontra-se em exibição nas salas de cinema nacionais desde o dia 8 de outubro, e merece a experiência de sala.

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Primetime, a Crítica

Conclusão

“Primetime” não só extrai uma genial prestação de Robert Pattinson, como nos permite mergulhar a pés juntos numa história verídica com coragem, determinação e um fio condutor motivado pelas emoções primordiais do thriller psicológico.

Overall
7/10
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