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Zoey’s Extraordinary Playlist, série completa em análise

No início de 2020, colocamos “Zoey’s Extraordinary Playlist” na nossa bucket list das séries mais aguardadas do ano. A expetativa cumpriu e manteve-se ao longo das duas temporadas. E é com muita pena que nos despedimos da personagem de Jane Levy e do seu ‘superpoder’.

Atenção este artigo contém alguns spoilers da série!

“Zoey’s Extraordinary Playlist” foi uma das séries que nos conquistou o ano passado. Por isso, ainda estamos a digerir a notícia de que (tão depressa) não irá voltar… Isto porque, depois de negociações, a NBC, a Lionsgate TV e a Peacock TV  não conseguiram chegar a um acordo, o que levou ao cancelamento da série. Ainda assim, poderá existir esperança, uma vez que a Lionsgate TV ainda não desistiu de vender os direitos a outros serviços semelhantes. Quem sabe se não poderemos voltar a ver Zoey na Netflix? Que ultimamente tem comprado praticamente tudo.

Também o criador da série, Austin Winsberg, foi apanhado na cura, visto que a série até estava a ser bem recebida tanto pelo público, como pela crítica. Aliás, Jane Levy recebeu a sua primeira nomeação aos Golden Globes na categoria de Melhor Atriz numa Comédia ou Musical precisamente pela sua prestação enquanto a protagonista Zoey Clarke. A incredulidade foi tanta que Winsberg fez inclusive um apelo no Twitter para que todos os fãs colocassem nas tendências a hashtag #saveZoeysPlaylist, de forma a tentar salvar a série.

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A incredulidade é também partilhada pela ausência da série nas principais categorias dos nomeados aos Emmy, anunciados esta terça-feira. Zoey e a sua playlist continuam a figurar em apenas categorias técnicas (Melhor Direção Musical e Melhor Música e Letra Original), às quais se soma a nomeação de Bernadette Peters (a amiga viúva da mãe de Zoey) para Melhor Atriz Convidada numa Série de Comédia. Numa lista onde se inclui “Emily in Paris”, ou “Bridgerton” (ainda que noutra categoria), não conseguimos compreender porque a série de Austin Winsberg não entrou. Principalmente pelo extraordinário desempenho que Levy continuou a demonstrar – fazer comédia em paralelo com um musical não é tão fácil como a atriz transparece! Isto para não falar dos fãs que conquistou um pouco por todo o mundo. Aliás, a sua nomeação ou da série, poderiam muito bem ter invertido o seu (infeliz) destino.

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Se a série ou a sua protagonista, Jane Levy, tivessem ganho uma nomeação aos Emmys 2021, talvez “Zoey’s Extraordinary Playlist” já teria salvação | © HBO Portugal

“Zoey’s Extraordinary Playlist” prima por ser uma série sem medo de arriscar, num panorama onde muitas comédias optam pela via do sitcom. É uma série de risos, mas também de algumas lágrimas, ideal para os estranhos tempos que vivemos. Ao início, a narrativa faz lembrar Mel Gibson em “O que as Mulheres Querem”, só que em vez de ouvir os pensamentos de forma linear, Zoey ouve-os em forma de músicas e sem aviso. De um dia para o outro, a sua vida tornou-se um musical, com direito a flash mobs (também elas inesperadas). No entanto, Zoey, uma programadora de São Francisco que sempre preferiu podcasts a músicas pop, não encara esta nova habilidade da melhor forma. Só quando decide partilhar o segredo com o seu vizinho Mo (Alex Newell) e percebe que este lhe permite comunicar com o pai doente, é que Zoey decide abraçar o seu dom musical.

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A primeira temporada é a de apresentação, com cada episódio a apresentar ou uma personagem, ou um evento relevante para Zoey – todos extraordinários, claro. Somos levados por Levy e damos por nós a cantarolar em conjunto, apesar de, ironicamente, o conhecido musical da sua personagem ser perto de zero. A jovem atriz de 31 anos, que tendemos encontramos em filmes e séries mais sombrias como “Nem respires”, “Castle Rock” ou “What/If“, afirmou em entrevistas que nunca sentiu uma conexão tão grande com o público como com Zoey. Levy atribuiu este facto à experiência catártica que a série desencadeia, uma vez que apesar de ser um dramedy, com alguma fantasia à mistura, vai tocando em vários nervos comuns a qualquer mortal. Desde o lidar com a perda de um ente querido, à depressão pós-parto, passando por gerir uma equipa num ‘mundo de homens’, até temas mais ‘leves’ como apaixonar-se pelo melhor amigo.

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Mo (Alex Newell) é uma das personagens mais marcantes da série | © HBO Portugal

Skylar Astin (“Crazy Ex-Girlfriend”) e John Clarence Stewart (“What/If”), em conjunto com Alex Newell (“Glee”) e Levy perfazem o elenco principal da série. Elenco que no seu todo é talentoso, quer ao nível vocal, quer de coreografia, ou não tivesse o mesmo ganho o Emmy para Melhor Coreografia em 2020, sob a direção de Mandy Moore (“This is Us”) – nomeação que este ano também foi ignorada… Astin e Stewart dão vida aos interesses amorosos de Zoey, respetivamente Max e Simon, ao passo que Newell é, como referimos, o seu vizinho e confidente (e muitas vezes psicólogo). Qualquer um dos três encaixa perfeitamente no respetivo papel, mas Newell acaba por roubar uma grande maioria das cenas em que participa – incluindo nas que contracena com Levy. O ator de 29 anos, que muitos conheceram como Unique da série “Glee”, brilha enquanto Mo, um jovem negro não-binário (genderfluid) e religioso, uma característica não muito comum neste género de personagens. Aspeto que Newell comentou em várias entrevistas que partilhava com a sua personagem, e que muito da sua própria história estava refletida em Mo.

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Por sua vez, os veteranos Peter Gallagher (“Lei & Ordem: Unidade Especial”) e Mary Steenburgen (“Calma, Larry”; “Regresso ao Futuro III”) assentam na perfeição como os pais de Zoey, Mitch e Maggie. Gallagher acabou por ter um desafio acrescido ao interpretar um doente terminal, vítima de uma doença neurológica degenerativa. “Zoey’s Extraordinary Dad”, o último episódio da primeira temporada, foi especialmente dedicado à sua personagem e continua a ser um dos melhores da série, contando com uns impressionantes 9.6 pontos no IMDb.

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Zoey (Jane Levy) e o seu pai Mitch (Peter Gallagher) no episódio “Zoey’s Extraordinary Dad” | © HBO Portugal

Durante a primeira temporada, fomos igualmente brindados pela presença de Lauren Graham (“Gilmore Girls”; “Calma, Larry”), que assumiu o papel de chefe de Zoey, Joan. A atriz, que para muitos será sempre a Lorelai Gilmore, protagonizou um dos melhores momentos da série com a sua interpretação da icónica canção dos Rolling Stones “Satisfaction,” durante o terceiro episódio da primeira temporada intitulado “Zoey’s Extraordinary Boss.” É o lugar de Joan que Zoey acaba por ocupar na segunda temporada, o qual vem com os respetivos desafios de gestão num mundo fortemente associado ao sexo masculino.

Para além do desafio de gerir a sua equipa na empresa tecnológica, SPRQ Point, na segunda temporada Zoey tem de lidar com a morte do pai. E, para acrescentar, a sua recém relação com Max não está a resultar tão bem quanto esperava. Aliás, a protagonista acaba por saltar entre relações e sentimentos face à sua dupla de pretendentes. No entanto, a mais recente temporada não se resume à vida amorosa de Zoey, mas mais ao processo de ‘cura’ e (re)descoberta de quem realmente é, o que implica a aceitação do seu ‘superpoderes’ – que acaba por ser partilhado com o seu verdadeiro amor no final da série (resultando num enorme cliffhanger…).

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A família de Zoey irá, de igual forma, passar por um processo semelhante de ‘cura’ e (re)descoberta, cada um à sua maneira. Para o irmão de Zoey, David (Andrew Leeds) será uma crise profissional que o leva a querer fazer parte de uma banda de garagem. Para a sua mãe será a interiorização e aceitação de que terá de seguir com a sua vida. É neste processo que irá refortalecer a relação com a também viúva Deb (interpretada por Bernadette Peters, como dissemos a única nomeação de elenco aos Emmys da série), que conheceu aquando os preparativos do funeral de Mitch. Entre casinos e autodescoberta, a dupla protagoniza alguns dos momentos mais divertidos da segunda temporada.

De uma coisa estamos certos, “Zoey’s Extraordinary Playlist” merecia uma continuação, e temos esperança de que tal aconteça. Enquanto relembramos que todos os episódios da temporada um e dois já se encontram disponíveis na HBO Portugal.

Zoey's Extraordinary Playlist, série completa em análise
zoey's extraordinary playlist

Name: Zoey's Extraordinary Playlist

Description: Zoey Clarke, uma especialista em programação de computadores em São Francisco, começa a ouvir os desejos das pessoas à sua volta através de músicas. Zoey questiona a sua sanidade mental, mas rapidamente se apercebe que isso pode ser um dom incrível.

  • Inês Serra - 90
90

CONCLUSÃO:

“Zoey’s Extraordinary Playlist” prima por ser uma série sem medo de arriscar. Com um elenco brilhante liderado por Jane Levy, o projeto de Austin Winsberg teve, infelizmente, uma vida muito curta. Esperamos que Zoey e a sua playlist encontrem uma nova casa brevemente.

Pros

  • Alex Newell e Jane Levy
  • Capacidade de incorporar os momentos musicais sem comprometer o enredo
  • Coreografias / escolhas musicais
  • Elenco no seu todo

Cons

  • Alguns dos temas abordados na segunda temporada parecem forçados
  • Ter acabado com um cliffhanger
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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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