Kong: Ilha da Caveira, em análise

Realizado por Jordan Vogt-Roberts, Kong explora o universo icónico de King Kong dando-lhe nova vida. Os monstros estão de volta!

Inspirado no gigante criado por  Merian C. Cooper em 1933, Kong segue um grupo de cientistas que descobre provas da existência de uma ilha na qual se acredita viver uma criatura gigante. Com o objetivo de a encontrar e matar, os cientistas, liderados por Bill Randa (John Goodman), embarcam numa viagem ao lado de um batedor (Tom Hiddleston), uma fotógrafa de guerra (Brie Larson), e uma unidade militar liderada por Preston Packard (Samuel L. Jackson). Contudo, este não é apenas mais um filme de acção e monstros, possuindo uma grande preocupação artística, encontrada principalmente na realização e na montagem, ambas repletas de referências em especial a Apocalypse Now e Jurassic Park.

kong skull island ilha da caveira

Os planos nunca se mantêm estáticos (incluindo ligeiros movimentos de câmara que tornam a imagem mais dinâmica e interessante), e existe uma grande preocupação em mostrar os olhos das personagens. Já diz o ditado “os olhos são o espelho da alma” e em Kong não podia ser mais verdade, estando estes planos presentes para intensificar emoções como o medo ou a felicidade (o elenco mostra aqui o seu talento, conseguindo transmitir sentimentos reais). A montagem procura transmitir tensão, algo conseguido pelos vários planos de slow-motion em alturas de extremos (medo, pânico, orgulho, poder).

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A temática é clara: a intolerância humana e o desejo de destruição sem pensar nas consequências. Uma ideia de soberania que marca a existência humana quer entre homem e natureza, quer entre as várias civilizações. Em contraste, temos um grupo de personagens interessado em compreender o que o rodeia, procurando prazer na beleza do desconhecido. Trocam-se as armas pela câmara de Mason Weaver (Larson): enquanto a arma dispara para matar, a câmara dispara para preservar.

kong skull island ilha da caveira

No centro desta batalha interna está Kong, Majestoso e poderoso, o “monstro” é o protetor da ilha. Ele coloca o homem em perspectiva, mostrando que o caçador facilmente se pode transformar na presa. No entanto, nem ele é intocável (comprovado pelas cicatrizes que o adornam) e acaba por ser mais humano que monstro.

Praticamente todas as personagens possuem profundidade e personalidades distintas, até mesmo os soldados que muitas vezes são retratados como “paus mandados”. Através de pequenos diálogos e da interação entre si, percebemos que são verdadeiros irmãos de armas, com aspirações e um desejo de regressar às suas famílias. Maior fonte de humorismo em Kong, estas personagens trazem “diversão” a uma obra onde reina a tensão. Destaca-se contudo Packard que contrariamente aos seus homens, vive para a guerra.

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A fotografia é rica (assim como o CGI), sendo mais exuberante na aldeia nativa. A construção desta sociedade é em simultâneo simples e complexa. Homenagem às nossas civilizações antigas (até na música tribal que a acompanha), a aldeia é colorida e viva. Os seus habitantes são a prova de que é possível viver em harmonia e sintonia com a natureza. A co-habitação de culturas diferentes e a mútua entre-ajuda tem sido cada vez mais uma problemática da nossa sociedade.

NA ILHA DA CAVEIRA, KONG É REI

Filosofo e contemplativo, Kong retrata a dicotomia entre modernidade e tradicional. Uma crítica à sociedade moderna e à forma como muitos continuam a olhar-se como donos do mundo. Em termos de simbolismos encontramos referências à guerra do Vietname (MACV-SOG), a Athena (deusa da guerra), Icarus, Lead Belly, a Vera Lynn, e a bandas icónicas que vão preenchendo a banda sonora (misturadas com composições do já conhecido Henry Jackman).

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Envolto em fatos científicos (imagens de satélite da ilha, a necessidade de explorar locais remotos e desconhecidos antes de outros países), Kong abandona o lado mais fantasioso do original para nos trazer um cenário de “e se os monstros existissem mesmo?”.  Abandona também a ideia de mulher indefesa predominante nas adaptações anteriores, trazendo uma personagem forte e independente, capaz de se defender e de participar ativamente nos conflitos. O romance existe sim mas de uma forma subtil.

No fim, muito fica por dizer sobre Kong mas a beleza da obra está exatamente na descoberta! Para os mais distraídos lembramos a existência de uma cena pós-créditos que não vais querer perder!


kong skull island ilha da caveiraTítulo Original: Kong: Skull Island
Realizador:
Jordan Vogt-Roberts

Elenco: Tom Hiddleston, Brie Larson, Samuel L. Jackson, John Goodman
NOS | Ação, Aventura, Fantasia | 2017 | 118 min

Ana Rodrigues
Ângela Costa
Catarina d'Oliveira
Cláudio Alves
Daniel Rodrigues
José Vieira Mendes
Filipa Machado
Maria João Bilro
Marcos Mendes
Miguel Simão
Rui Ribeiro
Virgílio Jesus


AC



Sobre Ângela Costa

Mestre em Cinema e apaixonada por cinema japonês e videojogos!