Velocidade Furiosa 8, em análise

Velocidade Furiosa não é mais um filme para os amantes de automóveis e de corridas a alta-velocidade, mas nem por isso, deixa de ser uma experiência cinematográfica cativante.

velocidade furiosa 8 imagem oficial critica analise

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Vão longe os tempos em que Brian O’Connor (Paul Walker) e Dominic Toretto (Vin Diesel) lutavam contra traficantes locais de droga. A subcultura do tunning, enraizado no caule da amada saga, perdeu lugar para um complô de planos criminais que colocam a segurança do mundo em jogo. Uma espécie de “Missão Impossível” carregada agora por personagens sobre-humanos, que utilizam cenas automobilísticas como um detalhe em jogos de espionagem.

No grupo leal de fãs é uma afronta, mas enquanto houver um pequeno piscar de olhos à ideologia original, as reclamações vão ser poucas. Em “Velocidade Furiosa 8” podemos logo no seu pano de abertura assistir a essa referência. F. Gary Gray utiliza, de forma brilhante adicionamos, as lindas paisagens e aspectos culturais cubanos para uma corrida criativa e hiperbolizada com destaque à vida actual de Dominic Toretto. Em paz, acompanhado por Letty (Michelle Rodriguez), Dom é abordado por uma figura misteriosa – Cipher (Cherlize Theron) – e é a partir daí que se desenrola o trama deste novo capítulo.

O material promocional carregou muito na traição de Dominic Toretto à sua equipa, leia-se família, mas enquanto espectadores percebemos rapidamente que não é tudo tão preto no branco. Vin Diesel empresta assim um lado mais intenso na sua estreia como produtor da saga que o lançou para a ribalta, e traí tudo e todos para um final muito digno da sua personagem. Sem alimentar demasiado as revelações do filme, constatamos apenas o cliché do argumento. Um desenvolvimento para a personagem principal de “Velocidade Furiosa”, e que em parte, negligência o restante elenco que não pôde brilhar como outrora dado o tão centrado argumento.

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Dwayne Johnson e Jason Statham regressam também ao filme, replicando os seus papeis de Luke Hobbs e Deckard Shaw. São estes as personagens secundárias mais importantes e que destacam as brilhantes cenas de acção. São também uma espécie de personagens retiradas de um filme Marvel, seja Dwayne Johnson uma espécie de Capitão América da vida real ou Jason Statham um autêntico Daredevil. É comercial e gritam por luzes, explosões e muita cor para apagar as desigualdades e buracos no argumento. Não seja isto visto como um ponto negativo. Não é. É um facto que poucos franchises conseguem explorar da mesma forma que “Velocidade Furiosa” e é uma das razões para a mesma ser um dos activos mais rentáveis do cinema.

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Obviamente a morte de Paul Walker deixa um vazio em “Velocidade Furiosa 8” e embora seja honrado como merece, nota-se que a saga perdeu algo. Perdeu uma antítese à explosão de Vin Diesel, perdeu os pés da terra e perdeu a arma mais dramática do seu arsenal. É compreensível portanto as teses de quem acha que a saga está a estender as suas boas-vindas.

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Olhando para este filme como uma experiência individual de cinema, não encontramos grandes novidades no funcionamento da equipa. Tyresse Gibson e Ludacris continuam como o registo cómico do filme, não melhor, nem pior. Igual. Michelle Rodriguez não é a mesma actriz de outrora e parece mesmo pouco inspirada. Seria de esperar que depois de Paul Walker, a traição de Dom, afectasse mais a sua personagem do que qualquer outro. Para além de um encontro num beco, não há qualquer cena a explorar realmente a relação de ambos nem o impacto das decisões do protagonista.

Mais um desalento do filme é Charlize Theron. Em “Mad Max” a actriz sul-africana cativou audiências pela sua performance como a rebelde Furiosa, mas como a vilã Cipher falha redondamente. É verdade que toda a motivação e diálogo da sua personagem é dos piores em memória, mas em momento algum nos sentimos antagonizados pela actriz. Não é fácil fazer uma salada com legumes estragados é certo, mas na apresentação podemos sempre vender algo – e “Velocidade Furiosa” entende bem esse conceito – Charlize, não.

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O cineasta F. Gary Gray mostra talento para algumas das melhores cenas de acção de sempre. Não só pela execução técnica de carros a cair do céu, ou de um submarino a emergir no gelo, mas também pela compreensão do seu público-alvo. A pergunta é sempre: “como fazer mais e melhor?”, e aparentemente sem qualquer travão, o realizador de “Straight Outta Compton” excede todas as expectativas. É um filme que merece uma experiência IMAX ou 4DX, que mais não seja, pela sua componente única de mistura de som e grandes planos. As cenas de acção só sofrem um bocado com os demasiados abanões (shaky cam) e não podemos sempre acompanhar os pontapés de Jason Statham e as coreografias bem ensaiadas do restante elenco.

É complicado qualificar este filme em relação aos seus predecessores. É uma dinâmica e proposta diferente do que estamos habituados, não menos agradável, pois não há momento algum em que não estejamos no canto do nosso assento cativados com o que irá acontecer a seguir, mas estamos sempre conscientes de que é um filme altamente comercial gerado para agradar as massas e sem qualquer ambição para se focar no seu drama e relação das personagens. Ao espaço já sabemos que não vão, mas um regressar as raízes seria certamente uma experiência fenomenal. Fica a dica.


Título Original: The Fate of The Furious
Realizador:  F. Gary Gray
Elenco: QVin Diesel, Dwayne Johnson, Jason Statham, Charlize Theron
NOS | Acção, Aventura | 2017 | 136 min

poster velocidade furiosa 8

Ana Rodrigues
Ângela Costa
Catarina d'Oliveira
Cláudio Alves
Daniel Rodrigues
José Vieira Mendes
Filipa Machado
Maria João Bilro
Marcos Mendes
Miguel Simão
Rui Ribeiro
Virgílio Jesus
 


MM

 



Sobre Marcos Mendes

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