Never Look Away

75º Festival de Veneza| ‘Never Look Away’: O Poder da Arte

‘Never Look Away’, do alemão Florian Henckel von Donnersmarck (‘O Turista’), atravessa a II Guerra Mundial e a consolidação da RFA e RDA, para contar uma história familiar que com surpresa é filme favorito do público de Veneza 75.

A doze anos do deslumbrante ‘A Vida dos Outros’, vencedor do Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2007 e oito do algo decepcionante ‘O Turista’, o realizador alemão Florian Henckel von Donnersmarck regressa para recriar na Alemanha uma história inspirada em factos reais sobre o significado da arte e busca de identidade. Curiosamente a ideia deste filme, nasceu do encontro reunião do realizador com o pintor alemão Gerhard Richter, cujas obras de arte são uma das principais fontes de inspiração para o filme. Aliás como as figuras e obras de outros artistas como Joseph Beuys, Sigmar Polke, Günter Uecker, Heinz Mack, Andy Warhol ou William Klein.

Never Look Away

O filme quase com um formato de série de televisão — dura cerca de três horas — passa por vários momentos da história alemã do século XX, do nazismo na II Guerra Mundial às jovens República Federal da Alemanha, passando pelos igualmente pelos primeiros tempos da RDA, antes da construção do Muro e, contados através da intensa vida do jovem artista plástico Kurt Barnert (Tom Schilling), apaixonado por Elisabeth (Paula Beer) e em constante conflito com o sogro, o ambíguo Professor Seeband (Sebastian Koch).

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TRAILER | ‘NEVER LOOK AWAY’ COM TOM SCHILLING

Kurt ignora que as suas vidas  estão ligadas por um crime terrível cometido por Seeband décadas antes durante o nazismo. Na verdade, trata-se de um épico que retrata a vida de Kurt Barnert (ou Gerhard Richter)  e a sua a capacidade para ultrapassar e tirar partido das dificuldades. E por outro lado mostrar que a criação e as obra de arte têm poder e são uma prova concreta de que os traumas podem ser transformados em algo de positivo.

‘Never Look Away’ é sobretudo uma história de superação e de um talento consolidado pela simplicidade e vontade de vencer, filmada de uma forma muito competente entre Dresden, Berlim, Görlitz, Colónia, Praga e Düsseldorf, que obrigou o realizador Florian Henckel von Donnersmarck a fazer as necessárias pesquisas e estudo das reproduções de obras de arte, entre elas as principais da histórica exposição ‘Arte Degenerada’ — considerada pelos nazis fora dos padrões do nacional socialismo —, mostrada logo no início do filme em Dresden.

José Vieira Mendes (em Veneza)

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colabora no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’, ( 2014). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’,(2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’, (2012) Mostras de Cinema da América Latina 2010 e 2011, 'Vamos fazer Rir a Europa', 2014 e Mostra de Cinema Dominicano, 2014 e Cine Atlântico, Terceira, Açores. É o Director de Programação do Cine’Eco- Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela desde 2012. É membro da FIPRESCI.

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