Via Terratreme/'Lobo e Cão'.

79º Festival de Veneza | ‘Lobo e Cão’ é Melhor Filme da Giornata

‘Lobo e Cão’, o novo filme da realizadora portuguesa Cláudia Varejão, ganhou o prémio de Melhor Filme na Giornata degli Autore.

Num júri composto por 27 elementos e presidido pela realizadora Céline Sciamma, o filme ‘Lobo e Cão’, de Cláudia Varejão (‘Amor Fati’, 2019) foi o vencedor da secção paralela Giornata degli Autore, do 79º Festival de Veneza. Rodado na Ilha de São Miguel, nos Açores, com um elenco de actores não-profissionais, o filme dá-nos a conhecer a realidade insular através de Ana (Ana Cabral), do seu grupo de amigos e a sua família. Entre as várias justificação do júri destaca-se, as principais, relativamente ao filme: Lobo e Cão’ apresenta um tema profundamente importante e que nos diz respeito a todos; a representação do que é fazer parte de uma comunidade queer, a combinação de elementos queer com a religiosidade o que nos dá a sensação dos espaços queer serem também lugares de espiritualidade.’

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‘Lobo e Cão’ é um filme que cruza realidade com ficção, aliás na linha dos filmes anteriores da realizadora, numa ode à comunidade queer desta ilha, que vive algo marginalizada. Ana (Ana Cabral) é natural de São Miguel, e teve uma educação, marcada pela religião e as tradições da ilha dos Açores. É a filha do meio de três irmãos. Vivem com a mãe e com a avó. Ana percebeu cedo que as raparigas têm tarefas distintas das dos rapazes. Através da sua amizade com Luís Filipe (Ruben Pimenta), o seu melhor amigo que tanto gosta tanto de vestidos como de calças, Ana questiona o mundo que lhe foi prometido.Quando a sua amiga Cloé (Cristiana Branquinho) chega do Canadá, trazendo consigo os dias brilhantes da juventude, Ana embarca numa viagem que a levará a atravessar a linha do seu horizonte e as suas perspectivas de futuro. Repleta de desejo e liberdade, a luz de ‘Lobo e Cão’ revela uma outra Ana à procura do mar certo para navegar. ‘Lobo e Cão’ é uma produção da Terratreme em coprodução com a francesa La Belle Affaire, e vai ter estreia comercial em Portugal ainda este ano. Esta é a primeira longa-metragem de ficção de Cláudia Varejão, realizadora de obras como ‘Amor Fati’ (2019), ‘Ama-San’ (2016) ou ‘No Escuro Descalço os meus Sapatos’ (2016).

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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